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Abilio Wayand: A temática racial - Parte I

 

 
 

27 de SETEMBRO de 2005

Augusto Cleybe Silva da Costa
Ao Partido

 

Em plena crise do socialismo e retomada, ainda pontual, de grandes mobilizações em torno de bandeiras pacifistas, os comunistas no mundo buscam ampliar as alianças com diversos setores descontentes com os caminhos apresentados pelos imperialistas no globo. Por outro lado, faz-se necessário a renovação orgânica da frente de resistência com base em princípios marxista-leninistas, mas também com renovação atualizada da experiência e possibilidade de luta dos povos.

Aos primeiros instantes, enlaces, disputas, choques de classe no Brasil, num contexto de governo Lula, o que podemos perceber de inicio é que será recortado de avanços e recuos, com grandes e pequenas contendas em terreno aberto ou não, em ambiente com intensa luz ou com profundas trevas e com aliados estratégicos, táticos, temporário, vacilantes e confusos. Do outro lado, os conservadores possuem mais unidade e um projeto claro a desenvolver e também contam com apoio de grandes e médios meios de comunicação e setores representativos na sociedade brasileira. Afirma-se a convicção de que a crise continuará pois é intenção das elites desgastar o governo até a eleição de 2006.

Há aproximadamente cem anos, Lênin e seus companheiros davam os primeiros passos para construção de um "Partido de novo tipo", que pudesse ser uma organização capaz de orientar e ser um destacamento avançado do proletariado na luta de classe na Rússia no início do século 20.

Por outro lado, essa nova organização, inovadora naqueles dias, também sofreu resistência dentro do movimento revolucionário russo, traduzidas em ataques à figura de Lênin e seus companheiros que compartilhavam da mesma idéia. Também existiam dúvidas acerca da aplicabilidade e viabilidade para conduzir ou até mesmo ligar-se às massas revoltosas. Tais resistências eram reflexos do atraso estrutural da Rússia czarista e da rarefeita compreensão teórica pelo movimento revolucionário russo.

Contraditoriamente, Lênin compreendia essas defasagens e buscava organizar junto com os seus companheiros um centro político único em meio ao leque de forças organizadas e espontâneas na Rússia. Eles perseguiam maior domínio da teoria marxista e procuravam absorver as experiências dos povos do mundo existentes até aquele momento, nutrindo a história de luta do povo russo e suas experiências.

Os êxitos desses companheiros foram vistos e seguidos por décadas e, nos dias atuais, no início do século 21, apesar da crise do socialismo e da dominância obscurantista do imperialismo capitaneado pelos Estados Unidos, continuamos estudando e buscando compreender e procurando ensinamentos nas origens, desdobramentos e o desfecho do feito mais grandioso dos trabalhadores na história da humanidade.

Somos contemporâneos de um período de ofensiva das forças conservadoras no mundo, sobretudo ao que representa e existe de conhecimento avançado e de civilização. A queda da União Soviética trouxe um retrocesso para os trabalhadores, diminuiu o ímpeto de lutar e contribuiu para a perda de perspectivas na nova sociedade. Levou-nos a ter de adotar a resistência para enfrentar a sânie do imperialismo, sem sabermos de antemão quanto tempo isso durará.
É neste contexto que os comunistas buscam ampliar, fortalecer e adicionar mais ritmo às lutas do nosso povo. Contudo, alguns estágios e condicionamentos históricos deveriam ser observados; são assimétricos os momentos de ascensão revolucionária na Rússia para a realidade de hoje no Brasil; portanto, torna-se relevante às defasagens e situações cristalizadas no período de legalidade em que o Partido vem atuando.

Circunstâncias em que quadros partidários subestimam novas gerações de militantes desconsiderando as ações inovadoras e criativas que estes imprimem dentro e fora do Partido; desperdiçam um material humano precioso em tarefas desfocadas de suas características e capacidades, levando-os a desgastes desnecessários e inúteis. Relacionados a isso está a atitude das novas gerações de não considerar os elementos de continuidade e experiências já existentes no Partido, resultando em choques que, via de regra, levam a desdobramentos exitosos ou não.

Inserido na luta de classe no Brasil, o Partido desenvolve constantemente seu conteúdo de vanguarda sem se esquecer de que deve manter estreita relação com as massas operárias e com os trabalhadores. Esse conteúdo leninista sofre ataques na luta de idéias dentro e fora de nossas fronteira. De um lado, o sentimento extintivo basista, que divulga de forma irracional que o luta social na base possui mais importância do que a construção, a permanência e a condução na luta social e de idéias pela vanguarda. Por outro lado, toda atenção é pouco para o desastroso discurso dogmático desprovido de compreensão dialética e da noção básica de que há movimento e conectividade nos acontecimentos.

Somam-se os que pensam que defender o Partido é torná-lo intocável, sólido, cristalizado no tempo e no meio em que atua. Querer mantê-lo afastado da evolução dos fatos, do desenvolvimento da luta de classe e dos novos instrumentos que a luta propicia é uma manifestação errada, grosseira e de principiante. Existe um aspecto que devemos considerar: é idealista crer que esses fenômenos desapareceram como tantos outros que existem; ora estarão presentes com grande intensidade, ora em pequena intensidade ou quase imperceptíveis. A medida para verificar essas diferenças será a importância e posicionamento que a política terá na condução do coletivo partidário.


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Augusto Cleybe Silva da Costa, membro do Comitê Estadual PCdoB/PA e secretário de Formação do Comitê Municipal de Belém do Pará

 

 

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