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Pesquisa
Ibope divulgada ontem (22) à noite pelo
Jornal Nacional da TV Globo revelou que a
avaliação do governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva caiu em relação a
pesquisas anteriores. De acordo com a
pesquisa, em junho, o índice de aprovação
do governo Lula era de 55%. No mês
passado, o índice oscilou negativamente
para 54%. Em agosto, o percentual foi para
45%.
A queda
ocorre no momento em que o governo é alvo
de ataques diários e intensos por parte da
grande imprensa e da oposição.
Esta é a terceira pesquisa realizada pelo
Ibope depois da eclosão da atual crise
política. A sondagem teria sido feita
entre os dias 18 e 22 deste mês e a margem
de erro é de 2,2 pontos, para mais ou para
menos, com um intervalo de confiança de
95%. Foram entrevistadas 2.002 pessoas em
143 municípios do país. A pesquisa foi
realizada por iniciativa do IBOPE Opinião.
Segundo o
Ibope, em junho e em julho o percentual de
pessoas que desaprovavam o governo Lula
era de 38%. Em agosto, 45% dos
entrevistados disseram que desaprovam o
governo.

O índice
dos entrevistados que consideram o governo
Lula ótimo ou bom também caiu. Em junho,
eram 35%. No mês seguinte, o índice
oscilou positivamente para 36% e, em
agosto, o percentual caiu para 29%.
A pesquisa Ibope apontou ainda crescimento
no índice de pessoas que consideram o
governo Lula ruim ou péssimo. Em junho,
22% dos entrevistados consideravam o
governo ruim ou péssimo. O percentual
osciliou para cima em julho --24% -- e
chegou a 31% neste mês.
Entre os
entrevistados, 43% afirmaram que continuam
confiando no presidente. O índice é
inferior em comparação com os dois meses
anteriores. Em junho, 56% disseram ter
confiança no presidente. No mês seguinte,
o índice passou para 53%.

Ainda de
acordo com a pesquisa, 52% dos
entrevistados afirmaram que não confiam no
presidente. Em junho, o percentual era de
38% e, em julho, era 42%.
Dilma: pesquisa reflete ataques diários
A
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, afirmou ontem, em São Paulo, que
diante da crise política que o governo
enfrenta, o resultado da pesquisa Ibope,
'é bastante interessante'. E acrescentou:
'Até porque vocês (jornalistas) têm de
convir que o governo está submetido a uma
pressão de mídia diária, 24 horas por dia,
e nos últimos dois meses, de forma
bastante intensa. Acho até que o nosso
desempenho tem sido muito bom", disse.
Apesar do
comentário, a titular da Casa Civil
assegurou que o governo se preocupa.
Integrante do grupo de 22 deputados da
esquerda do PT, Chico Alencar (RJ)
considerou que a pesquisa do Ibope é mais
um indicativo de que o PT e o governo
precisam dar respostas à altura da
gravidade da crise. "Apesar de todo o
carisma do Lula, no qual ele apostou
bastante ultimamente, a curva é
descendente e preocupante. das denúncias e
a péssima reação do PT e do governo
provocaram isso", disse o parlamentar, que
classifica de "uma grande chacoalhada"' a
pesquisa.
Lula só perderia para Serra
O Ibope
também fez uma uma simulação das eleições
presidenciais. Num dos quadros
apresentados aos eleitores, haveria um
empate técnico no primeiro turno entre o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
José Serra, com vantagem de um ponto
percentual para o prefeito de São Paulo
(30% contra 29%). Anthony Garotinho
ficaria em terceiro com 10%. Os outros
candidatos (Cesar
Maia, Garotinho, Heloísa Helena e
Mangabeira Unger) teriam, juntos, 7%.
Votos brancos ou nulos somariam 18% e 6%
dos entrevistados não souberam ou não
opinaram.
Numa outra simulação, Lula ganharia com
32%, seguido por Garotinho (17%) e pelo
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin
(11%). Os outros candidatos somariam 10%,
enquanto seriam 22% de votos brancos ou
nulos. Já 8% não souberam ou não opinaram.
A
diferença entre Serra e Lula se acentuou
nos entrevistados com nível superior de
escolaridade: 33% responderam que votariam
no tucano e 25% no petista. Nesta faixa,
Heloísa Helena superou Garotinho (7% para
a senadora contra 5% para o ex-governador
do Rio).
Se o governador paulista Geraldo Alckmin
estivesse na disputa, como candidato
tucano, Lula venceria a eleição no
primeiro turno, com 32% do total, seguido
de Garotinho, com 17%. Alckmin ficaria em
terceiro, com 11%.
