A direita portuguesa iniciou quinta-feira
uma enorme campanha de provocação
contra a Venezuela Bolivariana. Conspícuos
jornais corporativos, como o Diário
de Notícias e O Público,
capitaneiam tal campanha, ou alinham com
a desinformação e a mentira.
O pretexto para esta campanha escabrosa
contra a pátria de Bolívar
são os quatro portugueses detidos
na Venezuela. Em outubro de 2004 eles
foram apanhados no Aeroporto de Caracas
com 386 kg de cocaína. Pretendiam
transportá-la para a Europa num
avião fretado à Air Luxor.
São eles: Maria Margarida Mendes,
"empresária" do Vimieiro,
Maria Virgínia Passos, advogada
de Arraiolos, e Maria Antonieta Soares,
as quais permanecem detidas. Ao contrário
do que mente o Diário de Notícias,
as referidas mulheres não eram
"passageiras" e sim as responsáveis
pelo fretamento do avião, um Citation
X.
O quarto português detido é
o co-piloto, que se encontrava no interior
da aeronave quando a carga de cocaína
foi ali introduzida. O comandante e a
hospedeira foram libertados há
muito pelas autoridades venezuelanas.
Numa falação confusa,
a reação portuguesa reclama:
1) do fato de o avião apreeendido
ter sido mudado de hangar, quando as autoridades
venezuelanas têm o direito de guardá-lo
onde muito bem entenderem; 2) do fato
de o processo judicial que as autoridades
venezuelanas movem contra os quatro indiciados
ter tido adiamentos. Mas passaram-se apenas
nove meses desde a apreensão da
carga de narcótico. Será
que não sabem o quanto demoram
os julgamentos nos tribunais portugueses?
O mais preocupante nesta campanha de
má fé contra a Venezuela
Bolivariana é a tentativa de envolvimento
do presidente de Portugal. São
conhecidas as fragilidades de Jorge Sampaio.
É por isso de recear que se deixe
manipular a ponto de levantar o assunto
na próxima Cúpula Ibero-Americana,
que será realizada em Salamanca,
em 14 de outubro.
Deve-se esclarecer clara e frontalmente:
o governo venezuelano não deve
nenhuma satisfação ao governo
português. O crime foi cometido
na Venezuela e é lá que
tem de ser julgado, de acordo com as leis
venezuelanas. Seria extremamente incorreto,
para não dizer abusivo, que o presidente
português mencione o assunto ao
seu homólogo venezuelano. Os canais
diplomáticos normais são
perfeitamente adequados para transmitir
ao governo português todas as informações
que necessita acerca dos quatro portugueses
indiciados.
Publicado no Resistir.info
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