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O Plano Colômbia aponta
para a região setentrional da América do
Sul, onde está a Amazônia e a Venezuela.
Aí, a estratégia americana é a da
intimidação, intervenção e ocupação.
É a região onde os Estados Unidos
depositam seu maior interesse. O alvo é a
Amazônia, a maior reserva concentrada de
água doce da Terra. A Venezuela é um
alvo mais circunstancial.
A Tríplice Fronteira é
onde se encontram fronteiras de três
países: Brasil, Paraguai e Argentina.
Além disso, é o núcleo onde se encontra
a maior reserva de água doce subterrânea
do planeta Terra, o Aqüífero Guarani,
área gigantesca de 1,2 milhão de Km2,
70% dos quais em território brasileiro, o
restante com a Argentina, o Paraguai e o
Uruguai.
Finalmente a Patagônia
é vista como a base projetada para
completar o cerco da América do Sul, no
extremo do continente, defronte da
Antártida.
Do ponto de vista dos
Estados Unidos o cenário político atual
dessa parte do mundo é adverso.
Recentemente, o Ministro das Relações
Exteriores do Uruguai, Reinaldo Gargano,
retratou bem esse cenário, dizendo que,
por aqui, "há hoje um arco virtuoso
com Lagos no Chile, Kirchman na Argentina,
Lula no Brasil, Vasquez no Uruguai e
Chávez na Venezuela".
Na verdade, foi por
causa desse "arco virtuoso" que
os Estados Unidos não conseguiram
implantar suas pretendidas bases de
Alcântara e da Patagônia. Também é
pela mesma razão que o grande projeto de
ocupação econômica do continente, a
ALCA, está paralisado.
Esse pano de fundo
geoestratégico não pode passar
desapercebido ao se fazer uma apreciação
mais geral sobre a importância e o
significado do governo Lula. Isto porque a
chegada de Lula ao posto de primeiro
mandatário brasileiro em muito
contribuiu, e às vezes foi decisiva, para
a constituição desse "arco
virtuoso". Ao revés, um eventual
afastamento de Lula da presidência da
República do Brasil seguramente
precipitaria o esfacelamento do dito
"arco", abrindo espaço para o
avanço dos planos imperiais americanos na
América do Sul.
Lamentavelmente, o
governo Lula, no que diz respeito à
política macroeconômica que executa,
continua no fundamental o governo
anterior. O próprio presidente reitera
que não haverá mudança nessa frente, o
que torna mais oneroso o apoio que lhe dá
as forças progressistas mais
conseqüentes. Há em estratos da
população uma sensação de frustração
ante um governo que não mudou como
prometera e que se enredou em uma crise
que causa perplexidade e na qual a velha
direita entreguista e corrupta se veste de
farisaísmo ético e passa à ofensiva,
buscando retomar a plenitude do poder.
Apear Lula do Planalto, imediatamente,
talvez não lhe seja interessante. Mas, se
puder, o fará.
Tudo isso provoca uma
outra crise, mais específica, na esquerda
brasileira. Esta se depara ante o risco de
ser tida como incapaz de cumprir quando
governa o que prometera para governar e,
mais ainda, de ser incompetente,
continuísta e corrupta. O dramático é
que a história da esquerda no Brasil, e
no mundo, é bem outra, de bravura,
competência, honestidade e sacrifício.
Mas a crise está aí,
alimentada por desacertos e potencializada
pelo controle midiático da direita. Claro
que predomina na esquerda a compreensão
dos problemas e o posicionamento correto,
ainda que penoso. Mas, ante o risco de
perder bandeiras e de ficar desacreditada
frente ao povo, vê-se dispersão,
indisciplina, desnorteamento e defecção.
É a crise.
Nesses momentos, a
esquerda mais conseqüente, com os
comunistas na linha de frente, não pode
perder o rumo. Nem perder de vista as
conseqüências estratégicas que advirão
de fatos que podem acontecer e para os
quais ela não pode contribuir.
Uma eventual saída de
Lula da presidência, por essa ou aquela
razão, seria grande derrota das forças
nacionais latino-americanas. Ruiria o
surto da esquerda nesse continente, seria
desfeito o "arco virtuoso" de
que falou Gargano. O Império entraria em
êxtase.
Além do mais, no
Brasil, voltariam as forças que aqui
impuseram a "privatização",
suspensa no governo Lula. Seria restaurada
a lista que já estava pronta das empresas
privatizáveis: Banco do Brasil, Caixa
Econômica Federal, CHESF, Tucuruí,
Furnas e, por que não, a Petrobrás.
A esquerda não deve ser
condescendente com os que cometeram erros
e graves. Deve continuar pelejando por
mudanças. Mas não pode ceder trincheiras
de significado estratégico para sua luta.
Lula na Presidência.
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Haroldo
Lima, vice-Presidente do PCdoB
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