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Abilio Wayand: A temática racial - Parte I

 

 
 

27 de SETEMBRO de 2005

Lairson Ruy Palermo
A questão religiosa - ou a questão de partido e sua utilização - Parte II 
 

Vide Walter Sorrentino, livro Questões de Partido Atualidade do Partido Leninista no Brasil - Editora Anita- pag. 35

Já ultrapassada mais da metade do tempo regulamentar, vão se observando várias manifestações inclusive de conferências municipais, sobre a questão do art.33, parágrafo 3º do anteprojeto de Estatuto. Estou determinado a me colocar à disposição do coletivo comunista para liderar um projeto de debate do assunto, inclusive após o 11º Congresso.

Porém ,vamos ao restante do tempo regulamentar que já é pouco. "Na verdade , subjaz a isso a noção de um modelo determinado de forma organizativa do partido, tomando por padrão determinadas formas emanadas da experiência do movimento comunista, tendo por centro o modelo soviético..." "...quanto à degenerescência observada em partidos comunistas, que se ossificaram em determinados moldes e perderam a perspectiva ideológica que podia ter permitido ao proletariado evitar a derrota estratégica sofrida".

Efetivamente consideramos que a teoria está dada na moderna teoria leninista de partido. Mas também, efetivamente, ela necessita de atualizações e desenvolvimentos. Precisa dar conta da realidade contemporânea da luta e consciência social, adequar-se às realidades concretas de diferentes situações, responder mais diretamente ao projeto político e caminhos implicados na luta por colocar o socialismo como projeto exeqüível na atualidade. Note-se aí necessitarmos de um esforço de corte similar ao realizado por ocasião da crítica a que submetemos o modelo socialista, extraindo lições dos erros da primeira experiência socialista e re-elaborando o Programa Socialista do PCdoB".

Pois bem, na questão religiosa ser contemporâneo e atualizado é necessariamente entender o Brasil e suas almas, sua formação cultural, econômica, social, filosófica, religiosa e por fim política. Assim, nada de igual se apresenta que permita continuar afirmando a "linha justa" até aqui adotada em todos os terrenos partidários e na questão religiosa colocada com o art. 33. par. 3º, que abre então o debate necessário, complexo e objetivo, pois se o mito já foi derrubado por ocasião da evolução do pensamento próprio do PCdoB principalmente após o 8º Congresso, não existe lógica em querer livrar-se do atoleiro de uma perspectiva já superada pela própria concepção de Partido. O culto da monoliticidade responde a uma função histórica desempenhado pelo velho PCUS e hoje, sem qualquer justificativa, inclusive a respeito da própria articulação mais descentralizada da vida democrática interna. É preciso admitir como análise concreta da realidade concreta brasileira e algumas regiões mais fortes que outras que também para os católicos de hoje é elemento de reflexão o reconhecimento de que, já no mundo contemporâneo, a tendência objetiva é a de orientar na perspectiva da superação histórica das relações capitalistas de produção, na socialização do trabalho e da produtividade, na humanização das relações sociais , cada vez mais selvagens e em escala de exploração financeira internacional.

A democracia não vive das suas formas institucionais específicas, mas nos seus conteúdos. E é destes conteúdos que, na minha opinião, devemos falar com clareza e coerência. Parece-me possível afirmar que a história confirma plenamente a possibilidade de exprimirem em forma religiosa as aspirações revolucionárias de uma classe oprimida. É preciso entender que os problemas decorrentes da origem política da religião demonstra apenas que o sentimento religioso é anterior ao uso social que dele é feito (instrumentum regni) em determinadas condições histórico-sociais e que o juízo ( ópio dos povos) deve ser entendido em relação ao "valor de uso" e não ao "valor espiritual", que, respeito aos crentes, é conteúdo de fé. A impressão geral é de uma lentidão e resistência ao retorno as normas leninistas que asseguravam no Partido, ampla liberdade de expressão e de debate, no campo da cultura, da arte, e também político".

Finalmente desejaria encerrar esta parte das minhas opiniões com a convicção de que a filosofia marxista hoje deve evitar, como disse Jean Paul Sartre, sobretudo "aquele erro até mesmo muito natural, mas de conseqüências graves, que levou os filhos de Freud, em suas reminiscências da infância, a submeter todos à psicanálise, exceto o próprio pai".

Bibliografia:
questões de partido atualidade do partido leninista no Brasil- Editora Anita- textos de Sorrentino, Walter, pág.35. J.P Sartre. Il mio amico Togliatti, em "lUNITÁ" de 30.08.64

________
Lairson Ruy Palermo, membro do Comitê Estadual do PCdoB/MS - presidente do O.B. dos operadores do direito de Campo Grande/MS

 

 

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