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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

7 de OUTUbro DE 2005

11º Congresso
Conferências reúnem quase 70 mil militantes


Por Cláudio Gonzalez

Encerrou-se, nos dias 1 e 2 de outubro, a etapa estadual do processo de debates do 11º Congresso Nacional do PCdoB, com a realização de conferências estaduais nos estados onde elas ainda não haviam ocorrido: Ceará, Bahia, Alagoas, Tocantins, Amazonas e Rio Grande do Norte. A próxima e última etapa do Congresso é a plenária final que acontece em Brasília de 20 a 23 de outubro.

Foi um processo de mobilização vitorioso, que reuniu quase 70 mil militantes; ou seja, houve um crescimento de 104% em relação ao número de militantes reunidos durante o processo do 10º Congresso, em 2001. Naquela ocasião, foram reunidos 33.948 militantes. Já em comparação com a mobilização ocorrida por ocasião da 9ª Conferência, em 2003, o aumento foi de 18%: naquela ocasião, os debates reuniram reunidos 58.589 militantes. Agora, em 2005, esse número foi de 69.302 militantes, e pode ser mais pois alguns estados (Amazonas, Ceará e Alagoas) ainda não forneceram os dados finais.

O Estado que mais reuniu militantes foi São Paulo, com 11.898 comunistas mobilizados. Mas foi o Acre, com seus 4.147 militantes reunidos, o Estado que proporcionalmente mais mobilizou já que a população do Acre é de cerca de 600 mil habitantes, enquanto em São Paulo este número chega a 40 milhões. A Bahia, segundo estado que mais mobilizou militantes (7314) foi o que mais teve conferências municipais. Ao todo, 190 cidades baianas realizaram a etapa municipal do 11º Congresso.

O Estado que mobilizou menos militantes foi Roraima (38), seguido de Tocantins (203). Em compensação, os comunistas tocantinenses obtiveram trunfos políticos importantes no processo de debates como a filiação do senador Leomar Quintanilha, que veio do PMDB com o compromisso de ajudar a fazer crescer o PCdoB no jovem estado do Tocantins. Em vários outros estados ocorreram filiações de lideranças locais importantes, com destaque para o Rio de Janeiro, Amapá, São Paulo, Espírito Santo e Paraná.

Mudança no número de delegados à plenária final

Na reunião do dia 3, em São Paulo, a Comissão Política Nacional (CPN) do PCdoB fez, entre outras coisas, um primeiro balanço do processo de conferências, para planejar a última etapa do processo congressual.
Prosseguiu também o debate sobre a composição do novo Comitê Central (CC), além de decidir, ad referedum do CC, alterar a proporcionalidade de delegados por Estado, que passou a ser de 1 para cada 65 militantes reunidos na base (antes era de 1/75). Os números de delegados eleitos mostrados na tabela abaixo já levam em consideração esta nova proporcionalidade, mas eles só serão confirmados após o Comitê Central ratificar a decisão da Comissão Política Nacional.

Temas em debate

Na reunião da CPN, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, chamou a atenção para o esforço manifestado pelo Partido para aprimorar e desenvolver o Projeto de Resolução Política, que receberá as emendas que foram propostas e serão levadas para a deliberação do Comitê Central. Há um conjunto de questões importantes envolvidas nesse esforço e, entre elas, Renato destacou - por sua importância - o debate a respeito das alianças na eleição presidencial de 2006. A aliança com Lula e o PT não é automática, disse: o fundamental é a recomposição do campo da esquerda. Esse esforço, disse, é que vai definir nossa perspectiva, o projeto, a aliança e o candidato que o PCdoB defenderá no próximo ano.

Outro pondo destacado pelo presidente do PCdoB foi a questão do centralismo democrático. "A prática mostrou", disse, "que um partido com os princípios que defendemos está mais preparado para os embates. Um partido sem centro definido, de tendência, é incapaz e pouco preparado para enfrentar a crise". Por isso, afirmou, a reafirmação do centralismo democrático precisa ser mais bem explicitada no projeto de Resolução Política, sob o risco de sugerir que o tema está em debate. "É preciso reafirmar o centralismo democrático", enfatizou Renato Rabelo.
Além da questão do centralismo e da política de alianças para 2006, outras duas questões devem ganhar destaque na plenária final da conferência: a proposta de voto secreto para a escolha de dirigentes partidários e a possibilidade de haver coletivos religiosos entre as formas de organização partidária. Estas duas proposições causaram bastante polêmica nas conferências municipais e estaduais. O voto secreto, proposto no projeto de resolução política, foi rejeitado em pelo menos dois estados: São Paulo e Ceará.

Confira, na tabela, um quadro geral da mobilização nos Estados

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