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A
consciência de Deus é a consciência que
o homem tem de si mesmo, o conhecimento de
Deus é o conhecimento que o homem tem de
si mesmo. Pelo seu Deus conheces o homem
e, vice-versa, pelo homem conheces o seu
Deus; ambos são a mesma coisa.
FEUERBACH, Ludwig, A Essência do
Cristianismo
Em seu livro "A
Essência do Cristianismo", Feuerbach
afirma que o homem difere do animal por
ter uma consciência que tem por objeto o
seu gênero, a sua essencialidade.
Apresentando uma polêmica tese de que a
essência da religião é a essência do
ânimo humano, e de que a teologia poderia
ser explicada pela antropologia. O autor
desvenda que as representações e
segredos atribuídos a um ser sobrenatural
não eram mais do que representações
humanas naturais, e de que o imaginário
pretensamente existente no Céu poderia
ser encontrado na Terra.
Dessa forma, o homem transportava para um
ser celestial o ideal de justiça, bondade
e virtude que não conseguia realizar no
plano concreto, real. Com isso os homens
criam os deuses, sujeitos infinitos, em
escala absoluta e universal atribuindo a
eles a criação de si, passando
automaticamente a constituir-se como um
ser alienado no aspecto religioso.
O caráter antidialético e contemplativo
da concepção feuerbachiana do mundo, sua
incompreensão do papel da prática, não
lhe permitiu estender ao materialismo a
interpretação dos fenômenos sociais,
retirando assim do homem a participação
no processo evolutivo, e do contexto
histórico.
Nos Manuscritos Econômicos e
Filosóficos, Marx demarca o fato da
existência do homem ser aquilo o que ele
não é. Afirma ainda que a alienação
religiosa seria gerada pela alienação
econômica fruto do resultado da
realização do trabalho aparecer como a
desrealização do trabalhador, e que o
objeto produzido por este apareceria como
algo estranho e independente a ele, sendo
ainda apropriado pelos donos dos meios de
produção. O trabalho para o proletariado
torna-se um fardo, o meio apenas de
receber um salário, que sacrifica aquele
que gera a riqueza ficando este sob o
paradoxo de ficar mais pobre à medida que
produz mais riquezas. Deixa, portanto, de
ser uma necessidade humana ao assumir um
caráter hostil e exterior a ele,
arruinando com isso o seu espírito. O
homem só se sentiria à vontade longe do
trabalho. No modo de produção
capitalista, a atividade produtiva se
transformou em social, pertencendo à vida
genérica do homem. Na proporção em que
o homem está alienado do seu ser
genérico aliena-se de outro estando todos
alienados da essência humana.
Marx ao fazer a crítica à alienação
busca preparar a ultrapassagem para uma
nova sociedade, a comunista, onde haja o
retorno do homem a si mesmo, onde haja a
abolição da propriedade privada que é
criada e criadora do trabalho alienado. O
trabalho no capitalismo é desprovido de
significado.
A condição para o entendimento de
alienação não se dá fora da esfera do
trabalho. A humanidade subjugada pela
alienação, forma degradada de
objetivação, imposta pelo capital, se
desumaniza, tornando-se mero objeto da
grande fábrica capitalista.
Historicamente, o estranhamento se deu sob
as mais variadas maneiras, seja na forma
mercadoria, na religião, nas artes,
através do Estado etc. No mundo
capitalista contemporâneo o impacto que a
alienação assume nas amplas massas de
desempregados, terceirizados, precários
etc reveste-se de formas ampliadas e
distintas, seja através do aumento da
violência, da rejeição da vida social,
na busca de outras formas de identidade,
como por exemplo de facções, gangues,
"tribos" etc, denotando uma
situação em que as normas sociais que
regulam o comportamento individual não
são mais reconhecidas como válidas; a
ausência mesmo de um sistema ético,
impedindo o bom funcionamento da
sociedade, sua coesão e ordem. O
indivíduo alienado sente-se objeto, e
não sujeito da política. Surge o
sentimento de impotência política com
sua respectiva sensação de isolamento e
distância entre os indivíduos e a esfera
pública. O homem deixa de se realizar
nesta esfera e passa a negar sua natureza.
Instaura-se uma discrepância entre as
expectativas do indivíduo e a maneira
como o sistema social efetivamente
funciona.
A impotência surge com o sentimento do
sujeito de que os resultados independem de
seu controle pessoal, determinados que
são por fatores externos. A alienação
política reforça o sentimento de
ausência de sentido da política, ou
seja, a percepção de que as decisões
políticas são imprevisíveis, regidas
por um padrão aleatório e pelo
funcionamento do mundo público que amplia
sistematicamente a crença generalizada no
comportamento ilegal e imoral dos
representantes políticos.
No entendimento de que a alienação é um
processo na luta de classes, a
desalienação deve ser investigada sob as
suas atuais configurações, para que
possamos compreender o mundo real e suas
formas de resistência e transformá-lo
para um mundo além do capital.
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José
Arnaldo Gama da Silva, membro do
Comitê Municipal do Rio de Janeiro Membro
da O. B. Uerj
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