As reações à decisão
do Comitê de Política Monetária
(Copom), que manteve a taxa básica
de juros Selic em 19,75% ao ano, gerou
protestos mais enérgicos do que
de hábito, apesar do noticiário
dominado pela crise política. A
nota da CUT é a que vai mais longe.
O presidente Lula "deveria demitir
o presidente do Banco Central", Henrique
Meirelles, diz o curto texto, assinado
por João Felício, que assumiu
a presidência da central no último
dia 29.
Como
de costume, o Banco Central, ao qual está
subordinado o Copom, ao fim da reunião
limitou-se a uma informação
de uma frase: “Avaliando as perspectivas
para a trajetória da inflação,
o Copom decidiu, por unanimidade, manter
a taxa Selic em 19,75% ao ano, sem viés”.
Juro
real maior do mundo: 14,16%
A
taxa de juros nominal se mantém
pelo terceiro mês consecutivo, em
19,75%. Mas a taxa real fica ainda mais
elevada, já que a inflação
está em baixa. No mês passado,
o IPCA (Índice de Preços
ao Consumidor Amplo) foi de 0,25%. Em
consequência, o Brasil se distancia
como país detentor da mais alta
taxa real de juros do mundo — 14,16% ao
ano. A média mundial dos juros
é de 1,37% ao ano. A média
dos países em desenvolvimento é
de 2,36%. É um "obstinado
campeão dos juros altos",
ironizou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
A
indignação só não
foi maior porque a maioria das previsões
aponta que em setembro, antes tarde do
que nunca, e apesar das pressões
sobre o preço dos combustíveis,
não é possível que
o BC não inicie um recuo. Veja
as principais manifestações
sobre a decisão do Copom, na área
sindical e na do chamado capital produtivo.
CUT:
Fora Meirelles
"Novamente o Copom toma uma decisão
contra o desenvolvimento do país
e a favor do desemprego. Somente o sistema
financeiro é beneficiado por essa
política de juros altos. O presidente
da República deveria demitir o
presidente do Banco Central e ampliar
definitivamente o Conselho Monetário
Nacional." João Felício,
presidente nacional da CUT e Direção
Nacional da CUT
Força
Sindical: "Continua a decepcionar"
"É um desastre para a
economia brasileira a taxa de juros de
19,75%. O governo continua a dar claras
mostras que privilegia especuladores em
detrimento da produção e
o emprego. A somatória da crise
política com os juros em patamares
estratosféricos vai prejudicar
milhões de trabalhadores que entram
em campanha salarial neste segundo semestre.
Estamos presenciando um governo desnorteado
e sem um projeto capaz de conduzir o país.
Os juros neste patamar ajudam a criar
um clima de incerteza e pessimismo para
o setor produtivo. A continuar com este
programa voltado para a especulação,
vamos ter um ano com recorde de lucro
para os bancos e especuladores. Um governo,
que foi eleito sob o signo da mudança,
virou as costas para os trabalhadores
e continua a decepcionar a sociedade brasileira."
Paulo Pereira da Silva, presidente da
Força Sindical
Fiesp:
Selic "desrespeita inteligência"
“Mais do que nunca, os setores produtivos
e a sociedade devem lamentar a renitência
do Copom quanto à política
de juros altos, ao manter a Selic em 19,75%”,
afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf,
explicando: “O órgão, mais
uma vez, perdeu excelente oportunidade
de estimular o nível de atividades,
neste momento em que a crise política,
desencadeada pelas lamentáveis
denúncias de corrupção”.
Para o presidente da federação
patronal da indústria paulista,
“é intolerável a teimosia
do Copom de manter a escalada dos juros,
elevando a extremos a frustração
e desrespeitando a inteligência
dos brasileiros com explicações
que não convencem”. Skaf lembra
que a Selic mantida em 19,75% em agosto
aumenta ainda mais a taxa real de juros
da economia nacional. “Como obstinado
campeão dos juros altos, o Brasil,
já recordista mundial, consegue
ultrapassar sua fantástica marca
anterior”, conclui o presidente da Fiesp.
CNI:
Copom "ignorou os parâmetros"
"A CNI avalia que tanto o comportamento
corrente da inflação como
sua tendência futura justificariam
o início de um ciclo de queda dos
juros. Ambos apontam para o alcance da
meta de inflação tanto em
2005 como em 2006", diz a nota da
entidade nacional do capital industrial.
Para
a CNI, "Ainda que a prática
conservadora do Banco Central nos últimos
anos sugerisse uma postura cautelosa por
parte da autoridade monetária,
a decisão de manter os juros causou
estranheza". "O Copom ignorou
os parâmetros utilizados pelo próprio
comitê quando da decisão
de elevação das taxas de
juros no final do ano passado. Com
a queda da inflação futura,
a taxa real de juros aumenta, mesmo com
a taxa nominal inalterada", diz ainda
a nota.
Ciesp:
conenação "ao crescimento
medíocre"
"A direção do Centro
das Indústrias do Estado de São
Paulo (Ciesp), entidade-gêmea da
Fiesp, afirmou que, diante da decisão
do Copom, “a possibilidade de reverter
o pessimismo do comércio, que cedo
ou tarde impactará a indústria,
está cada vez mais distante”. “Não
é possível que as autoridades
monetárias condenem o Brasil a
um crescimento medíocre, possivelmente
ainda menor que a já deplorável
previsão de 3% em 2005, conforme
as projeções do mercado”,
disse Boris Tabacof, diretor do Ciesp.
“O Copom consegue assim bater o seu próprio
recorde da maior taxa real de juros do
mundo”, ironizou Tabacof.
Com
agências
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