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Na concepção de Marx,
as exigências objetivas e subjetivas de
uma transformação socialista - a plena
emancipação do trabalho em relação à
divisão social do trabalho prevalecente -
estipulam uma forma política (o Estado
proletário) sob a qual a transição da
velha para a nova sociedade deva ser
realizada, enquanto o próprio Estado de
transição é chamado a atuar como senhor
e ao mesmo tempo escravo do longo processo
de emancipação.
Cabe ressaltar o papel
da experiência concreta dos
trabalhadores, como algo indispensável na
construção de uma "consciência
socialista de massas". Por mais
eficaz que seja a propaganda
revolucionária nada substitui o
vivenciar, não há como evitar
previamente todas as possibilidades de
erros ou mesmo derrotas na longa jornada
revolucionária. Como diria Gramsci,
"a filosofia da práxis não tende a
resolver pacificamente as contradições
existentes na história e na sociedade,
mas é a história de tais contradições
; não é o instrumento de governo de
grupos dominantes para ter o consenso e
exercer a hegemonia sobre as classes
subalternas ; mas é a expressão dessas
classes subalternas que querem educar a si
mesmas para a arte do governo e têm
interesse em conhecer todas as verdades,
também as desagradáveis, e evitar os
enganos da classe superior e até de si
mesmas".
A hegemonia ideológica
da burguesia desacredita e ridiculariza,
qualquer perspectiva de uma sociedade não
fundamentada na exploração. Na verdade,
foram as seguidas derrotas do movimento
operário na Europa que fizeram amadurecer
em Gramsci a idéia de um socialismo que
não podia ser conquistado com atividades
imediatistas e explosivas, mas que exigia
um difícil e demorado aprendizado,
realizado coletivamente, até os
trabalhadores se transformarem em
"dirigentes antes da própria
conquista do poder".
O conceito de hegemonia
como uma concepção de sociedade capaz de
levar os trabalhadores a sair de uma
posição reivindicatória e defensiva e
partir para estratégias propositivas e
revolucionárias. Nesta ação, não se
trata apenas de conquistar o poder, de
apoderar-se do Estado de administra-lo
técnica e pragmaticamente melhor que a
burguesia, mas de romper com a concepção
de poder e de Estado capitalista, de
superar a visão de política como esfera
separada, estranha, acima do sujeito e das
relações sociais.
Como os trabalhadores podem construir uma
nova hegemonia em um mundo onde não se
pode minimizar a magnitude do adversário,
as metamorfoses do capitalismo, a
complexidade das suas ramificações na
cultura, na educação, na religião, nos
meios de comunicação, enfim no mundo
real que nos cerca.
Compreender que tal
tarefa só pode ser cumprida, em nossa
realidade por um grande Partido Comunista,
profundamente enraizado junto ao nosso
povo, em especial aos trabalhadores é
nossa tarefa.
Não temer as conseqüências desse
desafio é um dos grandes temas do nosso
Congresso.
_______
Carlos
Fernando Niedersberg, Secretariado CR-
RS
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