No exame das intenções de voto por região
no primeiro turno, Serra disparou no Sul,
com 37% contra 21% de Lula. Mas seria
derrotado pelo presidente no Sudeste (27%
para o petista contra 24%). No Nordeste,
onde nasceu o presidente e está
concentrada parte significativa das ações
sociais do governo, Lula também ficaria na
frente (38% contra 35%).
Num possível segundo turno entre Lula e
Serra, a vitória seria do prefeito de São
Paulo (44% contra 35%). Brancos e nulos
somariam 17%, enquanto 4% não souberam ou
não opinaram.
Já contra Garotinho, o presidente Lula
teria 40% dos votos, segundo a pesquisa
Ibope, enquanto o adversário ficaria com
31%. Brancos e nulos atingiriam 23% e 5%
não souberam ou não opinaram.
Na disputa com Alckmin, a vantagem de Lula
seria de 42% contra 31%. Brancos e nulos
somariam 21% e 6% não souberam ou não
opinaram.
Em todas as simulações constata-se um
grande número de eleitores que pretendem
votar em branco ou nulo, o que pode ser um
indicativo de que a atual onda de
denuncismo que tomou conta do país está
produzindo mais eleitores desiludidos com
os políticos de maneira geral do que
dispostos a apoiar partidos de oposição
nas próximas eleições.
Estranhos acontecimentos
A
divulgação de pesquisas de opinião que
envolvem o presidente Lula e seu governo
ganharam importância nos últimos meses
pois revestem-se de caráter quase
plebiscitário. Tanto a oposição quanto o
governo planejam seus passos diante da
crise de olho na evolução da percepção
popular demonstrada nas pesquisas. Vários
parlamentares do PSDB e do PFL já
afirmaram, mais de uma vez, que a abertura
de um processo de impeachment contra Lula
dependeria dos resultados destas
pesquisas.
Por isso
mesmo, chama atenção alguns acontecimentos
envolvendo as pesquisas e veículos de
comunicação.
Causa
estranheza, por exemplo, o fato da quase
totalidade da imprensa ter ignorado a
divulgação, na edição eletrônica da
revista Isto É, de uma pesquisa
Ibope feita nos dias 13 a 17 de agosto,
com o mesmo número de entrevistados e nas
mesmas 143 cidades da pesquisa divulgada
ontem mas que aponta números bem
diferentes daqueles divulgados no site da
Isto É. Além da revista, o
Vermelho talvez tenha sido o único
site a repercutir esta pesquisa. Clique
aqui
para ler.
O leitor
há de concordar que é no mínimo estranho
que o Ibope tenha feito duas pesquisas
diferentes sobre o mesmo assunto, na mesma
semana, nas mesmas cidades e com o mesmo
número de pessoas e essas pesquisas
apresentem resultados diferentes, fora da
margem de erro.
E este não
foi o único episódio mal explicado
envolvendo pesquisas de opinião. O
Vermelho também
registrou no mês passado a
inédita ausência no noticiário da Rede
Globo sobre a pesquisa CNT Sensus que
apontava o presidente Lula com
popularidade ainda em alta. Na ocasião, ao
contrário do que sempre fez nas 76 rodadas
anteriores da pesquisa CNT/Sensus, o Jornal
Nacional e demais telejornais da Globo
simplesmente ignoraram a pesquisa e não
deram nenhuma matéria sobre ela.
Também
carece de explicação o fato do jornalista
Ricardo Boechat ter dito, no dia 17 de
agosto, durante o jornal da Band, que
"pela primeira vez" uma pesquisa do Ibope
mostrava Lula perdendo para todos os
possíveis candidatos do PSDB. "Isso inclui
José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando
Henrique Cardoso. E a vantagem dos tucanos
é significativa. Principalmente a de
Serra. No confronto com o atual prefeito
de São Paulo a diferença contra Lula já é
superior a 20 pontos percentuais", disse
Boechat. Que pesquisa é essa a que Boechat
se referia? Ninguém sabe, ninguém viu.
São fatos
que, no mínimo, servem para colocar um
ponto de interrogação sobre a real
representatividade dos números
apresentados.
Da redação
Cláudio Gonzalez
Clique
aqui para baixar a íntegra da pesquisa
Ibope divulgada ontem.
(Arquivo PDF - 213Kb)
Clique
aqui para ver um gráfico completo dos
principais números da pesquisa
(Arquivo GIF - 58Kb) |