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Ou
como votarão os delegados ao 11º
Congresso sobre o art.33, parágrafo 3º,
sobre os religiosos ?
O anteprojeto de
estatuto, em seu artigo 33 parágrafo 3º,
diz que "membros do partido que atuem
nas áreas ... religiosa, podem
organizar-se excepcionalmente na forma de
coletivos, diretamente vinculados aos
comitês estaduais ou ao comitê central,
por decisão destes, como forma de
contribuírem com seu saber e experiência
na elaboração e implementação da
orientação partidária. Nos congressos e
conferências estaduais, tais coletivos
equiparam-se a OBs e elegem delegados (as)
diretamente à instância
respectiva."
Com essa proposição o
PCdoB avança do ponto de vista histórico
na relação com os religiosos no Brasil.
O problema dos religiosos apresenta-se,
por isso, para o Partido Comunista, como
um elemento essencial da própria
política de alianças, mas é também uma
questão que o Partido deve enfrentar, em
seu interior, a fim de realizar a própria
característica de partido de massa,
nacional e popular. Participei da etapa de
discussão e aprovação do Projeto de
Programa Socialista e na época fiz
proposição para avançar na relação e
diálogo com os religiosos. Porém, não
foi daquela vez que introduzimos algo
sobre o tema, que agora aparece com maior
vulto.
O tema é demais
complexo, envolve muitos elementos que
talvez, nesta tribuna de debates, não
haja espaço para o real debate, que no
meu ponto de vista já se iniciou e deve
transpassar o 11 º Congresso, pois a
questão religiosa no Brasil está
intimamente ligada com um mais completo
amadurecimento da visão estratégica da
revolução brasileira e dos seus
fundamentos teóricos pelo caráter da
formação de nosso povo e a influência
religiosa nesta formação. Portanto, se o
PCdoB realmente se propõem a ser
vanguarda da classe operária e quer
mergulhar mais profundo na vida
brasileira, devem seus membros tratar o
assunto da relação comunistas e
religiosos em outro patamar e atualizar e
desenvolver de forma criadora o debate
entre comunistas e religiosos. Existem
experiências muito interessantes
realizadas atualmente pelo PC Cubano que
admite as cotas de até 20% de religiosos
nas suas várias instâncias, pelo Partido
Comunista Italiano (à época PCI, sua
história é marcada pelo debate formulado
por Antonio Gramsci sobre o sistema de
alianças de classe que lhe permita
mobilizar contra o capitalismo e o estado
burguês a maioria da população
trabalhadora) que trabalhou intensamente
dois filões, "a questão sulina e a
questão católica", nos quais o PCI
trabalhou depois da libertação fascista
e tendo como fato ainda que, como diz
Gramsci "como a função dirigente da
classe operária se dilata, como ampliam
as suas alianças, assim o problema dos
católicos permanece elemento decisivo da
aliança operários-camponeses, e torna-se
também elemento de grande relevo na
construção de um bloco de poder do qual
participem, como forças motrizes, também
as camadas médias urbanas".
Dentro da complexidade
do assunto, esta questão, como está
posta, se transfere da mera questão da
aliança com o mundo religioso para ser
uma questão interna da vida de nossa
organização. Portanto, se queremos dar
um tratamento devido e à altura que
merece, devemos alterar a redação do
art.1º, ficando assim:"o Partido
...onde podem se inscrever todos os
cidadãos que independemente de raça, de
fé religiosa e de convicções
filosóficas, que aceitam seu
programa". Assim, na prática,
estaremos sinalizando ao povo brasileiro
que defendemos a liberdade de consciência
e não pedimos atestado ideológico para
se filiar ao PCdoB. Tenho dúvidas sobre a
formulação de coletivos religiosos como
está colocada , até porque o texto esta
se referindo a "religiosos" e
eles são tecnicamente os membros da
hierarquia da igreja (papa, bispos,
arcebispos, padres, membros de ordens
etc.). Já aqueles que não fazem parte da
hierarquia da igreja são considerados
"leigos", são os que têm
religiosidade e levam o evangelho no seu
local de trabalho, moradia, estudo e
participam das pastorais. Penso que
poderíamos trabalhar com o exemplo do PC
Cubano e criar as cotas de 20% de
religiosos nas instâncias partidárias,
sem a obrigatoriedade de preenchimento,
só exigindo se existirem candidatos nas
respectivas eleições que ultrapassem o
número de vagas a serem preenchidas na
respectiva eleição.
O modo de equacionar,
internamente, o problema das relações
com a consciência religiosa é decisivo
para realizar o caráter de massas do
PCdoB, na específica condição de nosso
país. Se na época do debate sobre o
Projeto de Programa Socialista não houve
plena consciência daquilo que o assunto
estaria criando e inovando e sua
formulação tenha sido sugerida por mim
no seminário regional de Goiânia
(região centro-oeste). É, porém, certo
que hoje este elemento de proposta
estatutária tornou-se elemento orgânico
de natureza interna do PCdoB. E com este
ponto provavelmente estaremos
desenvolvendo a luta antidogmática
iniciada em 1962, que pela primeira vez
rompeu de forma cabal e histórica com o
viés dogmático até então reinante, e
também com a autocrítica sincera do 8º
Congresso do caráter anticientífico do
modelo único de socialismo (vide o
dogmatismo reinante no PCUS em relação
aos religiosos e suas conseqüências
trágicas históricas bem como o caso dos
partidos da Europa oriental).
Bibliografia: Título
original italiano "Il Dialogo Alla
Prova"
Copyright 1964 by Vallechi Editore
Firenze. Direitos universais para a
língua portuguesa adquiridos pela Editora
Paz e Terra Ltda - 1968 - Dialogo Posto a
Prova , Luciano Gruppi .pág. 146.
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Lairson
Ruy Palermo, membro do comitê
estadual de MS e Presidente do OB de
operadores do direito em Campo Grande/MS.
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