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Pela
autocrítica do voto na Reforma da
Previdência
Tendo como certo que os
quatro Deputados Federais descumpriram o
estatuto ao votar contra orientação do
Comitê Central, na Reforma da
Previdência, prossigamos nossa
investigação histórica.
O voto dos quatro
deputados não foi fato historicamente
isolado, autônomo ou autogerado e não
há qualquer indício de ter sido fruto de
uma conspiração desagregadora no seio do
partido ou da condenável prática de
grupismo. Com exceção de um dos quatro,
que saiu do partido com a mesma rapidez
que entrou e se elegeu, os camaradas
Sérgio, Jandira e Alice são comunistas
históricos legitimados pelo povo como
comunistas e que nunca tiveram dúvida
do que são.
Nos guiando pela teoria
científica de Marx e Engels, podemos
entender o fato como uma reação
dialética a fato anterior, qual seja, a
orientação de votar aparentemente em
desacordo com a linha política e
ideológica do partido.
Quem dirige o partido
entre um Congresso e outro é o Comitê
Central, formado por homens e mulheres e,
portanto, apesar de sua inconteste
honestidade e completa entrega pessoal à
luta, também estão sujeitos a erros.
Todo o erro tem cura e a terapia é a
autocrítica - o remédio para o mal
feito. Mas o centralismo democrático tem
também o tratamento preventivo para os
erros: é o "debate amplo e aberto
nos organismos sobre as questões
referentes à orientação
partidária". (art. 17,
"e").
É evidente que nossos
camaradas no Araguaia, não podiam
convocar fóruns deliberativos para
decidir o que fazer a cada momento, diante
das tropas da repressão.
No caso da orientação
do voto na Reforma da Previdência,
entretanto, não houve nada que
justificasse uma decisão precipitada,
tomada na véspera da votação. Não
estávamos em situação extrema de risco
imediato. O conteúdo da Reforma proposta
pelo governo era conhecido muitos meses
antes da votação. A situação política
também não sofreu qualquer mudança
inesperada ou imprevisível neste
período. Além disso, o Partido tinha
realizado recentemente sua 9ª
Conferência já sob o governo Lula, que
resultou de amplo processo de discussões
nos estados e municípios, bem como na
CSC, que condenou com veemência a
reforma. Nenhum fato novo surgiu no
cenário político entre a aprovação da
resolução da Conferência e a votação
da reforma, que não fizesse parte de suas
resoluções.
E o que dizem as
resoluções da 9ª Conferência sobre o
assunto? Afirmam que "as
reformas em discussão se não
forem apontadas no rumo da ampliação
da democracia, dos direitos sociais e de
uma nova estratégia de desenvolvimento, se
confundirão com a agenda do governo
passado, ficando à mercê da disputa
de múltiplos interesses. Embora os
acordos e contratos anteriores tenham que
ser considerados, o PCdoB tem afirmado que
apesar disso, seguindo novos objetivos de
desenvolvimento, pode-se e deve-se
questionar e revisar tais compromissos -
como, por exemplo, os termos do acordo com
o FMI que absolutiza as metas de
estabilidade fiscal em detrimento de metas
de crescimento econômico e
desenvolvimento social e se desdobra em reformas
voltadas para a fragilização do Estado e
a quebra dos direitos sociais.
Ora, todos os documentos
técnicos e análises científicas do
partido (além do senso comum dos
militantes classistas) apontavam que os
maiores problemas da reforma da
previdência eram justamente a
fragilização do Estado (privatização)
e a quebra dos direitos sociais. É
evidente, portanto, que a política do
partido expressada formalmente pela maioria
na Conferência indicava o voto contrário
às reformas propostas.
A indicação de voto
a favor da reforma, portanto, representou
o império da vontade de uma minoria
contra a maioria, contrariando o estatuto
e o Centralismo Democrático.
O documento diz ainda
que "devemos emprestar o mais firme
apoio ao governo Lula e lutar com afinco
pelo seu sucesso tendo em vista a
concretização dos propósitos
mudancistas". Ou seja, o
"sucesso do governo Lula", na
opinião do PCdoB, está ligado
diretamente à mudança e não à
manutenção da "agenda do governo
passado".
Na ocasião, a Comissão Política do
Comitê Central em sua 15ª Reunião,
afirmou que: "o nosso voto na CCJ
será político, pois a matéria ganhou um
significado destacado e, por isso, vamos
votar pela admissibilidade de sua
constitucionalidade." (afirmação
atribuída a Renato Rabelo na notícia do
Vermelho).
Tal posicionamento foi frontalmente
contrário à resolução da conferência,
esta sim democrática e de baixo para cima
como determina o Centralismo Democrático,
e que depois de declarar apoio ao
governo condicionado à mudança,
afirmava: "Porém, o nosso empenho na
sustentação do governo, por mais forte e
leal que seja, não significa
"seguidismo" ou ausência de
crítica."
O que teria levado a Comissão Política,
reunida em Brasília, a abandonar a
posição de crítica e indicar um voto
seguidista em relação ao governo, na
véspera de uma votação em que
poderíamos lutar, de acordo com a linha
política do partido, para derrubar uma
reforma de cunho nitidamente neoliberal?
Na proposta de
resolução política para o 11º
Congresso, talvez encontremos uma
resposta. No parágrafo 127, observa-se
que "nesse período de mais de dois
anos de governo, o esforço do Partido tem
sido ocupar o seu lugar nas frentes
governamental e parlamentar, social e da
luta de idéias, sem cair no seguidismo ou
no voluntarismo. É preciso reconhecer que
pelo ineditismo dessa tarefa pode-se
cometer erros pontuais ou temporários,
mas não se pode persistir em erro."
O momento, portanto, é
de autocrítica.
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Caio
Teixeira, PCdoB-SC
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