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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

18 DE AGOSTO DE 2005

NOVA SELIC É A VELHA

Copom não baixa o juro de 19,75%;
CUT pede demissão de Meirelles


As reações à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa básica de juros Selic em 19,75% ao ano, gerou protestos mais enérgicos do que de hábito, apesar do noticiário dominado pela crise política. A nota da CUT é a que vai mais longe. O presidente Lula "deveria demitir o presidente do Banco Central", Henrique Meirelles, diz o curto texto, assinado por João Felício, que assumiu a presidência da central no último dia 29.

Como de costume, o Banco Central, ao qual está subordinado o Copom, ao fim da reunião limitou-se a uma informação de uma frase: “Avaliando as perspectivas para a trajetória da inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 19,75% ao ano, sem viés”.

Juro real maior do mundo: 14,16%

A taxa de juros nominal se mantém pelo terceiro mês consecutivo, em 19,75%. Mas a taxa real fica ainda mais elevada, já que a inflação está em baixa. No mês passado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 0,25%. Em consequência, o Brasil se distancia como país detentor da mais alta taxa real de juros do mundo — 14,16% ao ano. A média mundial dos juros é de 1,37% ao ano. A média dos países em desenvolvimento é de 2,36%. É um "obstinado campeão dos juros altos", ironizou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

A indignação só não foi maior porque a maioria das previsões aponta que em setembro, antes tarde do que nunca, e apesar das pressões sobre o preço dos combustíveis, não é possível que o BC não inicie um recuo. Veja as principais manifestações sobre a decisão do Copom, na área sindical e na do chamado capital produtivo.

CUT: Fora Meirelles
"Novamente o Copom toma uma decisão contra o desenvolvimento do país e a favor do desemprego. Somente o sistema financeiro é beneficiado por essa política de juros altos. O presidente da República deveria demitir o presidente do Banco Central e ampliar definitivamente o Conselho Monetário Nacional." João Felício, presidente nacional da CUT e Direção Nacional da CUT

Força Sindical: "Continua a decepcionar"
"É um desastre para a economia brasileira a taxa de juros de 19,75%. O governo continua a dar claras mostras que privilegia especuladores em detrimento da produção e o emprego. A somatória da crise política com os juros em patamares estratosféricos vai prejudicar milhões de trabalhadores que entram em campanha salarial neste segundo semestre. Estamos presenciando um governo desnorteado e sem um projeto capaz de conduzir o país. Os juros neste patamar ajudam a criar um clima de incerteza e pessimismo para o setor produtivo. A continuar com este programa voltado para a especulação, vamos ter um ano com recorde de lucro para os bancos e especuladores. Um governo, que foi eleito sob o signo da mudança, virou as costas para os trabalhadores e continua a decepcionar a sociedade brasileira." Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical

Fiesp: Selic "desrespeita inteligência"
“Mais do que nunca, os setores produtivos e a sociedade devem lamentar a renitência do Copom quanto à política de juros altos, ao manter a Selic em 19,75%”, afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, explicando: “O órgão, mais uma vez, perdeu excelente oportunidade de estimular o nível de atividades, neste momento em que a crise política, desencadeada pelas lamentáveis denúncias de corrupção”. Para o presidente da federação patronal da indústria paulista, “é intolerável a teimosia do Copom de manter a escalada dos juros, elevando a extremos a frustração e desrespeitando a inteligência dos brasileiros com explicações que não convencem”. Skaf lembra que a Selic mantida em 19,75% em agosto aumenta ainda mais a taxa real de juros da economia nacional. “Como obstinado campeão dos juros altos, o Brasil, já recordista mundial, consegue ultrapassar sua fantástica marca anterior”, conclui o presidente da Fiesp.

CNI: Copom "ignorou os parâmetros"
"A CNI avalia que tanto o comportamento corrente da inflação como sua tendência futura justificariam o início de um ciclo de queda dos juros. Ambos apontam para o alcance da meta de inflação tanto em 2005 como em 2006", diz a nota da entidade nacional do capital industrial.
Para a CNI, "Ainda que a prática conservadora do Banco Central nos últimos anos sugerisse uma postura cautelosa por parte da autoridade monetária, a decisão de manter os juros causou estranheza". "O Copom ignorou os parâmetros utilizados pelo próprio comitê quando da decisão de elevação das taxas de juros no final do ano passado. Com a queda da inflação futura, a taxa real de juros aumenta, mesmo com a taxa nominal inalterada", diz ainda a nota.

Ciesp: conenação "ao crescimento medíocre"
"A direção do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), entidade-gêmea da Fiesp, afirmou que, diante da decisão do Copom, “a possibilidade de reverter o pessimismo do comércio, que cedo ou tarde impactará a indústria, está cada vez mais distante”. “Não é possível que as autoridades monetárias condenem o Brasil a um crescimento medíocre, possivelmente ainda menor que a já deplorável previsão de 3% em 2005, conforme as projeções do mercado”, disse Boris Tabacof, diretor do Ciesp. “O Copom consegue assim bater o seu próprio recorde da maior taxa real de juros do mundo”, ironizou Tabacof.

Com agências

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