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Abilio Wayand: A temática racial - Parte I

 

 
 

27 de SETEMBRO de 2005

Moisés Alves
A luta nacional condicionada à ofensiva neoliberal - Parte II

 

Na luta democrática, tivemos um retrocesso político no Brasil com fascistização, sem golpe de Estado, durante o governo lesa-pátria de Fernando Henrique Cardoso, reeditando medidas em cima de medidas provisórias e também com intervenção direta e indireta nos movimentos sociais, inclusive do exército a exemplo da greve nacional dos petroleiros. Ou seja, a democracia foi restringida. Isso tudo contribuiu para desmantelar o Estado nacional.

Sabemos que as mudanças estruturais no Brasil são a médio e longo prazo não é em uma gestão com condicionantes internos e externos que nós iríamos mudar a realidade brasileira a toque de caixa.
Porém, o povo elegeu esse governo para as mudanças, com esperança de dias melhores. E luta por isso.

É necessário ir além da desaceleração do projeto neoliberal que está sendo aplicado no Brasil. Para isso o governo precisa de nitidez de projeto, demarcando campo em sua atuação para se aproximar do povo brasileiro.

Nesse sentido, temos que construir um projeto alternativo ao modelo neoliberal passando por várias etapas no sentido de mudar o curso que estamos trilhando hoje, que tem como marca uma política econômica conservadora, de aumentos da taxa de juros e conseqüentemente beneficiando os banqueiros em detrimento do setor produtivo.

Em primeiro lugar, superar a crise política que vivenciamos hoje no qual tem responsabilidade, o sistema de oposição ao governo Lula, composto pela mídia e pela elite conservadora comprometida com os banqueiros. Essa oposição é representada na luta política pelo PFL e o PSDB e também setores do PT que acreditam nessa política econômica.
Por outro lado, é preciso ter visão de frente, o PT, ao compor o governo, menosprezou os aliados que têm visão nacional como o próprio Partido e o PMDB, priorizando a compra de votos como base de sustentação. 

Apesar de sabermos que o que está em jogo é a luta política entre a continuidade e a mudança, é necessário fazer essa crítica aberta ao governo.

Precisamos ter um programa mínimo que possa gerar investimentos em infra-estrutura, na ciência e na tecnologia, somado também aos investimentos sociais na busca de incluir o nosso povo na sociedade, gerando emprego e renda aos brasileiros. Tudo isso só é possível se mudar a orientação econômica, caso contrário é inconciliável.

O segundo passo é buscar uma composição de aliança de frente ampla, com os setores produtivos, setores médios, partidos de esquerda e de centro, setores do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, movimentos sociais entre outros, comprometidos com a democracia e com a soberania, baseada em um plano de desenvolvimento nacional.

Esse projeto de desenvolvimento nacional, não pode ser o do passado que se esgotou tendo á frente a burguesia nacional, que foi importante para construção desse país, porém hoje perdeu qualquer perspectiva enquanto classe de encabeçar tal projeto, restando alguns setores fragmentados, entendendo que boa parte da burguesia nacional foi cooptada pelo imperialismo, agindo como sócia menor do capital internacional.

Nesse contexto, cabe aos trabalhadores e ao seu Partido, que não é o PT, assumir a frente desse projeto, através de um amplo movimento cívico com muita mobilização popular para conquistar dias melhores aos trabalhadores e ao povo brasileiro.

A luta nacional faz um contraponto ao modelo neoliberal, e nessas condições adquire características para luta estratégica, abrindo uma vereda na revigoração da perspectiva socialista.


________
Moisés Alves, estudante de Economia do IESAM e Membro da Comissão Política do PCdoB/PA

 

 

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