|
No último domingo
(19 de setembro) foram realizadas eleições gerais para o
parlamento da República
Federal da Alemanha. Os resultados não
foram bons para os grandes meios de comunicação
nem para os seus proprietários.
A razão disso é a espetacular
ascensão do Partido da Esquerda
(Na imagem, o sítio da agremiação),
que não tinha representação
parlamentar por
causa da cláusula de barreira, de
5%, e que, agora, é a
quarta força eleitoral.
Totalizando 9% dos votos (8,7%), o Partido da Esquerda (resultado da união
entre o antigo Partido do Socialismo Democrático com os dissidentes da Social
Democracia) conseguiu resultados
excelentes no leste do país e no
estado do Sarre, o que permitiu superar
o Partido Verde, força que participa
do atual governo do país.
Uma das conclusões tiradas da
eleição é de que
a parte oriental do país, onde
se localizava a Alemanha Democrática,
torna-se cada vez mais vermelha. Isso
se deve ao Partido Social Democrata
(SPD), do chanceler Gerhard Schröder,
ter mantido sua posição de primeira
força nos seis estados orientais,
com 30,5% dos votos, mas tendo perdido 9 pontos
percentuais, que caíram no colo
do Partido da Esquerda (Die Linke - DL).
Esse partido incorporou a dissidência
social-democrata do oeste do país,
liderada por Oskar Lafontaine, inimigo
número um do chanceler, que abandonou
o governo por causa da política
neoliberal adotada pela coalizão
governista. O Partido da Esquerda obteve
25,3% dos votos na ex-Alemanha Oriental,
cerca de 8,5% a mais que o resultado obtido
pelo PDS em 2002.
Com a entrada no parlamento de um partido
que se opõe ao desmantelamento
do chamado "estado de bem-estar
social",
ficam enfraquecidos os planos de se aplicar
uma dura política neoliberal na
nação mais importante da União
Européia.
Campanha bem sucedida
O Partido da Esquerda
anunciou que não apoiaria a chamada
Agenda 2010, conjunto de reformas
socioeconômicas
posta em marcha pela coalizão vermelha-verde
do chanceler Schröder, defendendo
também a retirada dos soldados
alemães do Afeganistão.
"São exigências que
não podemos renunciar, porque isso
seria trair nossos eleitores", destacou
o dirigente Gregor Gysi. "No momento
não temos aliados para levar adiante
uma política comum, portanto não
haverá apoio, nem permissividade,
nem tolerância".
O isolamento político e midiático
do Partido da Esquerda demonstra também que ele
é a única força de
oposição às políticas
neoliberais que afligem os trabalhadores
alemães há mais de 3 décadas.
O sucesso eleitoral também
mostra como foi trilhado o caminho do êxito: uma política
de esquerda honesta, clara e de defesa
dos mais desfavorecidos, mais o
compromisso
de que a participação eleitoral
não é dirigida à
busca de pactos eleitorais nem de cargos
públicos para seus dirigentes.
Verdes desbotaram
Diante do sucesso eleitoral do antigo
partido dirigente da Alemanha Democrática
e dos dissidentes do SPD, baseado em uma estratégia
eleitoral habilidosa, torna-se significativo
o silêncio da mídia em relação
ao estupendo fracasso do Partido Verde.
De terceira força política,
passa a ocupar a quinta posição,
atrás dos liberais e do Partido
da Esquerda. Apesar de ser a quinta força,
os Verdes continuam cortejados, não
só pelos social-democratas, como
também pela direita dos
democrata-cristãos (CDU) para
a composição de um governo
de coalizão, junto com o Partido
Liberal Democrático (FDP).
Os dois grandes partidos — SPD e CDU — aceitam negociar
pactos com qualquer força
política, menos o Partido da Esquerda,
por esse ter mantido uma posição
abertamente contra as políticas
neoliberais defendidas pelos atuais donos
do poder na Alemanha.
Fonte: Rebelión
|