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Questões de imenso alcance
teórico-ideológico, estratégico,
tático-político e na estruturação
partidária envolvem o teor da Proposta de
Resolução para o 11º Congresso do
PCdoB. Constituem importante
atualização, denotam amadurecimento. Os
êxitos do PCdoB em situações
desfavoráveis ou pouco favoráveis se
devem à sua fidelidade à revolução, ao
socialismo e à ciência
marxista-leninista.
Enquanto se sucedem as etapas do 11º
congresso, evolui a crise política em que
os setores neoliberais das classes
dominantes retomam a ofensiva perdida com
a eleição de Lula, e destróem a
precária unidade alcançada pelo povo
brasileiro, chegando a manipular
politicamente parcelas das forças
progressistas.
Faz-se necessário avaliar o impacto sobre
o PCdoB das dificuldades e debilidades do
campo da esquerda, evidenciadas pela
comprovação, na atual crise, dos limites
do PT. Entre os indícios recentes de
reascenso revolucionário na América do
Sul, algumas rebeliões populares
derrubararam governos (Bolívia, Equador,
Peru...), sem conseguirem mudança
substancial por falta do fator consciente,
de um projeto bem delineado. Rebeliões
espontâneas, das quais não resultou
sequer um Lula. O Brasil tem o PCdoB, e
isso não é pouca coisa. Talvez, sem
este, Lula não tivesse sido eleito. O
problema é o porte desse partido ainda
ser menor que o necessário para o
exercício de hegemonia no campo das
forças de esquerda e progressistas.
A influência do PCdpB poderia ser muito
maior, com o mesmo tamanho quantitativo,
na proporção de quanto fosse maior o
grau de assimilação da política do
partido, isto é, sua visão estratégica
e seu programa tático, por um número
maior de quadros e militantes. O presente
texto é um esforço no sentido de
oferecer algumas sugestões que poderiam
ajudar a fortalecer a capacidade dirigente
do Partido. O esforço parte da
compreensão acima referida, isto é, a de
que a qualidade é determinada pela
capacidade de relacionar estratégia e
tática, objetivos gerais e luta setorial,
no âmbito teórico-ideológico, da luta
de idéias, da política em todas as suas
formas, da luta social em todas as
frentes, e da estruturação partidária.
Sendo assim, devem ser buscadas formas
concretas de ação que, por si mesmas,
por seu próprio caráter e natureza,
estabeleçam na prática aquela relação.
No atual contexto mundial de defensiva
estratégica, de um lado, e de condições
de crescimento da resistência e gradual
retomada da contra-ofensiva, ou pelo menos
de ações ofensivas táticas, de outro,
nas condições do Brasil e da América
Latina, onde pinta no horizonte a
possibilidade de surgimento de situações
revolucionárias localizadas, é
imprescindível que as correntes
progressistas mais conseqüentes
conquistem hegemonia, pelo menos relativa.
A atual crise política está demonstrando
que no Brasil está cabendo ao PCdoB essa
tarefa. As teses, na parte sobre o
Partido, particularmente nos parágrafos
138 a 144, e no 148, são enfáticas, e
não deixam dúvidas a respeito.
Não podemos perder de vista a limitação
do nosso atual objetivo estratégico
transitório. No final do preâmbulo da
proposta de resolução está expresso
como segue: "...desse modo, podemos
alcançar a liderança de ampla liderança
política democrática, patriótica e
popular no rumo da transição ao
socialismo". O final do § 92 define
os objetivos do novo projeto de nação:
"Um projeto que significasse um caminho
próprio para a superação do
neoliberalismo que, por seus objetivos,
projetar-se-ia em dimensão estratégica,
que na visão dos comunistas significasse
a passagem para uma sociedade mais
avançada, de transição do capitalismo
ao socialismo". Tudo converge hoje
para a centralidade da questão nacional -
e a proposta de resolução política
reflete intensamente essa realidade. A
tarefa da construção de um novo projeto
nacional, pautada pelas linhas mestras
propostas pelo PCdoB, se apresenta como a
síntese e ao mesmo tempo a somatória de
todas as formas concretas de ação, de
todos os problemas e conflitos do
cotidiano, de anseios os mais diversos. O
potencial de transformações fica na
dependência da evolução da correlação
de forças, mas o simples fato de estar
sendo debatido pela maioria da nação um
projeto nacional constituiria uma ruptura
parcial no sentido do isolamento dos
setores dominantes
"globalizados". É a tarefa
revolucionária do presente momento
histórico. Dedicando-se a ela, o Partido
potencializa seu protagonismo, dinamiza e,
ao dispor de poderosa ferramenta de
combate ao espontaneísmo, orienta a
autoconstrução quantitativa e
qualitativa, fortalecendo-se em todos os
aspectos, com vistas a "se assumir
como direção estratégica da luta"
(§ 143), a se transformar no "pólo
aglutinador" dos "variados
centros de pensamento" na
"elaboração de um projeto
unificador das diversas forças políticas
e sociais interessadas na mudança"
(§ 146), enfim, a se capacitar em todos
os sentidos para governar o Brasil.
A tarefa em questão exige uma ampliação
conceitual de luta ou movimento social.
A questão é tratada mais especificamente
no § 142 (novos setores sociais, novas
características dos conflitos sociais),
149 (proletariado como setor estratégico
para a acumulação de forças na
perspectiva socialista), 150 (luta de
idéias num novo patamar de conteúdo e de
inserção social), 151 (ligação com o
movimento real em curso no país).
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Paulo
Marcomini, secretário de Formação
do Distrital Ouro Verde Campinas - SP
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