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No documento do Comitê
Central do PCdoB de 27 de junho de 2005,
que diz que "luta contra o racismo é
parte integrante do projeto de
emancipação nacional e social",
registramos que esta é uma luta que
envolve todo o coletivo partidário.
A construção do
racismo deu-se há aproximadamente cinco
séculos no continente europeu. Ao iniciar
o texto da construção do racismo, quero
definir a característica do racismo como
a ideologia de dominação de classe.
Neste momento, devemos fazer trabalho pela
desconstrução do racismo brasileiro.
Esta é primeira vez que
um partido no Brasil procura trazer para a
sociedade e para sua militância um tema
tão complexo como o racismo. É
necessário que o conjunto partidário
venha estudá-lo cientificamente para
nossa intervenção dentro das bases
teóricas da dialética marxista, tendo o
racismo como ideologia de dominação de
classe.
Aqui no Brasil a
oligarquia dominante da época teve um
traço diferente para amortecer a luta dos
escravos e suas resistências ao
escravismo e do abolicionismo. Qual será
a nossa intervenção no processo de
desconstrução do racismo neste momento
tão difícil? Não temos tempo para
discutir estas questões da
desconstrução do racismo; será
necessário de uma conferência nacional
amarrada pelo 11º Congresso e Comitê
Central. Neste momento alguns intelectuais
orgânicos do movimento negro estão
articulando a instalação do primeiro
congresso nacional do povo negro.
O camarada Lênin sempre
se interessava por congressos porque
através deles pode-se organizar e
coordenar os conflitos de idéias; pode-se
renovar as estratégias para as lutas pela
desconstrução do racismo em nosso país.
Atualmente o movimento negro tem várias
palavras de ordem, assim como ações
afirmativas, tendo como modelo o
norte-americano, que na época foi
elaborado pela burguesia capitalista e
pelo FBI. Com participação de
fundações e ongs, os objetivos eram
estabelecer uma pequena burguesia negra
com mesmos privilégios da matriz
européia (branca). Durante estes 45 anos,
ações afirmativas nos Estados Unidos
produziram uma elite negra tendo como
símbolo a chefe de Estado norte-americano
Condolezza Rice, Collin Powel, Jesse
Jefhons e outros. Defensores da guerra e
do extermínio dos povos palestino e
iraquiano. Negros e negras pequenos
burgueses, ricos que abandonaram negros e
negras pobres (Rosene Hegin - A Cor das
Desigualdades).
Fatos recentes como a
passagem do furacão Katrina, quando houve
um desastre ecológico de enormes
proporções. Onde ficaram os negros
ricos? Ficaram ao lado dos conservadores
que têm dinheiro para financiar as
guerras e não dinheiro para ajudar os
negros pobres. Esta é a herança das
ações afirmativas norte-americanas.
Será que este é o melhor modelo para o
Brasil?
Reparações já.
Reparações têm como base as discussões
envolvendo o coletivo partidário como
projeto de emancipação social e também
a inclusão nossa projeto socialista.
Neste momento nós não temos tempo hábil
para discutir assuntos tão complexos,
somente em conferência nacional amarradas
pelo 11º Congresso.
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José
Lúcio Socialista da Silva, membro do
Pleno do Comitê Municipal do
PCdoB/Niterói e da coordenação da
Unegro/RJ
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