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Os
manifestantes coloriram a Esplanada dos Ministério |
A
entusiasmada participação de milhares de
pessoas na manifestação de ontem (16/8) em
Brasília superou as expectativas da
Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e
das entidades estudantis que convocaram o
evento. A polícia do distrito federal
estima em “mais de 10 mil” o número de
participantes. Os organizadores falam em
30 a 40 mil pessoas. Um ato massivo e de
grande importância, avaliam.
Os manifestantes coloriram a Esplanada dos
Ministérios. O vermelho vestiu os
comunistas e os sem-terra; o verde e
amarelo estavam nas roupas e pintado nos
rostos dos jovens estudantes. E teve quem
vestisse preto para lembrar a luta contra
a corrupção. As cores se misturavam também
nas milhares de bandeiras carregadas por
estudantes, sindicalistas, sem-terra,
indígenas, mulheres, trabalhadores rurais,
funcionários públicos e militantes dos
movimentos de moradia e de vários outros
movimentos que aderiram à manifestação.
A grande
faixa que abria a passeata – ocupando toda
a extensão da pista de carros –
sintetizava as reivindicações dos
manifestantes: “Contra a desestabilização
e a corrupção. Mudanças na política
econômica. Reforma política democrática,
já”.
Com apitos e gritando palavras de ordem,
os manifestantes percorreram toda a
Esplanada dos Ministérios, parando em
frente ao Ministério da Fazenda, para
exigir mudanças na política econômica; e
em frente ao Congresso Nacional, para
defender a manutenção do presidente Lula
no cargo e apuração das denúncias de
corrupção e punição dos responsáveis.
Solidariedade ao presidente
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Muitas bandeiras
circularam pelo ato |
Foi a
segunda grande manifestação popular que
expressou de forma clara a solidariedade e
o apoio dos movimentos sociais ao mandato do presidente Lula.
A primeira ocorreu em Goiânia, no último
dia 3 de julho, e várias outras
manifestações localizadas têm sido
realizadas em diversas cidades do país. "Não
queremos que Lula caia. Se ele cair, será
um retrocesso para todos os movimentos
sociais do Brasil", disse Gustavo Petta,
presidente da União Nacional dos
Estudantes (UNE). "Estamos aqui para
criticar a política econômica do governo",
afirmou.
Renato Rabelo, presidente nacional do
PCdoB, que falou em nome do Partido, disse
que “nós vivemos atualmente no Brasil uma
luta política acirrada. E toda luta
política tem lado e nós estamos do lado
daqueles que elegeram o presidente Lula” –
quando foi bastante aplaudido -,
acrescentando que “nós estamos do lado dos
que dialogam com o movimento social, com
os movimentos que lutam por seus direitos,
mas é preciso compreender que é necessário
defender o governo Lula.
Rabelo encerrou o discurso gritando “Lula
fica”, festejado pelos manifestantes que
responderam aos gritos de “Lula fica”.
O presidente da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), João Felício, foi na
mesma linha. O dirigente cutista disse que
"ninguém vai derrubar o Lula". Em discurso
em frente ao Congresso, Felício afirmou
que estava dando um aviso aos
parlamentares. "Ninguém vai cassar o Lula.
Para cassar o Lula, terão de passar por
cima dos movimentos sociais, dos
estudantes, dos trabalhadores e do povo",
disse.
Segundo ele, Lula é um símbolo do povo
latino-americano. "A derrota do Lula não
seria somente uma derrota do cidadão, mas
uma derrota da esquerda no mundo e na
América Latina e o deputado que apresentar
um pedido de impeachment contra Lula vai
ter que prestar contas à população",
disse.
O presidente da CUT afirmou ainda lamentar
que parte da esquerda "tenha de unido à
direita e esteja sendo financiada por ela
para protestar contra Lula". Ele se
referia à manifestação contrária ao
presidente que partidos como PSTU, PDT,
PSOL e PDT farão nesta quarta-feira contra
Lula.
Ao mesmo tempo em que defendeu o
presidente, João Felício pediu que Lula
mude a política econômica e "pare de fazer
superávit primário e de beneficiar os
banqueiros".
O coordenador do MST, João Paulo
Rodrigues, classificou o pedido de
"impeachment” defendido pela direita de
“fajuto". Ele garantiu que a melhor forma
dos movimentos sociais defenderem avanços
no processo político é exigir que o
governo faça as mudanças prometidas.
"Queremos um projeto de desenvolvimento
para o país e isso se faz lutando contra o
parasitismo do capital financeiro",
concluiu.
Mudanças econômicas
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Gustavo
Petta disse que “é preciso saída enérgica
para a crise, mas é necessário mudar a
política macroeconômica”. A manifestação
fez uma parada em frente ao Ministério da
Fazenda, onde o secretário nacional de
Comunicação da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Antônio Carlos Spis,
leu a
Carta ao Povo Brasileiro.
