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Tem
crescido entre as comunistas que militam
na UBM a preocupação com um melhor
entendimento do papel da corrente
emancipacionista nos dias atuais.
Contribuições importantes advieram da
realização do 6º Congresso da UBM, em
2003, e do Seminário Nacional, no
primeiro semestre de 2005, cujas
discussões enfocaram a articulação
entre projeto emancipacionista e movimento
social, assim como sobre a opressão de
gênero, cujo enfrentamento precisa estar
imbricado com a luta central contra a
opressão de classe.
Por que
argumentamos que a opressão de classe é
central e que a adesão à categoria
gênero é útil para inserirmos no debate
a questão de classe?
Relevantes
contribuições teóricas ao movimento
têm sido dadas pelas comunistas que vêm
buscando dar visibilidade às categorias
feminismo, gênero e marxismo através da
revista Presença da Mulher. O
artigo de Clara Araújo é elucidativo
neste sentido ao afirmar que o conceito de
gênero ajudou a entender como e em torno
de quais dimensões as relações de
dominação entre homens e mulheres se
realizam. Mas, somente a análise de
gênero desvinculada da dimensão de
classe não dá conta de compreender a
opressão e a dominação de uma classe
sobre outra, pois a estrita ênfase na
dimensão subjetiva das relações de
poder entre homens e mulheres acaba por
perder contato com as bases materiais em
que tais relações transcorrem (1).
Para as
comunistas, a compreensão da opressão de
classe e sua ligação com a opressão de
sexo decorrem da formulação de Marx e
Engels - os primeiros a revelar os
aspectos que aprisionam a mulher em sua
condição de subalternidade na sociedade
de classes - ao elaborar a teoria marxista
e desvelar os aspectos de dominação de
uma classe sobre outra. Para o marxismo, a
questão de gênero deve ser compreendida
a partir da ótica da luta de classes e
considerando o lugar que cada gênero
ocupa no processo produtivo, como
pressuposto da igualdade ou desigualdade
entre os gêneros.
A teoria
marxista situa a opressão de gênero como
um produto histórico e social. "O
entendimento do intrincado processo das
relações sociais deve ser buscado nas
causas materiais. Causas estas geradas a
partir das relações sociais que os
homens e as mulheres estabelecem com
vistas à reprodução de suas vidas
(2)."
Para
Katia Souto (3), "Há que se resgatar
a importância do marxismo para a
reflexão teórica da importância de se
romper as amarras das mulheres para a sua
verdadeira emancipação. A grande
contribuição do marxismo para a luta
feminista e a emancipação das mulheres
é a desnaturalização da opressão de
gênero, da subalternidade das mulheres
nas relações de gênero no campo
biológico. O que permite pensar e
construir a igualdade de gêneros nas
relações."
O projeto
de Novo Estatuto do PCdoB ao 11°
Congresso apresenta interessante avanço
ao propor a constituição de um fórum
permanente, constituído a partir de uma
conferência nacional sobre a questão da
mulher, e funcionando até a conferência
seguinte. A inclusão dos artigos 51 a 53
nos Estatutos, assim nos parece, eleva a
um patamar superior o debate acerca da
questão da mulher, conferindo a essas
novas instâncias propostas uma
responsabilidade orgânica de maior
concretude na formulação da política
partidária para o tema, o que não deve,
por outro lado, significar a
departamentalização estanque da questão
da mulher e da construção da corrente
emancipacionista.
Este
debate precisa tomar corpo e circular
intensamente por toda nossa organização
política, estando as direções
partidárias com o dever de fomentá-lo na
medida em que também forem planejando a
estruturação do PCdoB nos três setores
fundamentais - trabalhadores, juventude e
intelectualidade - setores todos com
significativa presença feminina.
Loreta
Valadares afirmava já na revista Presença
da Mulher: "assumir a luta de
gênero significa ir a fundo em sua
radicalidade, é preciso romper o elo
estrutural levando-o para a luta de
emancipação social, é preciso romper o
elo cultural percorrendo caminhos
próprios nas diversas esferas da
sociedade".
Embora a
UBM tenha conseguido obter reconhecimento
nacional, ainda é pequena a atuação da
entidade e a inserção de suas bandeiras
nos sindicatos, nas entidades do movimento
popular e na juventude (ressalve-se,
contudo, que recentemente foi publicado um
manifesto das jovens socialistas).
O momento
em que vivemos requer grande
fortalecimento das entidades dirigidas
pelo PCdoB. E a proposta do novo Estatuto
inova ao trazer para o Partido a
responsabilidade dos homens e mulheres
comunistas discutirem organicamente a
questão da mulher.
Notas:
1-
ARAUJO, Clara. Marxismo, feminismo e o
enfoque de gênero. Revista Crítica
Marxista nº 11.
2 - ARAÚJO, Clara, Marxismo e Feminismo -
tensões e encontros de utopias atuais.
Revista Presença da Mulher.
3- Artigo publicado na página
www.ubmulheres.org.br.
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Elza
Maria Campos, do Comitê Estadual do
PCdoB do Paraná
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