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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

21 de setembro de 2005

EUROPA

Partido da Esquerda na Alemanha dobra apoio eleitoral e supera Verdes

 

No último domingo (19 de setembro) foram realizadas eleições gerais para o parlamento da República Federal da Alemanha. Os resultados não foram bons para os grandes meios de comunicação nem para os seus proprietários.

A razão disso é a espetacular ascensão do Partido da Esquerda (Na imagem, o sítio da agremiação), que não tinha representação parlamentar por causa da cláusula de barreira, de 5%,  e que, agora, é a quarta força eleitoral.

Totalizando 9% dos votos (8,7%), o Partido da Esquerda (resultado da união entre o antigo Partido do Socialismo Democrático com os dissidentes da Social Democracia) conseguiu resultados excelentes no leste do país e no estado do Sarre, o que permitiu superar o Partido Verde, força que participa do atual governo do país.

Uma das conclusões tiradas da eleição é de que a parte oriental do país, onde se localizava a Alemanha Democrática, torna-se cada vez mais vermelha. Isso se deve ao Partido Social Democrata (SPD), do chanceler Gerhard Schröder, ter mantido sua posição de primeira força nos seis estados orientais, com 30,5% dos votos, mas tendo perdido 9 pontos percentuais, que caíram no colo do Partido da Esquerda (Die Linke - DL).

Esse partido incorporou a dissidência social-democrata do oeste do país, liderada por Oskar Lafontaine, inimigo número um do chanceler, que abandonou o governo por causa da política neoliberal adotada pela coalizão governista. O Partido da Esquerda obteve 25,3% dos votos na ex-Alemanha Oriental, cerca de 8,5% a mais que o resultado obtido pelo PDS em 2002.

Com a entrada no parlamento de um partido que se opõe ao desmantelamento do chamado "estado de bem-estar social", ficam enfraquecidos os planos de se aplicar uma dura política neoliberal na nação mais importante da União Européia.

Campanha bem sucedida

O Partido da Esquerda anunciou que não apoiaria a chamada Agenda 2010, conjunto de reformas socioeconômicas posta em marcha pela coalizão vermelha-verde do chanceler Schröder, defendendo também a retirada dos soldados alemães do Afeganistão.

"São exigências que não podemos renunciar, porque isso seria trair nossos eleitores", destacou o dirigente Gregor Gysi. "No momento não temos aliados para levar adiante uma política comum, portanto não haverá apoio, nem permissividade, nem tolerância".

O isolamento político e midiático do Partido da Esquerda demonstra também que ele é a única força de oposição às políticas neoliberais que afligem os trabalhadores alemães há mais de 3 décadas.

O sucesso eleitoral também mostra como foi trilhado o caminho do êxito: uma política de esquerda honesta, clara e de defesa dos mais desfavorecidos, mais o compromisso de que a participação eleitoral não é dirigida à busca de pactos eleitorais nem de cargos públicos para seus dirigentes.

Verdes desbotaram

Diante do sucesso eleitoral do antigo partido dirigente da Alemanha Democrática e dos dissidentes do SPD, baseado em uma estratégia eleitoral habilidosa, torna-se significativo o silêncio da mídia em relação ao estupendo fracasso do Partido Verde.

De terceira força política, passa a ocupar a quinta posição, atrás dos liberais e do Partido da Esquerda. Apesar de ser a quinta força, os Verdes continuam cortejados, não só pelos social-democratas, como também pela direita dos democrata-cristãos (CDU) para a composição de um governo de coalizão, junto com o Partido Liberal Democrático (FDP).

Os dois grandes partidos — SPD e CDU — aceitam negociar pactos com qualquer força política, menos o Partido da Esquerda, por esse ter mantido uma posição abertamente contra as políticas neoliberais defendidas pelos atuais donos do poder na Alemanha.

Fonte: Rebelión



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