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O movimento comunista
internacional foi bastante condicionado
pela experiência da grandiosa Revolução
Russa. Condicionamento este previsível
pela dimensão da mesma.
Tal fato trouxe muito de positivo para os
revolucionários de todo mundo. Muitos
partidos foram criados inspirados pela
vitória dos operários e camponeses
russos. Partidos que gozaram de enorme
prestígio e influência, alguns
conquistando o poder, outros sendo ativos
participantes das mais belas páginas da
história humana ao longo do século XX.
Encerrado este primeiro ciclo de
experiências socialistas cabe aos
revolucionários de todo mundo extrair o
máximo de ensinamentos dos setenta anos
desta rica jornada. Marx conseguiu fazer
uma análise dos setenta dias da Comuna de
Paris retirando valiosas generalizações.
Temos hoje um imenso laboratório para,
inspirados no exemplo de Marx, retirarmos
importante aprendizado.
A primeira conclusão que vai amadurecendo
é que foi um equívoco tomar a
experiência soviética como modelo de
construção socialista com validade
universal.
Os países que resistiram a queda do muro
foram justamente os que encontraram a
singularidade do seu próprio caminho.
Um desdobramento dessa cópia foi tomar o
modo de organização do Partido
Bolchevique como único e válido em
qualquer situação. O estatuto proposto
ao nosso congresso avança em buscar a
manutenção de princípios leninistas de
organização adequados a nossa realidade.
Gostaria de me ater neste artigo a uma
outra conseqüência desta falta de
desenvolvimento criativo do marxismo neste
período.
As revoluções do século passado,
resguardadas as suas particularidades,
foram enquadradas em dois grandes
padrões: um movimento insurrecional
amparado nas massas dos grandes centros
urbanos que rapidamente toma o poder e da
guerra popular prolongada com base
prioritariamente rural.
Estes padrões somados a idéia do
socialismo como sucessor natural do
capitalismo, criou no movimento comunista
a idéia de que bastava ter um partido que
soubesse interpretar as condições
objetivas e estar a postos para pegar o
trem da história. Um partido pequeno de
quadros não somente seria suficiente, mas
até vantajoso, pois teria vagões para
todos...
O capitalismo nos últimos 150 anos sofreu
inúmeras modificações.
No essencial, Marx, apontava o predomínio
do capital financeiro, a globalização e
outros tantos aspectos do capitalismo
atual.
Entretanto fomos insuficientes na
continuidade desse legado. Não pretendo
abordar essas mudanças econômicas, mas
sim nas mudanças que houve na
superestrutura, em última instância no
caráter do Estado.
O Estado burguês aumentou sua
complexidade, criando cada vez mais
mecanismos, que sirvam como cortina de
fumaça para tentar esconder seu caráter
de classe.
Na medida do possível o aspecto
coercitivo é minimizado em relação ao
coesivo. A instrumentalização dos meios
de comunicação, das atividades
culturais, esportivas, como mecanismo de
reprodução da ideologia dominante ganha
proporções cada vez mais ampliadas.
A luta ideológica, neste cenário, ganha
uma importância ainda maior.
Neste contexto a luta pela hegemonia
adquire um caráter estratégico
indispensável.
Os problemas para a transição ao
socialismo nunca foram discutidos por Marx
em detalhes. Essa questão, com todas as
suas dimensões práticas, nunca foi um
desafio histórico premente durante a vida
de Marx, dada a nova vitalidade que o
capital recebeu de sua expansão
imperialista.
Ainda hoje estamos distantes da última
forma do Estado capitalista e de seu
domínio de classe.
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Carlos
Fernando Niedersberg, Secretariado CR-
RS
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