O documento, entregue ao presidente Lula
no dia 22 de junho passado, “está cada vez
mais atual”, destaca Spis. "Na Carta,
alertamos o presidente da necessidade de
se firmar uma sólida aliança com o povo.
Isso se faz com uma política econômica que
priorize a produção e o desenvolvimento
sustentado", ressaltou.
O presidente da CUT, João Felício,
defendeu "a necessidade de redução
imediata dos juros e do superávit
primário, sem o que o Brasil não terá
crescimento sustentado e deixará sem
perspectiva a imensa massa de jovens que
chega todos os anos ao mercado de
trabalho". O dirigente cutista insistiu na
necessidade “de investimentos nas áreas
sociais e na infra-estrutura, fortalecer o
poder de compra dos salários, gerar
emprego, renda, redistribuir riqueza, e
isso se faz com apoio à produção,
enfrentando a especulação", afirmou.
Ditadura da mídia
O presidente da União Brasileira dos
Estudantes Secundaristas (Ubes), Marcelo
Gavião, lembrou de questionar “a ditadura
da mídia”, reivindicando a democratização
dos meios de comunicação, “porque os
movimentos sociais não tem espaço na mídia
– os estudantes querem uma TV, os
sem-terra querem uma TV, porque a
televisão no Brasil tem que ser de uma só
família?” indagou, numa alusão à TV Globo,
da família Marinho.
Gustavo Petta denunciou as tentativas da
mídia de estabelecer relação entre a
manifestação com o movimento que derrubou
o ex-presidente Fernando Collor. “Durante
toda a preparação para o ato, a mídia
buscou - em vão - colocar palavras na boca
da entidade universitária e manipular,
buscando um paralelo com o "impeachment"
de Collor”, relatou.
Spis
também se manifestou sobre o assunto,
dizendo que "nos posicionamos de forma
clara pela democratização dos meios de
comunicação, com o enfrentamento ao
monopólio da desinformação das grandes
redes e o fortalecimento dos canais
públicos e comunitários", alertando que do
contrário, governo e movimentos sociais
viram presa dos interesses privados.
Os discursos sobre a necessidade de
democratização dos meios de comunicação
fez ainda mais sentido com cobertura
absolutamente maldosa e deslocada dos
fatos que o Jornal Nacional de ontem e boa
parte da imprensa fez sobre a
manifestação.
Reforma política
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Manifestantes se
concentraram em frente à Catedral |
A reforma
política figurou também em todos os
discursos. João Felício defendeu o
financiamento público de campanha e
fidelidade partidária. Segundo ele, este é
o caminho para garantir a democracia
contra os golpistas. "Não podemos aceitar
que a direita desavergonhada, que
dilapidou o Estado brasileiro com as
privatizações, venha agora dar uma de
vestal. Nós não queremos a volta dos
neoliberais. Apoiamos Lula contra o
retrocesso".
Também Spis enfatizou "o apoio ao projeto
político encabeçado pelo presidente Lula,
que deve ser retomado para que o governo
tenha base de sustentação social no
enfrentamento com os setores golpistas da
mídia, do PSDB e do PFL". Para o dirigente
sindical, a diferença desse governo é o
apoio popular. “Nós estamos aqui, Lula, dê
um passo em nossa direção”, disse Spis.
Parlamentares deram apoio
O maior número de parlamentares que
compareceram à manifestação era do PCdoB.
Estiveram presentes os deputados
comunistas Jamil Murad (SP), Inácio Arruda
(CE), Vanessa Grazziotin (AM) e o deputado
estadual do Ceará, Francisco Lopes. Do PT,
foram vistos os deputados Maria do Rosário
(RS), Roberto Gouveia (SP), Luciano Zica
(SP). A deputada Maninha (DF) assinava uma
faixa em que pedia apuração das denúncias
e punição para os responsáveis. Do PTB,
esteve presente Jackson Barreto (SE).
O terceiro vice-presidente do PT, Valter
Pomar, falou em nome do Partido dos
Trabalhadores. Ele também fez um discurso
defendendo a “punição dos corruptos e
corruptores”, destacando que “o movimento
ajuda a mudar o rumo, porque a direita
quer se aproveitar dos erros de alguns
para voltar ao poder”. E, como os demais
oradores, concluiu com palavras de
aclamação; “Viva a Esquerda Brasileira”. O
presidente nacional do PT, Tarso Genro,
que estava em reunião, juntou-se mais
tarde aos manifestantes.
A manifestação foi encerrada, debaixo do
sol quente do começo da tarde, em frente
ao Congresso com os participantes cantando
o Hino Nacional. As lideranças anunciaram
novas mobilizações para o dia 25 de
agosto, em Salvador; e dia 26, em São
Paulo.
Da redação,
Cláudio Gonzalez
Colaborou, de Brasília, Márcia Xavier
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