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Na luta
democrática, tivemos um retrocesso
político no Brasil com fascistização,
sem golpe de Estado, durante o governo
lesa-pátria de Fernando Henrique Cardoso,
reeditando medidas em cima de medidas
provisórias e também com intervenção
direta e indireta nos movimentos sociais,
inclusive do exército a exemplo da greve
nacional dos petroleiros. Ou seja, a
democracia foi restringida. Isso tudo
contribuiu para desmantelar o Estado
nacional.
Sabemos que as mudanças estruturais no
Brasil são a médio e longo prazo não é
em uma gestão com condicionantes internos
e externos que nós iríamos mudar a
realidade brasileira a toque de caixa.
Porém, o povo elegeu esse governo para as
mudanças, com esperança de dias
melhores. E luta por isso.
É necessário ir além da desaceleração
do projeto neoliberal que está sendo
aplicado no Brasil. Para isso o governo
precisa de nitidez de projeto, demarcando
campo em sua atuação para se aproximar
do povo brasileiro.
Nesse sentido, temos que construir um
projeto alternativo ao modelo neoliberal
passando por várias etapas no sentido de
mudar o curso que estamos trilhando hoje,
que tem como marca uma política
econômica conservadora, de aumentos da
taxa de juros e conseqüentemente
beneficiando os banqueiros em detrimento
do setor produtivo.
Em primeiro lugar, superar a crise
política que vivenciamos hoje no qual tem
responsabilidade, o sistema de oposição
ao governo Lula, composto pela mídia e
pela elite conservadora comprometida com
os banqueiros. Essa oposição é
representada na luta política pelo PFL e
o PSDB e também setores do PT que
acreditam nessa política econômica.
Por outro lado, é preciso ter visão de
frente, o PT, ao compor o governo,
menosprezou os aliados que têm visão
nacional como o próprio Partido e o PMDB,
priorizando a compra de votos como base de
sustentação.
Apesar de sabermos que o que está em jogo
é a luta política entre a continuidade e
a mudança, é necessário fazer essa
crítica aberta ao governo.
Precisamos ter um programa mínimo que
possa gerar investimentos em
infra-estrutura, na ciência e na
tecnologia, somado também aos
investimentos sociais na busca de incluir
o nosso povo na sociedade, gerando emprego
e renda aos brasileiros. Tudo isso só é
possível se mudar a orientação
econômica, caso contrário é
inconciliável.
O segundo passo é buscar uma composição
de aliança de frente ampla, com os
setores produtivos, setores médios,
partidos de esquerda e de centro, setores
do Exército, da Marinha e da
Aeronáutica, movimentos sociais entre
outros, comprometidos com a democracia e
com a soberania, baseada em um plano de
desenvolvimento nacional.
Esse projeto de desenvolvimento nacional,
não pode ser o do passado que se esgotou
tendo á frente a burguesia nacional, que
foi importante para construção desse
país, porém hoje perdeu qualquer
perspectiva enquanto classe de encabeçar
tal projeto, restando alguns setores
fragmentados, entendendo que boa parte da
burguesia nacional foi cooptada pelo
imperialismo, agindo como sócia menor do
capital internacional.
Nesse contexto, cabe aos trabalhadores e
ao seu Partido, que não é o PT, assumir
a frente desse projeto, através de um
amplo movimento cívico com muita
mobilização popular para conquistar dias
melhores aos trabalhadores e ao povo
brasileiro.
A luta nacional faz um contraponto ao
modelo neoliberal, e nessas condições
adquire características para luta
estratégica, abrindo uma vereda na
revigoração da perspectiva socialista.
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Moisés
Alves, estudante de Economia do IESAM
e Membro da Comissão Política do
PCdoB/PA
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