|
Em plena crise do
socialismo e retomada, ainda pontual, de
grandes mobilizações em torno de
bandeiras pacifistas, os comunistas no
mundo buscam ampliar as alianças com
diversos setores descontentes com os
caminhos apresentados pelos imperialistas
no globo. Por outro lado, faz-se
necessário a renovação orgânica da
frente de resistência com base em
princípios marxista-leninistas, mas
também com renovação atualizada da
experiência e possibilidade de luta dos
povos.
Aos primeiros instantes,
enlaces, disputas, choques de classe no
Brasil, num contexto de governo Lula, o
que podemos perceber de inicio é que
será recortado de avanços e recuos, com
grandes e pequenas contendas em terreno
aberto ou não, em ambiente com intensa
luz ou com profundas trevas e com aliados
estratégicos, táticos, temporário,
vacilantes e confusos. Do outro lado, os
conservadores possuem mais unidade e um
projeto claro a desenvolver e também
contam com apoio de grandes e médios
meios de comunicação e setores
representativos na sociedade brasileira.
Afirma-se a convicção de que a crise
continuará pois é intenção das elites
desgastar o governo até a eleição de
2006.
Há aproximadamente cem
anos, Lênin e seus companheiros davam os
primeiros passos para construção de um
"Partido de novo tipo", que
pudesse ser uma organização capaz de
orientar e ser um destacamento avançado
do proletariado na luta de classe na
Rússia no início do século 20.
Por outro lado, essa
nova organização, inovadora naqueles
dias, também sofreu resistência dentro
do movimento revolucionário russo,
traduzidas em ataques à figura de Lênin
e seus companheiros que compartilhavam da
mesma idéia. Também existiam dúvidas
acerca da aplicabilidade e viabilidade
para conduzir ou até mesmo ligar-se às
massas revoltosas. Tais resistências eram
reflexos do atraso estrutural da Rússia
czarista e da rarefeita compreensão
teórica pelo movimento revolucionário
russo.
Contraditoriamente,
Lênin compreendia essas defasagens e
buscava organizar junto com os seus
companheiros um centro político único em
meio ao leque de forças organizadas e
espontâneas na Rússia. Eles perseguiam
maior domínio da teoria marxista e
procuravam absorver as experiências dos
povos do mundo existentes até aquele
momento, nutrindo a história de luta do
povo russo e suas experiências.
Os êxitos desses
companheiros foram vistos e seguidos por
décadas e, nos dias atuais, no início do
século 21, apesar da crise do socialismo
e da dominância obscurantista do
imperialismo capitaneado pelos Estados
Unidos, continuamos estudando e buscando
compreender e procurando ensinamentos nas
origens, desdobramentos e o desfecho do
feito mais grandioso dos trabalhadores na
história da humanidade.
Somos contemporâneos de
um período de ofensiva das forças
conservadoras no mundo, sobretudo ao que
representa e existe de conhecimento
avançado e de civilização. A queda da
União Soviética trouxe um retrocesso
para os trabalhadores, diminuiu o ímpeto
de lutar e contribuiu para a perda de
perspectivas na nova sociedade. Levou-nos
a ter de adotar a resistência para
enfrentar a sânie do imperialismo, sem
sabermos de antemão quanto tempo isso
durará.
É neste contexto que os comunistas buscam
ampliar, fortalecer e adicionar mais ritmo
às lutas do nosso povo. Contudo, alguns
estágios e condicionamentos históricos
deveriam ser observados; são
assimétricos os momentos de ascensão
revolucionária na Rússia para a
realidade de hoje no Brasil; portanto,
torna-se relevante às defasagens e
situações cristalizadas no período de
legalidade em que o Partido vem atuando.
Circunstâncias em que
quadros partidários subestimam novas
gerações de militantes desconsiderando
as ações inovadoras e criativas que
estes imprimem dentro e fora do Partido;
desperdiçam um material humano precioso
em tarefas desfocadas de suas
características e capacidades, levando-os
a desgastes desnecessários e inúteis.
Relacionados a isso está a atitude das
novas gerações de não considerar os
elementos de continuidade e experiências
já existentes no Partido, resultando em
choques que, via de regra, levam a
desdobramentos exitosos ou não.
Inserido na luta de
classe no Brasil, o Partido desenvolve
constantemente seu conteúdo de vanguarda
sem se esquecer de que deve manter
estreita relação com as massas
operárias e com os trabalhadores. Esse
conteúdo leninista sofre ataques na luta
de idéias dentro e fora de nossas
fronteira. De um lado, o sentimento
extintivo basista, que divulga de forma
irracional que o luta social na base
possui mais importância do que a
construção, a permanência e a
condução na luta social e de idéias
pela vanguarda. Por outro lado, toda
atenção é pouco para o desastroso
discurso dogmático desprovido de
compreensão dialética e da noção
básica de que há movimento e
conectividade nos acontecimentos.
Somam-se os que pensam
que defender o Partido é torná-lo
intocável, sólido, cristalizado no tempo
e no meio em que atua. Querer mantê-lo
afastado da evolução dos fatos, do
desenvolvimento da luta de classe e dos
novos instrumentos que a luta propicia é
uma manifestação errada, grosseira e de
principiante. Existe um aspecto que
devemos considerar: é idealista crer que
esses fenômenos desapareceram como tantos
outros que existem; ora estarão presentes
com grande intensidade, ora em pequena
intensidade ou quase imperceptíveis. A
medida para verificar essas diferenças
será a importância e posicionamento que
a política terá na condução do
coletivo partidário.
________
Augusto
Cleybe Silva da Costa, membro do
Comitê Estadual PCdoB/PA e secretário de
Formação do Comitê Municipal de Belém
do Pará
|