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30/9/2005
Abilio Wayand: A temática racial - Parte I

 

 
 

27 de SETEMBRO de 2005

José Lúcio Socialista da Silva
A luta dos negros e negras brasileiros pela desconstrução do racismo em sociedade de classe neste período neoliberal

 

No documento do Comitê Central do PCdoB de 27 de junho de 2005, que diz que "luta contra o racismo é parte integrante do projeto de emancipação nacional e social", registramos que esta é uma luta que envolve todo o coletivo partidário.

A construção do racismo deu-se há aproximadamente cinco séculos no continente europeu. Ao iniciar o texto da construção do racismo, quero definir a característica do racismo como a ideologia de dominação de classe. Neste momento, devemos fazer trabalho pela desconstrução do racismo brasileiro.

Esta é primeira vez que um partido no Brasil procura trazer para a sociedade e para sua militância um tema tão complexo como o racismo. É necessário que o conjunto partidário venha estudá-lo cientificamente para nossa intervenção dentro das bases teóricas da dialética marxista, tendo o racismo como ideologia de dominação de classe.

Aqui no Brasil a oligarquia dominante da época teve um traço diferente para amortecer a luta dos escravos e suas resistências ao escravismo e do abolicionismo. Qual será a nossa intervenção no processo de desconstrução do racismo neste momento tão difícil? Não temos tempo para discutir estas questões da desconstrução do racismo; será necessário de uma conferência nacional amarrada pelo 11º Congresso e Comitê Central. Neste momento alguns intelectuais orgânicos do movimento negro estão articulando a instalação do primeiro congresso nacional do povo negro.

O camarada Lênin sempre se interessava por congressos porque através deles pode-se organizar e coordenar os conflitos de idéias; pode-se renovar as estratégias para as lutas pela desconstrução do racismo em nosso país. Atualmente o movimento negro tem várias palavras de ordem, assim como ações afirmativas, tendo como modelo o norte-americano, que na época foi elaborado pela burguesia capitalista e pelo FBI. Com participação de fundações e ongs, os objetivos eram estabelecer uma pequena burguesia negra com mesmos privilégios da matriz européia (branca). Durante estes 45 anos, ações afirmativas nos Estados Unidos produziram uma elite negra tendo como símbolo a chefe de Estado norte-americano Condolezza Rice, Collin Powel, Jesse Jefhons e outros. Defensores da guerra e do extermínio dos povos palestino e iraquiano. Negros e negras pequenos burgueses, ricos que abandonaram negros e negras pobres (Rosene Hegin - A Cor das Desigualdades).

Fatos recentes como a passagem do furacão Katrina, quando houve um desastre ecológico de enormes proporções. Onde ficaram os negros ricos? Ficaram ao lado dos conservadores que têm dinheiro para financiar as guerras e não dinheiro para ajudar os negros pobres. Esta é a herança das ações afirmativas norte-americanas. Será que este é o melhor modelo para o Brasil?

Reparações já. Reparações têm como base as discussões envolvendo o coletivo partidário como projeto de emancipação social e também a inclusão nossa projeto socialista. Neste momento nós não temos tempo hábil para discutir assuntos tão complexos, somente em conferência nacional amarradas pelo 11º Congresso.


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José Lúcio Socialista da Silva, membro do Pleno do Comitê Municipal do PCdoB/Niterói e da coordenação da Unegro/RJ

 

 

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