Por Cláudio
Gonzalez
Encerrou-se, nos dias 1 e 2 de outubro, a
etapa estadual do processo de debates do
11º Congresso Nacional do PCdoB, com a
realização de conferências estaduais
nos estados onde elas ainda não haviam
ocorrido: Ceará, Bahia, Alagoas,
Tocantins, Amazonas e Rio Grande do Norte.
A próxima e última etapa do Congresso é
a plenária final que acontece em
Brasília de 20 a 23 de outubro.
Foi um processo de mobilização
vitorioso, que reuniu quase 70 mil
militantes; ou seja, houve um crescimento
de 104% em relação ao número de
militantes reunidos durante o processo do
10º Congresso, em 2001. Naquela ocasião,
foram reunidos 33.948 militantes. Já em
comparação com a mobilização ocorrida
por ocasião da 9ª Conferência, em 2003,
o aumento foi de 18%: naquela ocasião, os
debates reuniram reunidos 58.589
militantes. Agora, em 2005, esse número
foi de 69.302 militantes, e pode ser mais
pois alguns estados (Amazonas, Ceará e
Alagoas) ainda não forneceram os dados
finais.
O Estado que mais reuniu militantes foi
São Paulo, com 11.898 comunistas
mobilizados. Mas foi o Acre, com seus
4.147 militantes reunidos, o Estado que
proporcionalmente mais mobilizou já que a
população do Acre é de cerca de 600 mil
habitantes, enquanto em São Paulo este
número chega a 40 milhões. A Bahia,
segundo estado que mais mobilizou
militantes (7314) foi o que mais teve
conferências municipais. Ao todo, 190
cidades baianas realizaram a etapa
municipal do 11º Congresso.
O Estado que mobilizou menos militantes
foi Roraima (38), seguido de Tocantins
(203). Em compensação, os comunistas
tocantinenses obtiveram trunfos políticos
importantes no processo de debates como a
filiação do senador Leomar Quintanilha,
que veio do PMDB com o compromisso de
ajudar a fazer crescer o PCdoB no jovem
estado do Tocantins. Em vários outros
estados ocorreram filiações de
lideranças locais importantes, com
destaque para o Rio de Janeiro, Amapá,
São Paulo, Espírito Santo e Paraná.
Mudança
no número de delegados à plenária final
Na
reunião do dia 3, em São Paulo, a
Comissão Política Nacional (CPN) do
PCdoB fez, entre outras coisas, um
primeiro balanço do processo de
conferências, para planejar a última
etapa do processo congressual.
Prosseguiu também o debate sobre a
composição do novo Comitê Central (CC),
além de decidir, ad referedum do CC,
alterar a proporcionalidade de delegados
por Estado, que passou a ser de 1 para
cada 65 militantes reunidos na base (antes
era de 1/75). Os números de delegados
eleitos mostrados na tabela abaixo já
levam em consideração esta nova
proporcionalidade, mas eles só serão
confirmados após o Comitê Central
ratificar a decisão da Comissão
Política Nacional.
Temas
em debate
Na
reunião da CPN, o presidente nacional do
PCdoB, Renato Rabelo, chamou a atenção
para o esforço manifestado pelo Partido
para aprimorar e desenvolver o Projeto de
Resolução Política, que receberá as
emendas que foram propostas e serão
levadas para a deliberação do Comitê
Central. Há um conjunto de questões
importantes envolvidas nesse esforço e,
entre elas, Renato destacou - por sua
importância - o debate a respeito das
alianças na eleição presidencial de
2006. A aliança com Lula e o PT não é
automática, disse: o fundamental é a
recomposição do campo da esquerda. Esse
esforço, disse, é que vai definir nossa
perspectiva, o projeto, a aliança e o
candidato que o PCdoB defenderá no
próximo ano.
Outro pondo destacado pelo presidente do
PCdoB foi a questão do centralismo
democrático. "A prática
mostrou", disse, "que um partido
com os princípios que defendemos está
mais preparado para os embates. Um partido
sem centro definido, de tendência, é
incapaz e pouco preparado para enfrentar a
crise". Por isso, afirmou, a
reafirmação do centralismo democrático
precisa ser mais bem explicitada no
projeto de Resolução Política, sob o
risco de sugerir que o tema está em
debate. "É preciso reafirmar o
centralismo democrático", enfatizou
Renato Rabelo.
Além da questão do centralismo e da
política de alianças para 2006, outras
duas questões devem ganhar destaque na
plenária final da conferência: a
proposta de voto secreto para a escolha de
dirigentes partidários e a possibilidade
de haver coletivos religiosos entre as
formas de organização partidária. Estas
duas proposições causaram bastante
polêmica nas conferências municipais e
estaduais. O voto secreto, proposto no
projeto de resolução política, foi
rejeitado em pelo menos dois estados: São
Paulo e Ceará.
Confira, na tabela, um quadro geral da
mobilização nos Estados
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