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"Eu aceito me empenhar
pelo PCdoB, por suas causas, por seus
candidatos, trabalhar de graça, ou
tirando dinheiro do bolso, sem nenhuma
perspectiva de vantagem pessoal, e com um
sorriso nos lábios; eu aceito fazê-lo
mesmo contrariando convicções pessoais,
nos casos em que estas não prevaleceram
no debate interno. Mas, em contrapartida,
eu sei que meus companheiros e minhas
companheiras de Partido também aceitam o
Estatuto e também agem como eu".
Bernardo Jofily - Tribuna de Debates do
11º Congresso.
Valer-me de uma
epígrafe de Bernardo, e não dos
Clássicos (Engels, Marx, Lênin e
Stálin), cabe pela própria citação,
que não é só dele, e já me aproprio,
pois expressa o sentimento muitas vezes
silente do nosso dia-a-dia, na dura peleja
de militantes comunistas. E a Tribuna
também é para que o impronunciado se
diga com o próprio nome. E, olhando para
a longa, tortuosa, sofrida e heróica
história de nosso Partido, pergunto-me se
não foi este compromisso inicial firmado,
este reconhecimento entre camaradas, esta
convicção coletiva que nos fez resistir
às duras provas do século XX.
Mas os acontecimentos
recentes têm nos desafiado a defender
este compromisso, pois novas questões, é
certo, estão postas para o nosso Partido,
o que não quer dizer que devamos, por
isto, desaprender as antigas:
1 - Eu sou do PC do B,
não do PC do Parlamentar. Sempre tive
orgulho dos parlamentares do Partido, até
que alguns passaram a ser parlamentares de
si próprios. Com que direito qualquer
parlamentar nosso, depois de tantos de
nós darmos tanto de nossa vida e
esperanças para que o Partido tenha voz
no parlamento, se investe da autoridade
para fazer o que quer?! Não me interessa
quem seja, nem que tenha quinhentos anos
de Partido. Através de gestos desta
natureza pululam os oportunismos
inconfessáveis, ao arrepio dos
princípios, como vimos no período
recente. Penso que não há nada de novo
em matéria de política em mandatos como
os dos partidos burgueses e da
social-democracia, e é preciso zelar pela
tradição de Grabois e de tantos outros
que foram instrumento do coletivo
partidário, e não donos ou chantagistas
do partido.
2 - A crítica e
autocrítica são o antídoto ao
mandonismo; o voto secreto, em vez de
anticorpo é placebo ante a doença. É
justíssima a defesa da democracia
partidária e penso que avançamos muito
recentemente. Por isto mesmo, estranho
determinadas opiniões sobre mandonismo no
interior do Partido. Afinal, se é um
problema tão recorrente, porque não
debatê-lo abertamente e expor ao coletivo
a questão nodal? Aprendi que o exercício
da crítica e autocrítica é fundamental
exatamente porque é difícil. Se fosse
fácil, não temperaria o aço, não seria
a defesa diante do oportunismo, não nos
desafiaria a corrigir os erros. Por isto,
não engulo a defesa que se faz do voto
secreto enquanto um antídoto diante deste
mandonismo. Primeiro, porque não é com
uma alteração de forma que se sana um
problema de conteúdo, que este sim
deveria ser debatido. Segundo, não
consigo ver no voto secreto uma defesa
diante dos problemas da democracia
partidária, muito menos dos desvios
ideológicos, ou do melhoramento das
direções. Muito ao contrário.
Se o nosso Partido,
assim como o da URSS, não tiver um
coletivo crítico a ponto de por o dedo na
ferida, criticar abertamente, expor
honestamente suas convicções, e depender
de um voto secreto para exprimi-las,
sinceramente, quem pensa que resistirá a
outros fenômenos muito mais negativos que
estão embutidos no voto secreto?
Grupismo, articulações inconfessáveis,
lobbys, corporativismo, tais fenômenos
que fazem parte da lógica própria do
capitalismo e que não se podem expor à
luz do dia num coletivo comunista seriam o
corolário da implementação do voto
secreto. Se não, travemos um debate mais
franco e profundo sobre as razões que o
justificariam no nosso país, onde à
nossa história e método de trabalho
jamais fez falta, muito menos agora.
3 - "Até o último
de meus dias, serei militante do Partido
Comunista do Brasil" João Amazonas.
As normatizações propostas ao estatuto
são importante passo para chegarmos a um
partido comunista de massas, firmado em
quadros militantes. Todavia, a separação
entre quadros e militantes é artificial e
prenhe de subjetividade, o que pode
torná-la um problema mais à frente. Em
vez de pasteurizar a militância e dar um
excessivo destaque formal à noção de
quadro, penso que é preciso resgatar a
importância decisiva da perspectiva
militante, que se perde em meio a
concessões às investidas da
pós-modernidade. Incomoda-me, sobretudo,
perceber que há uma ênfase na
preocupação da flexibilização das
exigências da militância que por certo
aproximam as camadas médias, sem que haja
um cuidado semelhante em tratar as
especificidades que estão na vida do povo
mais pobre e sofrido, trabalhadores não
qualificados, por exemplo, que têm outras
dificuldades para ter uma militância
política, este sim o debate caro ao nosso
desafio de maior penetração entre os
trabalhadores da cidade e do campo.
A defesa da militância
comunista é que é imprescindível, e
não iniciarmos uma série de concessões
às demandas privadas no nosso estatuto
que rebaixem o papel do militante
comunista, comprometendo o caráter
modelar, pedagógico que sempre teve e que
fez tantos filiados avançarem na dura
faina que permite ter o conhecimento e a
prática tão necessários - e aprendidos
de baixo - à tarefa de direção. E
aqueles que estiverem à altura desta tão
honrosa titulação serão considerados
pelo coletivo partidário como quadros.
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Paulo
Vínicius Santos da Silva, membro
da Direção Executiva Nacional da UJS
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