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Camila,
5, com cartaz da UJS |
Por
Bernardo Joffily
Agora
é oficial, : o presidente dos Estados
Unidos, George W. Bush, estará
no Brasil entre 5 e 6 de novembro, como
parte de uma turnê latino-americana
que incluirá a Argentina e o Panamá.
O anúncio foi feito pelo porta-voz
da Casa Branca, Scott McClellan, na manhã
desta quarta-feira. Para Wadson Ribeiro,
presidente da UJS (União da Juventude
Socialista", o "personagem malquisto"
será alvo de protestos, em especial
"uma grande manifestação
em Brasília".
Protestos
na Argentina já começaram
Bush viajará a inicialmente a Mar
del Plata, na Argentina, para participar
na Cúpula das Américas,
entre 3 e 5 de novembro. Os movimentos
sociais argentinos, possuidores de uma
invejável tradição
de recepção a visitantes
indesejáveis, fizeram já
em setembro um primeiro protesto, para
esquentar os motores: uma marcha de 20
mil pessoas, impedida por 2 mil policiais
de chegar até a Praça de
Mayo.
Outros
protestos estão programados para
Mar del Plata, durante a cúpula.
Estarão presentes inlusive caravanas
de outros países, entre elas uma
delegação da UJS, segundo
informou Wadson. Mar del Plata, o mais
célebre balneário argentino,
tem 450 mil habitantes e fica a 400 km
de Buenos Aires.
"Uma
grande manifestação em Brasília"
No
Brasil, Wadson Ribeiro avalia que a imagem
de Bush "é a pior possível",
tal como no resto do mundo. Ele cita o
Tribunal Antiimperialista realizado em
Caracas durante o 16º Festival Mundial
da Juventude, onde "o grande consenso
foi a condenação de George
W. Bush". Lembra também a
boa aceitação da campanha
da UJS, "Bush tire as patas do Iraque".
"Acho
que a gente tem que se concentrar numa
grande manifestação em Brasília",
avalia Wadson, embora não descarte
outros protestos que "podem pipocar"
pelo país. Ele cita a UnB e o movimento
secundarista como bases que podem engrossar
a manifestação. E defende
uma iniciativa em conjunto com outras
entidades, "as juventudes partidárias
de esquerda, o MST, o movimento sindical,
os movimentos de solidariedade internacional".
Base
militar no Paraguai
O
líder da UJS acredita que "dá
para fazer uma grande mobilização",
embora a visita caia num fim de semana.
Para isso, conta reunir plenárias
das entidades engajadas. E recomenda também
"criatividade, um grande boneco,
frases bem-humoradas", que chamem
atenção para quem é
o chefe da Casa Branca.
Os
rumores sobre a implantação
de uma base militar dos EUA no Paraguai
também devem comparecer aos protestos.
As informações, ainda confusas,
inquietaram a diplomacia dos países
vizinhos — Brasil, Argentina e Bolívia.
O chanceler brasileiro, Celso Amorim,
chegou a tratar do tema no mês passado,
em encontro com a ministra paraguaia do
Exterior, Leila Rachid. A parte sul do
continente permanece até hoje livre
da presença militar americana,
embora o Pentágono já tenha
estabelecido cabeças-de-ponte ao
norte, com a base de Manta, no Equador,
e os instrutores enviados com base no
Plano Colômbia".
"Duras
negociações" na Cúpula
O
chefe da Casa Branca também encontrará
dificuldades dentro da própria
Cúpula de Mar del Plata. As mudanças
dos últimos anos no cenário
político latino-americanos tornam
cada vez menos palatável para os
governos locais a agenda bushiana, que
prioriza a "luta contra o terrorismo
e o narcotráfico", tenta isolar
a Venezuela e Cuba e recusa-se a eliminar
os subsídios agrícolas que
penalizam a região. Os vice-chanceleres
dos 34 países participantes estão
desde já enfrentando "duras
negociações", na sede
da OEA (Organização dos
Estados Americanos) em Washington, para
fechar o documento que será sssinado
na Cúpula.
A
turnê de Bush pela América
Latina inclui ainda uma escala no Panamá,
dias 6 e 7. No país que ainda traz
a marca da invasão de 27 mil marines
em 1989, deixando 2 mil civis mortos,
seu interlocutor será o presidente
Martín Torrijos. Filho do general
Omar Torrijos, o presidente que logrou
encerrar o controle americano sobre o
Canal do Panamá, Martín
Torrijos venceu no ano passado a primeira
eleição presidencial panamenha
após a desocupação
militar do país, e reatou as relações
diplomáticas com Cuba, rompidas
desde a invasão.
Com
agências
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