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É com
satisfação que participo do processo de
construção do 11º Congresso do Partido
Comunista do Brasil. Satisfação maior em
perceber claramente que o Partido
sofisticou o seu arcabouço analítico,
realizando uma interpretação mais
fecunda da realidade sócio-histórica
brasileira e do modo de produção
capitalista contemporâneo.
Esse esforço de aprofundar a compreensão
da realidade social objetiva deve ser
constante, tanto dos órgãos de direção
quanto dos militantes de base. É uma
necessidade revolucionária inserida
cotidianamente no processo da luta de
classes. Por ser um processo, significa
que está dialeticamente em constante
transformação. Daí a necessidade
imperiosa do esforço teórico para que a
nossa intervenção no real não caia numa
conduta petrificante, estagnante e
deslocada da objetividade, restringindo
drasticamente a nossa capacidade de
intervenção nos movimentos sociais.
Assim, penso em contribuir com o debate
nesta tribuna levantando alguns
questionamentos e fazendo alguns
apontamentos.
Primeiramente, quero chamar a atenção
para o uso de certa palavra, muito em voga
em nossos textos. Em vários documentos
partidários, nessa resolução e em
vários artigos de camaradas surge
constantemente o adjetivo correto para
qualificar uma análise realizada. Tal
adjetivação significa em nossa linguagem
escrita e corrente, conforme indica-nos o
dicionário Houaiss da língua portuguesa,
"isento de falha, erro ou
defeito", isto é,
"perfeito". Pode ser que não
seja a intenção, mas passa a idéia em
quem lê, principalmente em quem não é
do Partido, porém é próximo, de uma
certa arrogância, uma certeza absoluta,
inequívoca na interpretação
concretizada. Ora, tal postura já trouxe
imensos prejuízos ao movimento
revolucionário mundial. Muitas
"certezas" de outrora já
demonstraram ser simples dogmatismos
mecanicistas. Não estou afirmando com
isso que os documentos do 11º Congresso
estão eivados de dogmatismo. Muito ao
contrário, como já mencionei no início
deste texto. Porém, passa muitas vezes
tal idéia porque a análise feita é correta. O marxismo deve ser avesso a
certezas absolutas. Isso não significa
que muitas formulações teóricas nesse
campo perderam a sua validade elaborativa
porque o tempo passou em demasia. O objeto
do nosso âmbito de investigação, isto
é, o capital, guarda vínculos
fundamentais com a caracterização
fecunda feita pelo velho Marx, mesmo tendo
se modificado rápido e drasticamente ao
longo do século XX. Não obstante, o
marxismo é uma concepção interpretativa
que põe constantemente à prova da
realidade as suas próprias formulações.
De qualquer forma a realidade é muito
mais ampla, complexa e dinâmica que
quaisquer construções teóricas, por
mais fecundas e impregnadas pelo próprio
movimento do real.
Assim,
sugiro que tomemos mais cuidado em nossas
construções textuais, indicando que as
pomos ao confronto com outras análises.
Nossas elaborações teóricas não podem
passar a idéia de uma análise fechada,
acabada e nossa interpretação da
contemporaneidade não pode aparentar uma
leitura talmúdica dos clássicos. Sem
absolutizar o uso e sem defender a
execração do adjetivo supracitado, penso
que isso nos facilitará atrair a
atenção da intelectualidade progressista
e marxista que está fora do Partido.
Poderá orientar melhor a militância no
embate cotidiano, até para denunciar o
dogmatismo de certas correntes de esquerda
que perambulam por aí fazendo de suas
ações políticas dogmas de fé parecidos
com as Cruzadas.
Alterando
a temática, considero que o artigo 22
deva ser desdobrado, analisando em maior
profundidade as características do
capitalismo contemporâneo. Afirmações
como "Ampliaram-se as trocas
internacionais, sobretudo nos marcos do
comércio intrafirmas, que atingiu cerca
de 40% do comércio global"
necessitam de um melhor tratamento visto
se tratar do consumo e da realização do
capital. Pela ótica da teoria marxiana, o
salário é a forma de recompor ao mínimo
necessário a mercadoria força de
trabalho, ou seja os custos da mesma.
Parece-me, assim, que se pode inferir que
o principal consumo impulsionador do
processo de reprodução e acumulação do
capital é o feito entre a própria
burguesia. Ou seja, será que o capital
necessita cada vez menos do consumo dos
assalariados para ser acumulado e por isso
elimina, sem problemas para a sua
expansão, um grande contingente mundial
de homens e mulheres do mercado de
trabalho? São temas que, do meu ponto de
vista, requerem maior estudo e
caracterização.
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Abilio
Wayand, membro da direção municipal
do PCdoB em Petrópolis e da organização
de base do Quarteirão Brasileiro-Retiro
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