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Os cinco
heróis presos nos EUA |
Em 9 de agosto último, sete anos depois
do julgamento em Miami, o 11° Circuito da
Corte de Apelações revogou as sentenças
dadas aos cinco heróis cubanos — René
González, Gerardo Hernández, Fernando
González, Ramon Labañino e Antonio Guerrero
— alegando que o processo não foi justo e
que o juízo dado pelo tribunal local foi
parcial, submerso pelo preconceito contra o
governo do presidente Fidel Castro.
A notícia de que os Cinco poderão passar
por um julgamento dentro de uma atmosfera
"imparcial" e justa, diferente da que
aconteceu em Miami em 1998, foi celebrada em
Cuba em todo o mundo, onde milhares pediram
justiça durante todos estes anos.
Desde o dia 10 de março de 2004, três
juízes americanos estavam encarregados pelo
11ª Mesa da Corte de Apelações de Atlanta de
revisar o caso de Gerardo Hernández, René
González, Ramón Labañino, Antonio Guerrero e
Fernando González. Ao fim de quase 17 meses,
após revisar um grande número de documentos,
os juízes determinaram, por unanimidade,
revogar as sentenças contra Os Cinco (como
ficaram publicamente conhecidos). Revogando
a sentença, foi ordenado um novo julgamento.
O Vermelho se solidariza com Os
Cinco e está recolhendo assinaturas para o
abaixo-assinado organizado pelo Comitê de
Solidariedade aos Cinco no Brasil que pede
um julgamento justo e a sua libertação.
Clique aqui para assinar:
http://www.vermelho.org.br/especial/5patriotas/lista.asp
Como eles foram presos
Em 1998, os Cinco Heróis cumpriam uma
missão antiterrorista em Miami. Estavam
investigando grupos de extrema-direita no
sul da Flórida. Durante pelo menos quatro
décadas, aproximadamente 3,5 mil pessoas
foram mortas e mais de 2,1 mil foram feridas
em ataques contra Cuba, incluindo aí os
ataques terroristas de 1997 em Havana,
quando um turista foi morto e outros 12
acabaram feridos. Quando o governo cubano
compartilhou importantes informações
descobertas pelos cinco agentes com o FBI,
em junho do mesmo ano, os federais
americanos ignoraram todas as denúncias
sobre os grupos terroristas.
Os Cinco, então, foram detidos em
setembro de 1998 e, após 17 meses de
confinamento em solitárias, foram submetidos
a um julgamento considerado pelos americanos
"repleto de irregularidades". De acordo com
as sentenças, Gerardo cumpre dupla prisão
perpétua e 15 anos de prisão, Ramón e
Antonio, cadeia perpétua mais 18 anos para o
primeiro e 10 para o segundo. Fernando foi
condenado a 19 anos e Renê, 15.
Após o julgamento em Miami, conduzido em
uma atmosfera de hostilidade intensa,
anti-castrista e caracterizada pelos
advogados de defesa como legalmente
corrompida, os cinco heróis foram condenados
e sentenciados de forma draconiana. Os cinco
agentes foram presos e espalhados pelas
prisões federais do país, onde receberam
tratamento duríssimo, incluindo períodos de
permanência em solitária e jamais puderam
receber as visitas de seus familiares.
Os cinco são vistos em Cuba e no resto do
mundo como cinco heróis. A liberdade deles
foi objeto de uma campanha mundial. O Comitê
Nacional pela Liberdade dos Cinco Cubanos,
nos EUA, disse que a decisão recente dos
juízes é "uma sensacional decisão, uma
vitória para os Cinco Heróis para o povo
cubano e para os internacionalistas que
apóiam a causa dos Cinco".
Terrorismo proibido
Até agora, os advogados dos cinco haviam
tido negados, por cinco vezes, seus pedidos
de julgamento em outras cidades. Miami é uma
cidade onde grande parte da comunidade no
exílio está engajada em atividades
antiterroristas há décadas. As ações são
conhecidas e públicas, inclusive do Estado
norte-americano. A violência contra Cuba é
disseminada por pequenos círculos fortemente
ativos.
Orlando Bosch, terrorista comparsa de
Posada Carriles, ambos ex-funcionários da
CIA e responsável pela derrubada de um avião
de passageiros cubanos da Cubana de Aviación
em 1976 no qual morreram 73 pessoas, anda
pelas ruas de Miami, embora o departamento
de Justiça dos EUA o tenha qualificado certa
vez como um dos mais perigosos terroristas
do hemisfério ocidental.
O julgamento dos Cinco ocorreu sob uma
grande violação dos seus direitos de serem
julgados longe da influência dos exilados
cubanos. Fazer o julgamento ali foi
determinante para não só sua condenação como
para as elevadas penas.
No começo de 2005, uma comissão da ONU
também condenou a prisão dos cinco cubanos
nos Estados Unidos. "É arbitrária e viola o
direito internacional", afirmou uma
declaração da comissão que destaca que aos
cinco foi negado o acesso total a evidências
e seus advogados. Em seu veredito, a
comissão decidiu que o julgamento não
decorreu com objetividade e imparcialidade
necessárias.
Cidadãos comuns
Os jovens cinco profissionais que
decidiram dedicar suas vidas, longe de sua
pátria, a luta contra o terrorismo na cidade
de Miami, centro principal das agressões
contra Cuba, são: Antonio Guerreiro
(Miami, 1958), engenheiro, poeta, tem dois
filhos.
Fernando González (Havana, 1963), casado,
graduado pelo Instituto de Relações
Internacionais (IRI) do Ministério de
Relações Exteriores de Cuba.
Gerardo Hernandéz (Havana, 1965), casado,
graduado do IRI, caricaturista.
Ramón Labañino (Havana, 1963), casado, três
filhas, graduado em licenciatura em economia
na Universidade de Havana.
René González (Chicago, 1956), casado, duas
filhas, piloto e instrutor de vôo.
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