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30/9/2005
Abilio Wayand: A temática racial - Parte I

 

 
 

30 de SETEMBRO de 2005

Carlos Fernando Niedersberg
A hegemonia como condição para abrir caminhos para a revolução no Brasil - ParteI

 

O movimento comunista internacional foi bastante condicionado pela experiência da grandiosa Revolução Russa. Condicionamento este previsível pela dimensão da mesma. 

Tal fato trouxe muito de positivo para os revolucionários de todo mundo. Muitos partidos foram criados inspirados pela vitória dos operários e camponeses russos. Partidos que gozaram de enorme prestígio e influência, alguns conquistando o poder, outros sendo ativos participantes das mais belas páginas da história humana ao longo do século XX.
Encerrado este primeiro ciclo de experiências socialistas cabe aos revolucionários de todo mundo extrair o máximo de ensinamentos dos setenta anos desta rica jornada. Marx conseguiu fazer uma análise dos setenta dias da Comuna de Paris retirando valiosas generalizações. Temos hoje um imenso laboratório para, inspirados no exemplo de Marx, retirarmos importante aprendizado.

A primeira conclusão que vai amadurecendo é que foi um equívoco tomar a experiência soviética como modelo de construção socialista com validade universal.

Os países que resistiram a queda do muro foram justamente os que encontraram a singularidade do seu próprio caminho.
Um desdobramento dessa cópia foi tomar o modo de organização do Partido Bolchevique como único e válido em qualquer situação. O estatuto proposto ao nosso congresso avança em buscar a manutenção de princípios leninistas de organização adequados a nossa realidade.
Gostaria de me ater neste artigo a uma outra conseqüência desta falta de desenvolvimento criativo do marxismo neste período.

As revoluções do século passado, resguardadas as suas particularidades, foram enquadradas em dois grandes padrões: um movimento insurrecional amparado nas massas dos grandes centros urbanos que rapidamente toma o poder e da guerra popular prolongada com base prioritariamente rural.

Estes padrões somados a idéia do socialismo como sucessor natural do capitalismo, criou no movimento comunista a idéia de que bastava ter um partido que soubesse interpretar as condições objetivas e estar a postos para pegar o trem da história. Um partido pequeno de quadros não somente seria suficiente, mas até vantajoso, pois teria vagões para todos...

O capitalismo nos últimos 150 anos sofreu inúmeras modificações.
No essencial, Marx, apontava o predomínio do capital financeiro, a globalização e outros tantos aspectos do capitalismo atual.
Entretanto fomos insuficientes na continuidade desse legado. Não pretendo abordar essas mudanças econômicas, mas sim nas mudanças que houve na superestrutura, em última instância no caráter do Estado.

O Estado burguês aumentou sua complexidade, criando cada vez mais mecanismos, que sirvam como cortina de fumaça para tentar esconder seu caráter de classe.

Na medida do possível o aspecto coercitivo é minimizado em relação ao coesivo. A instrumentalização dos meios de comunicação, das atividades culturais, esportivas, como mecanismo de reprodução da ideologia dominante ganha proporções cada vez mais ampliadas.
A luta ideológica, neste cenário, ganha uma importância ainda maior.
Neste contexto a luta pela hegemonia adquire um caráter estratégico indispensável.

Os problemas para a transição ao socialismo nunca foram discutidos por Marx em detalhes. Essa questão, com todas as suas dimensões práticas, nunca foi um desafio histórico premente durante a vida de Marx, dada a nova vitalidade que o capital recebeu de sua expansão imperialista.
Ainda hoje estamos distantes da última forma do Estado capitalista e de seu domínio de classe.



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Carlos Fernando Niedersberg, Secretariado CR- RS

 

 

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