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Brasil, quinta-feira, 3 de julho de 2008

6 DE OUTUBRO DE 2005

ANTIIMPERIALISMO

Agora é oficial: Bush vem ao
Brasil; juventude prepara protestos

Camila, 5, com cartaz da UJS

Por Bernardo Joffily

Agora é oficial, : o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, estará no Brasil entre 5 e 6 de novembro, como parte de uma turnê latino-americana que incluirá a Argentina e o Panamá. O anúncio foi feito pelo porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, na manhã desta quarta-feira. Para Wadson Ribeiro, presidente da UJS (União da Juventude Socialista", o "personagem malquisto" será alvo de protestos, em especial "uma grande manifestação em Brasília".

Protestos na Argentina já começaram

Bush viajará a inicialmente a Mar del Plata, na Argentina, para participar na Cúpula das Américas, entre 3 e 5 de novembro. Os movimentos sociais argentinos, possuidores de uma invejável tradição de recepção a visitantes indesejáveis, fizeram já em setembro um primeiro protesto, para esquentar os motores: uma marcha de 20 mil pessoas, impedida por 2 mil policiais de chegar até a Praça de Mayo.

Outros protestos estão programados para Mar del Plata, durante a cúpula. Estarão presentes inlusive caravanas de outros países, entre elas uma delegação da UJS, segundo informou Wadson. Mar del Plata, o mais célebre balneário argentino, tem 450 mil habitantes e fica a 400 km de Buenos Aires.

"Uma grande manifestação em Brasília"

No Brasil, Wadson Ribeiro avalia que a imagem de Bush "é a pior possível", tal como no resto do mundo. Ele cita o Tribunal Antiimperialista realizado em Caracas durante o 16º Festival Mundial da Juventude, onde "o grande consenso foi a condenação de George W. Bush". Lembra também a boa aceitação da campanha da UJS, "Bush tire as patas do Iraque".

"Acho que a gente tem que se concentrar numa grande manifestação em Brasília", avalia Wadson, embora não descarte outros protestos que "podem pipocar" pelo país. Ele cita a UnB e o movimento secundarista como bases que podem engrossar a manifestação. E defende uma iniciativa em conjunto com outras entidades, "as juventudes partidárias de esquerda, o MST, o movimento sindical, os movimentos de solidariedade internacional".

Base militar no Paraguai

O líder da UJS acredita que "dá para fazer uma grande mobilização", embora a visita caia num fim de semana. Para isso, conta reunir plenárias das entidades engajadas. E recomenda também "criatividade, um grande boneco, frases bem-humoradas", que chamem atenção para quem é o chefe da Casa Branca.

Os rumores sobre a implantação de uma base militar dos EUA no Paraguai também devem comparecer aos protestos. As informações, ainda confusas, inquietaram a diplomacia dos países vizinhos — Brasil, Argentina e Bolívia. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, chegou a tratar do tema no mês passado, em encontro com a ministra paraguaia do Exterior, Leila Rachid. A parte sul do continente permanece até hoje livre da presença militar americana, embora o Pentágono já tenha estabelecido cabeças-de-ponte ao norte, com a base de Manta, no Equador, e os instrutores enviados com base no Plano Colômbia".

"Duras negociações" na Cúpula

O chefe da Casa Branca também encontrará dificuldades dentro da própria Cúpula de Mar del Plata. As mudanças dos últimos anos no cenário político latino-americanos tornam cada vez menos palatável para os governos locais a agenda bushiana, que prioriza a "luta contra o terrorismo e o narcotráfico", tenta isolar a Venezuela e Cuba e recusa-se a eliminar os subsídios agrícolas que penalizam a região. Os vice-chanceleres dos 34 países participantes estão desde já enfrentando "duras negociações", na sede da OEA (Organização dos Estados Americanos) em Washington, para fechar o documento que será sssinado na Cúpula.

A turnê de Bush pela América Latina inclui ainda uma escala no Panamá, dias 6 e 7. No país que ainda traz a marca da invasão de 27 mil marines em 1989, deixando 2 mil civis mortos, seu interlocutor será o presidente Martín Torrijos. Filho do general Omar Torrijos, o presidente que logrou encerrar o controle americano sobre o Canal do Panamá, Martín Torrijos venceu no ano passado a primeira eleição presidencial panamenha após a desocupação militar do país, e reatou as relações diplomáticas com Cuba, rompidas desde a invasão.

Com agências

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