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Brasil, sábado, 11 de outubro de 2008

15 DE SETEMBRO DE 2005

MEMÓRIAS DO ARAGUAIA

Ideli acusa Bolsonaro de quebra
de decoro no episódio do coronel


A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) pediu nesta quarta-feira (14) à liderança do PT na Câmara dos Deputados que faça uma representação contra o deputado e militar da reserva Jair Bolsonaro (PP-RJ), no Conselho de Ética, por quebra de decoro parlamentar.
Durante o depoimento de José Genoino à CPI da Compra de Votos, na terça-feira, Bolsonaro levou à sala o tenente-coronel do Exército Lício Augusto Ribeiro, que prendeu e interrogou em 1972 o então guerrilheiro do Araguaia José Genoino. O militar, hoje na reserva, sentou-se no plenário para acompanhar a sessão em uma das cadeiras reservadas aos parlamentares.

“Ele levou o coronel para constranger José Genoino. Foi um atentado contra a CPI. Foi lamentável o comportamento do deputado Bolsonaro. Este cidadão representa o momento mais amargo e sofrido da nossa história recente, com prisões arbitrárias e torturas”, afirmou a senadora.

Expulsos da sessão

No episódio da CPI da Compra de Votos, porém, a provocação voltou-se contra o provocador. O senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, alertou Ideli Salvati e o presidente da CPI, Amir Lando (PMDB/RR). Lando dirigiu-se discretamente a Bolsonaro e pediu a ele que se retirasse da sala com o coronel. Diante da recusa de ambos, voltou a sentar-se na mesa da CPI e disse ao microfone que a sessão não poderia continuar com a presença do militar. "É uma forma de humilhação", disse Lando. O impasse criado pelo presidente da sessão fez com que Lício e Bolsonaro saíssem da sala sem se manifestar.

Após ouvir discursos em seu favor, proferidos por vários parlamentares, entre eles o líder do governo, senador Aloízio Mercadante (PT/SP), José Genoino não manifestou revolta em relação ao episódio, permaneceu sereno e ficou de cabeça baixa fazendo anotações em uma caderneta, enquanto outros parlamentares protestavam contra a atitude de Bolsonaro. Segundo Genoíno, “manifestações isoladas como esta não podem e nem devem atingir o conjunto das Forças Armadas”. Ele agradeceu a manifestação dos parlamentares e disse que não se sentiu agredido pela atitude do militar.

Ao final de seu depoimento, Genoino deixou de responder ao último questionamento feito por Bolsonaro. Ao ser perguntado sobre o que teria levado os deputados a aprovarem propostas, como a reforma da Previdência, se o governo não liberava emendas parlamentares em troca de apoio, Genoino respondeu apenas: “o meu relacionamento com o senhor é o silêncio mútuo em nome da ética".

Colaborou,
de Brasília,
Rita Polli

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