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Um dos
centros da nossa tese nacional é a idéia
de que dentro da etapa imperialista,
caracterizada por Lênin como a etapa das
guerras e revoluções, vivemos um ciclo
conservador duradouro. Esta definição
tem uma série de implicações
importantes e dá sentido a todo o
raciocínio do anteprojeto.
Concordo
com os termos apresentados no documento.
Quero apenas sublinhar o alcance e a
profundidade da ofensiva que estamos
sofrendo. Arriscaria dizer, mesmo sem
espaço neste artigo para sustentar a
afirmação, que se trata da vaga
reacionária mais profunda e,
tendencialmente, mais duradoura que o
movimento comunista já encarou - nem a
situação posterior ao esmagamento da
Comuna de Paris, quando Marx se viu
obrigado a defender a dissolução da I
Internacional; nem a situação aberta com
a derrota da onda revolucionária que se
seguiu à Revolução Russa; nem a
terrível década de 30, dos processos de
Moscou, da Guerra Civil Espanhola e da
ascensão do fascismo, são páreo para o
momento em que vivemos.
É
difícil perceber toda e extensão e o
alcance desta realidade aqui no Brasil. A
vaga aberta com a redemocratização do
país acabou por minorar os efeitos da
onda conservadora. A ponto de, no ano de
1989, enquanto caiam o muro e as primeiras
estátuas dos revolucionários na Europa,
Lula, com um programa bastante à
esquerda, teve 31.076.364 votos para a
Presidência da República. Neste mesmo
ano foi realizada a maior greve geral da
história do Brasil, com a participação
de 20 milhões de trabalhadores.
Mesmo as
derrotas sofridas durante os governos
neoliberais de Collor e Fernando Henrique,
não foram suficientes para deter o
avanço da esquerda, que, tendo o PT como
principal "receptáculo",
continuou acumulando forças.
No entanto, me parece que esta realidade
sofreu uma alteração importante no
último período. Se a crise política,
que teve como principal conseqüência a
desmoralização do PT, for concluída com
derrota de Lula nas próximas eleições,
haverá a alteração deste quadro e
dissolver-se-á a situação de exceção
que o Brasil vivia no quadro mundial.
Diante
desta situação devemos nos posicionar
para um período marcado pela
resistência. Esta é uma mudança
importante, que tem uma série de
implicações. Uma delas é um certo
reposicionamento da nossa tática, que se
mantém atual em suas linhas gerais, mas
que necessita de ajustes, pequenos, mas
importantes. É preciso reposicionar o
Partido, de modo a que mesmo em um
período de dificuldades, continuemos
acumulando forças.
Mantém
atualidade a linha de constituirmos uma
frente patriótica, que lute por um
programa desenvolvimentista com
distribuição de renda e valorização do
trabalho. Uma frente que vá além da
esquerda e dos trabalhadores, absorvendo
setores da burguesia, que tenham interesse
em um programa alternativo. Também
mantém atualidade a idéia de que o ponto
de partida para esta construção mais
ampla é um núcleo de esquerda, que parte
do PSB, do PCdoB e do PT.
Existe
uma grande contradição entre a
correção de nossa política e a força
que detemos para colocá-la em prática.
Esta contradição pode aumentar muito com
a onda reacionária que se desenha e que
tem na cláusula de barreira apenas a sua
dimensão mais aparente.
A grande
questão é, como manter e ampliar a
força de nossas idéias em uma realidade
que tende a ser bastante mais
reacionária? Acho que deveríamos
considerar a hipótese de conformarmos um
bloco socialista, mais amplo do que o
partido, do qual fizessem parte os
socialistas do PSB e toda uma sorte de
socialistas independentes que buscam uma
alternativa.
É
ocioso dizer que este bloco não
substituiria o nosso partido, que manteria
a sua organização e independência, nos
moldes de hoje. Agiríamos por dentro e
por fora do bloco, mantendo nossa
propaganda própria e nossas feições.
Ressalto que esta experiência, com
diferentes matizações, é comum a outros
partidos comunistas do mundo. Nosso
partido já utilizou tática semelhante,
por exemplo, com a Aliança Nacional
Libertadora, um dos picos da influência
dos comunistas.
A
primeira é ser um instrumento de
intervenção na luta política mais
imediata. O bloco se apresentaria como uma
alternativa política e eleitoral,
servindo para que possamos ultrapassar a
barreira dos 5%. Teria também o papel
prático de ser, ao mesmo tempo, aliado e
alternativa ao PT, dividindo com este
partido a hegemonia da frente.
As
limitações do PT, caracterizadas na tese
apresentada pelo CC, tendem a se agravar a
partir da crise. O Partido dos
Trabalhadores tende a sair pior (mais
confuso, errático, dividido e
hegemonista) e menor desta situação.
Isso não significa uma ruptura da
aliança eleitoral com o PT, que
continuará sendo um partido forte e
influente, portanto, principal aliado do
bloco. Significa apenas que, a partir do
Bloco, teríamos mais força para disputar
a linha política da aliança.
O segundo
papel do bloco seria a constituição de
um espaço amplo para a reorganização
dos socialistas. Em especial a partir da
caracterização desenvolvida em nossa
tese de que a tarefa de superação do
neoliberalismo tem um caráter
anticapitalista, é preciso dar a luta
pelo socialismo um caráter mais
cotidiano.
Para além de defender o socialismo, o
Bloco seria um espaço para a discussão e
acúmulo teórico, tarefa que pode ganhar
toda uma série de intelectuais e
socialistas independentes, dispostos a
"reconstruir a alternativa
socialista", como diz a nossa tese.
Reconheço
a dificuldade de colocar esta idéia em
prática. Mas acho que a idéia merece ser
considerada e discutida. Um Bloco
Socialista poderia ganhar força, e ter o
papel de ser uma resposta ampla a uma
realidade que tende a ser difícil para os
comunistas. Em um momento de confusão e
crise, com o principal partido da esquerda
em dificuldades, um instrumento que amplie
as possibilidades da esquerda mais
conseqüente pode ter grande papel em
reafirmar o socialismo como perspectiva e
em ser o núcleo consciente da
conformação de um amplo campo
patriótico.
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Júlio
Velozzo, São Paulo, SP
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