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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

13 DE AGOSTO DE 2005

OPINIÃO

Renato Rabelo duvida que oposição
leve a sério a tese do impeachment

-
Renato e Lula, na campanha de 2002

O presidente do PCdoB, Renato Rabelo não acredita que a oposição aposte seriamente numa tentativa de impeachment como desfecho da crise política. "Eles até podem usar a fórmula, colocar o impeachment na ordem do dia, como maneira de tentar obter uma rendição do presidente da República", avalia. Mas sublinha que "o objetivo principal deles é derrotar o Lula em 2006, para eles voltarem".

Essa visão estratégica das forças oposicionistas, para Renato, constitui um dos pólos de uma crise que é no fundo uma luta política. Ele ressalva que, "por certo, há certos processos que podem provocar uma reação em cadeia, escapar de controle". Isso não significa, agrega, esqueer que "toda crise política é uma luta política".

Atento a ACM e a Clausewitz

Renato Rabelo admite que é o pólo da oposição que detém a iniciativa. "O sentido da crise, hoje, é dado pelas forças conservadoras", observa, enquanto "as forças do governo estão dispersas". Mas não acha que o objetivo da oposição seja concretizar o impeachment, ainda que eles tratem de "usar essa ameaça o tempo todo", possam até abrir um processo e, "como você não tem o contole de tudo, o impeachment possa eventualmente até sair".

Por que esta escolha? "O impeachment de Lula leva ao José Alencar, que eles não querem, acham que pode ser até mais desfavorável a eles. Na linha sucessória, o nome seguinte é o Severino (Cavalcanti, presidente da Câmara), em quem eles também não têm a menor confiança", descreve.

O objetivo conservador seria, ao contrário, "levar o governo até o fim dessa maneira", desgastando-se e perdendo popularidade. Ele cita o senador Antonio Carlos Maralhães. "O ACM disse: 'Nós vamos derotar o Lula é no voto'. Para eles, seria o melhor. Ou, se possível, Lula nem se candidatar, e ganharem a batalha por WO, como dizem no esporte. Clausewitz não disse que a melhor maneira de se vencer uma batalha é não ter que travá-la?", argumenta ainda, referindo-se ao teórico militar prussiano Carl von Clausewitz (1780-1831), estudioso das Guerras Napoleônicas e autor do clássico livro "Sobre a Guerra".

Como criar uma linha de resistência

Nestas condições, o dirigente comunista se concentra em examinar "como criar uma linha de resistência", visando conter o avanço oposicionsta.

Renato Rabelo reconhece que o núcleo do governo "foi dispersado". E que a maior força partidária do campo progressista, o PT, "está batido" pela onda de denúncias de corrupção. Assim, "o trunfo que nos resta", raciocina, "é o próprio presidente da República". E ele conclui que, "apesar de existiram divergências, até importantes, por exemplo entre o PCdoB e o governo Lula, nesta hora o princpal é fazer a defesa da autoridade do presidente da República".

Ele acrescenta o desgaste do PT atinge também os aliados deste. Na avaliação de Renato, “atingir o PT e o governo atual, nos atinge também, porque a opinião púbica avalia o governo como experiência de esquerda e compromete qualquer outra experiência de esquerda. Por isso é importante impedir a falência dessa experiência”. Para fazer isso, Rabelo aconselha “resistir, não jogar a toalha. Se a gente recua, o inimigo avança. Temos que criar linha de resistência para, pouco a pouco, retomar a iniciativa”.

O papel do ato de 16 de agosto

Daí o empenho do PCdoB na manifestação nacional em Brasília no próximo dia 16. E o contraste dela com a contra-manifestação do dia 17, convocada pela ultra-esquerda com o apoio da direita. Para Renato Rabelo, simplificadamente, embora tendo por trás uma infinidade de fatores, as coisas se apresentam como uma oposição entre dois campos, o "Fica Lula" e o "Sai Lula".

Por isso Renato destaca o papel da manifestação do dia 16 na defesa do mandato presidencial. Isto não impede, efende ele, que o ato de massas "coloque para o Lula que é preciso resgatar alguns compromissos, como por exemplo o cumprimento das metas da reforma agrária, uma política de valorização do salário mínimo, e uma reforma política democrática, com financiamento público das campanhas".

No bojo da resistência, segundo Rabelo, “é preciso desmascarar o farisaismo dessas pessoas que posam de justiceiro. Como pode o neto de ACM, de uma oligarquia truculenta, espoliadora, posando de vestal, dando lição à nação. É escárnio”, avalia.

Na opinião do dirigente comunista, a CPI não é neutra, ela é política. Ele lembra que “a tecnologia usada por Marcos Valério já foi utilizada para a campanha de Eduardo Azeredo, presidente do PSDB e ex-governador de Minas Gerais, nas eleições de 1998. "Mas ninguém pede a cassação do Azeredo, só pedem cassação do lado de cá”.

A idéia da Constituinte exclusiva

O dirigente do PCdoB faz menção também às propostas do presidente da OAB (Odem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, em favor da convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva, como resposta à crise. Para Renato Rabelo, "isso está em debate, é uma questão a ser estudada". E há muitas alternativas a se examinar: a convocação, seria em 2006, junto com as eleições presidenciais, prlamentares e estaduais? Seriam admitidas candidaturas avulsas, sem filiação a partidos? Seria uma eleição em âmbito nacional?

Quanto à outra proposta de Busato, a convocação do Conselho da República, idéia endossada pelo presidente do PT, Tarso Genro, Renato pondera que ela depende de uma pergunta que a precede: "Reunir o Conselho Nacional para propor o que? A convocação da Constituinte?"

"Tudo isso passa pelo que eu chamo da construção de uma linha de defesa. É uma construção onde influi muito o rumo que o PT venha a tomar. E, é claro, a posição do presidente da República", analisa Renato Rabelo

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