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O 2º Encontro Nacional
sobre Questões do Partido, realizado em
abril deste ano na capital mineira,
apontou a persistência em nosso meio de
uma séria subestimação do papel do
proletariado na luta política nacional e
em particular no projeto político do
PCdoB. Não se trata de um problema novo,
muito embora tenha se acentuado e mesmo
adquirido uma nova qualidade ao longo dos
três últimos anos. O encontro de BH
procurou ultrapassar a fronteira da
identificação teórica desta debilidade
(sobre a qual de resto prevalece um amplo
consenso) e apontar na prática
partidária cotidiana as formas concretas
em que se manifesta tal subestimação,
pois se trata de um problema que se
verifica mais no terreno da prática que
no da teoria.
A necessidade de
priorizar a construção partidária junto
ao proletariado requer um esforço
concentrado e combinado de todo o coletivo
partidário voltado para o objetivo de
valorizar a militância dos chamados
movimentos sociais, intensificando
especialmente o trabalho nas
organizações de massa do proletariado,
os setores mais estratégicos e procurando
acumular forças para disputar a hegemonia
do movimento operário. É preciso
empenhar recursos materiais e humanos,
assim como direcionar a estrutura do
Partido neste sentido, planejar nossas
atividades, traçar metas concretas e
acompanhar atentamente sua realização.
As direções têm um papel central nesta
tarefa.
Um outro aspecto da
questão é a subestimação do
proletariado no projeto político do
PCdoB. É sabido que nosso Partido luta
por um novo projeto de desenvolvimento
nacional, com uma tônica (justa) na
defesa da soberania nacional. Todavia,
ainda não está muito claro qual deve ser
o papel da classe trabalhadora e das
bandeiras do trabalho neste novo projeto.
Em geral, as reivindicações históricas
do proletariado são consideradas como uma
mera pauta sindical, de caráter
corporativo e sem maior ligação com os
interesses nacionais e um novo projeto de
desenvolvimento. É uma maneira limitada,
estreita e equivocada de enxergar a
realidade econômica e política do
Brasil, que resulta naturalmente na
subestimação do papel da classe
trabalhadora no projeto político dos
comunistas.
As bandeiras do
trabalho, na atualidade, devem ser
compreendidas como bandeira do
desenvolvimento, precisamente em
oposição ao projeto neoliberal, centrado
na depreciação do trabalho. Os
economistas ligados ao chamado mundo do
trabalho já sinalizaram este caminho e o
nosso Partido do proletariado deve
demonstrar uma consciência ainda mais
avançada neste rumo.
Recentemente, um
seminário sobre salário mínimo e
desenvolvimento, realizado na Unicamp,
reunindo vários especialistas, concluiu
que uma política de valorização do
salário mínimo favorecerá o
desenvolvimento nacional ao propiciar uma
melhor distribuição da renda nacional,
aumento real da massa salarial e do
consumo popular, fortalecimento do mercado
interno. Não se trata apenas de um item
da pauta sindical ou de uma
reivindicação corporativa e, além
disso, exige a intervenção do Estado
nacional.
Além da questão
salarial, outras bandeiras históricas da
classe trabalhadora também têm um forte
conteúdo desenvolvimentista. É o caso da
redução da jornada de trabalho sem
redução de salários, que em nossa
opinião deve ser associada à elevação
do grau de escolaridade do nosso
proletariado. A experiência histórica
indica que, além de engrandecer o mercado
interno (via aumento real do
salário/hora), a redução da jornada
propicia em médio prazo o aumento da
produtividade do trabalho e, em nosso
caso, pode também servir para combater a
crescente informalidade e
desregulamentação do mercado de
trabalho, além de elevar a arrecadação
da Previdência. Já a educação tem uma
importância ímpar para o crescimento da
economia e o desenvolvimento nacional,
como indicam as experiências recentes dos
países asiáticos. Daí a ênfase na
necessidade de elevar o grau de
escolaridade da classe trabalhadora.
Traduzem também
bandeiras desenvolvimentistas a luta pela
reforma agrária, universalização das
políticas e serviços públicos (em
contraste com a focalização), pelo pleno
emprego e a intransigente defesa dos
direitos sociais, ameaçados hoje em todo
o mundo pela ofensiva neoliberal. Apontar
a valorização do trabalho como fonte de
desenvolvimento tem o mérito de definir,
com clareza, o papel protagonista do
proletariado no projeto político do
PCdoB, sem desprezar a necessidade de uma
aliança mais ampla, envolvendo inclusive
setores do empresariado na luta política
em curso pelas mudanças.
Na situação atual do Brasil, a luta por
um novo projeto de desenvolvimento com
este caráter progressista passa também
pelo fortalecimento da Coordenação dos
Movimentos Sociais (CMS), que pode
desempenhar uma função estratégica na
luta pela transformação social em nosso
País, à medida que realizar um vigoroso
trabalho de mobilização e
conscientização do povo brasileiro. As
bandeiras do proletariado devem estar
entre as bandeiras centrais do projeto
político de desenvolvimento nacional do
PCdoB.
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João
Batista Lemos, Secretário Sindical
Nacional do PCdoB
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