A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) pediu
nesta quarta-feira (14) à liderança
do PT na Câmara dos Deputados que
faça uma representação
contra o deputado e militar da reserva
Jair Bolsonaro (PP-RJ), no Conselho de
Ética, por quebra de decoro parlamentar.
Durante
o depoimento de José Genoino à
CPI da Compra de Votos, na terça-feira,
Bolsonaro levou à sala o tenente-coronel
do Exército Lício Augusto
Ribeiro, que prendeu e interrogou em 1972
o então guerrilheiro do Araguaia
José Genoino. O militar, hoje na
reserva, sentou-se no plenário
para acompanhar a sessão em uma
das cadeiras reservadas aos parlamentares.
“Ele
levou o coronel para constranger José
Genoino. Foi um atentado contra a CPI.
Foi lamentável o comportamento
do deputado Bolsonaro. Este cidadão
representa o momento mais amargo e sofrido
da nossa história recente, com
prisões arbitrárias e torturas”,
afirmou a senadora.
Expulsos
da sessão
No
episódio da CPI da Compra de Votos,
porém, a provocação
voltou-se contra o provocador. O senador
Arthur Virgílio (AM), líder
do PSDB, alertou Ideli Salvati e o presidente
da CPI, Amir Lando (PMDB/RR). Lando dirigiu-se
discretamente a Bolsonaro e pediu a ele
que se retirasse da sala com o coronel.
Diante da recusa de ambos, voltou a sentar-se
na mesa da CPI e disse ao microfone que
a sessão não poderia continuar
com a presença do militar. "É
uma forma de humilhação",
disse Lando. O impasse criado pelo presidente
da sessão fez com que Lício
e Bolsonaro saíssem da sala sem
se manifestar.
Após
ouvir discursos em seu favor, proferidos
por vários parlamentares, entre
eles o líder do governo, senador
Aloízio Mercadante (PT/SP), José
Genoino não manifestou revolta
em relação ao episódio,
permaneceu sereno e ficou de cabeça
baixa fazendo anotações
em uma caderneta, enquanto outros parlamentares
protestavam contra a atitude de Bolsonaro.
Segundo Genoíno, “manifestações
isoladas como esta não podem e
nem devem atingir o conjunto das Forças
Armadas”. Ele agradeceu a manifestação
dos parlamentares e disse que não
se sentiu agredido pela atitude do militar.
Ao
final de seu depoimento, Genoino deixou
de responder ao último questionamento
feito por Bolsonaro. Ao ser perguntado
sobre o que teria levado os deputados
a aprovarem propostas, como a reforma
da Previdência, se o governo não
liberava emendas parlamentares em troca
de apoio, Genoino respondeu apenas: “o
meu relacionamento com o senhor é
o silêncio mútuo em nome
da ética".
Colaborou,
de Brasília,
Rita Polli
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