Fale Conosco | Marxismo + Brasil | Editorial | Busca: 

Visite a página do Partido Comunista do Brasil

Nova pagina 1

Especiais

 

 

11º Congresso do PCdoB

Crise e corrupção - O Governo sob ataque

Guerra no Iraque

Brasil Sim 
Alca Não

Cuba

Governo Lula

Sindicais

Guerrilha do Araguaia

Juventude

Visite a página da União da Juventude Socialista

Cadastre-se

Receba notícias do Vermelho por e-mail
 


2003 - Top 3
2004 - 1º Lugar
2005 - Top 10

  Brasil

Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

30 DE SETEMBRO DE 2005

POLÊMICA

Bornhausen conta porque falou
"raça" e escolhe a sua esquerda

Jorge Bornhausen: malabarismos

Por Bernardo Joffily

O banqueiro e senador Jorge Bornhausen (SC) acusou o golpe. Com mais de um mês de atraso, viu-se na necessidade de escrever um artigo ("Raça, segundo são João", publicado nesta quinta-feira, 29, na seção "Tendências e Debates" do jornal Folha de S. Paulo), para dar explicações sobre sua frase-confissão em 26 de agosto passado, em um seminário no Ciesp, entidade patronal dos industriais paulistas.

Alguém perguntou se Bornhausen não estava "desencantado" com a crise política no Brasil. "Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos", exultou o dirigente pefelista, baixando a guarda e confessando o que lhe ia no íntimo, talvez por se sentir à vontade em um colóquio onde estava certos de que não haveria infiltrações da referida "raça".

Quem é a "raça" de Bornhausen?

Ocorre que durante este mais de um mês o palpite infeliz correu o Brasil e o mundo. "Minha profecia [...] teve espantosa repercussão", admite Bornhausen na Folha.

Conforme a versão do presidente do PFL, "os tais indesejáveis que nos envergonham", que ele chama "grandes malandros", agora, "passando por vítimas, acusam-me de reacionarismo explícito, de ter profetizado um castigo de 30 anos não para eles, mas para as esquerdas em geral".

De fato a resposta veio, pronta e indignada, dos mais numerosos segmentos da esquerda brasileira e mesmo do exterior. Por sua contundência e repercussão — como a internet ajuda nestas horas! —, destacou-se o artigo de Emir Sader, "O ódio de classe da burguesia brasileira" (clique aqui para ver). O portal Vermelho pronunciou-se no editorial "Bornhausen escancara ódio da direita" (clique aqui para ver).

Obrigado a se explicar

O tom preconceituoso do comentário — "vamos nos ver livre dessa raça" — agravou a saia-justa do senador de impoluta ascendência ariana, embora, a bem da verdade, a intenção não fosse tanto exprimir preconceito racial e sim preconceito de classe e de ideologia.

Eis portanto o senador Bornhausen obrigado a se explicar por escrito. Contorce-se em malabarismos. Diz que usou o "dessa raça"... "espontaneamente, sem premeditação". Cita o lexicólogo Antenor Nascentes e também são João Batista (in Evangelho de Mateus), na tentativa de consertar o estrago. Alega que respondeu de "bate-pronto". Argumenta que usou "raça" mas "não como designação preconceituosa de etnia, ideologia, religião, caracteres".

Boa pergunta, senador...

Mas o trecho mais esclarecedor do artigo de Bornhausen é onde ele explica que não pretendeu atacar "o pensamento socialista" e nem "a esquerda brasileira". A essa altura o presidente do PFL, com a autoridade que sua biografia lhe confere, assevera que "os setores de maior representatividade da esquerda brasileira já estão na oposição". E passa aos exemplos: Leonel Brizola, mais os deputados Roberto Freire (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ).

Pobre Brizola, há de ter se contorcido no túmulo por mais essa expiação de um equívoco localizado de fim de vida: ser invocado em defesa de Jorge Bornhausen, e ainda dessa frase! A propósito, note-se que o PDT fundado por Brizola, apesar do assédio que sofreu, e do que foi dito em contrário na imprensa, nesta quarta-feira (28) não sufragou o candidato de Bornhausen à presidência da Câmara dos deputados, José Thomaz Nonô (PFL-AL). No primeiro turno, votou fechado em Alceu Collares (RS); e no segundo, concentrou-se em Aldo Rebelo (PCdoB-AL).

Quanto a Freire e Gabeira, estão bem vivos. Vivíssimos. E de fato, não é de hoje que têm votado em uníssono com a bancada pefelista. Bem merecem que Bornhausen enalteça sua "autenticidade", seu caráter "emblemático", sua "coerência e honestidade", e conclua o parágrafo indagando: "Não são esquerda?". Boa pergunta, senador...

Bornhausen há de ser mesmo um especialista na matéria. É filho de uma rica família oligárquica, os Konder-Bornhausen, que mandou e desmandou em Santa Catarina de 1906 até a Revolução de 30, e recuperou o comando sob a ditadura militar. Seguindo essa tradição familiar, filiou-se à UDN, depois fundou a Arena, o PDS e o PFL. Foi governador biônico sob a ditadura e ministro de Fernando Collor de Mello. Com essa ficha, amigo internauta, cabe alguma dúvida sobre qual é a "raça" da qual Jorge Bornhausen quer se ver "livre"?

Em casos assim, é sempre instrutivo ir direto à fonte primária. Clique aqui e conheça o artigo de Jorge Bornhausen.

Hit Counter

Untitled Document

Voltar

Comente este artigo
Imprimir
Enviar

..:: Diário Vermelho ::..

NACIONAIS

• Até o momento não há Notícias Nacionais

INTERNACIONAIS

• Até o momento não há Notícias Internacionais

 
VERMELHO.ORG.BR