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| Renato
e Lula, na campanha de 2002 |
O
presidente do PCdoB, Renato Rabelo não
acredita que a oposição
aposte seriamente numa tentativa de impeachment
como desfecho da crise política.
"Eles até podem usar a fórmula,
colocar o impeachment na ordem do dia,
como maneira de tentar obter uma rendição
do presidente da República",
avalia. Mas sublinha que "o objetivo
principal deles é derrotar o Lula
em 2006, para eles voltarem".
Essa
visão estratégica das forças
oposicionistas, para Renato, constitui
um dos pólos de uma crise que é
no fundo uma luta política. Ele
ressalva que, "por certo, há
certos processos que podem provocar uma
reação em cadeia, escapar
de controle". Isso não significa,
agrega, esqueer que "toda crise política
é uma luta política".
Atento
a ACM e a Clausewitz
Renato
Rabelo admite que é o pólo
da oposição que detém
a iniciativa. "O sentido da crise,
hoje, é dado pelas forças
conservadoras", observa, enquanto
"as forças do governo estão
dispersas". Mas não acha que
o objetivo da oposição seja
concretizar o impeachment, ainda que eles
tratem de "usar essa ameaça
o tempo todo", possam até
abrir um processo e, "como você
não tem o contole de tudo, o impeachment
possa eventualmente até sair".
Por
que esta escolha? "O impeachment
de Lula leva ao José Alencar, que
eles não querem, acham que pode
ser até mais desfavorável
a eles. Na linha sucessória, o
nome seguinte é o Severino (Cavalcanti,
presidente da Câmara), em quem eles
também não têm a menor
confiança", descreve.
O
objetivo conservador seria, ao contrário,
"levar o governo até o fim
dessa maneira", desgastando-se e
perdendo popularidade. Ele cita o senador
Antonio Carlos Maralhães. "O
ACM disse: 'Nós vamos derotar o
Lula é no voto'. Para eles, seria
o melhor. Ou, se possível, Lula
nem se candidatar, e ganharem a batalha
por WO, como dizem no esporte. Clausewitz
não disse que a melhor maneira
de se vencer uma batalha é não
ter que travá-la?", argumenta
ainda, referindo-se ao teórico
militar prussiano Carl von Clausewitz
(1780-1831), estudioso das Guerras Napoleônicas
e autor do clássico livro "Sobre
a Guerra".
Como
criar uma linha de resistência
Nestas
condições, o dirigente comunista
se concentra em examinar "como criar
uma linha de resistência",
visando conter o avanço oposicionsta.
Renato
Rabelo reconhece que o núcleo do
governo "foi dispersado". E
que a maior força partidária
do campo progressista, o PT, "está
batido" pela onda de denúncias
de corrupção. Assim, "o
trunfo que nos resta", raciocina,
"é o próprio presidente
da República". E ele conclui
que, "apesar de existiram divergências,
até importantes, por exemplo entre
o PCdoB e o governo Lula, nesta hora o
princpal é fazer a defesa da autoridade
do presidente da República".
Ele
acrescenta o desgaste do PT atinge também
os aliados deste. Na avaliação
de Renato, “atingir o PT e o governo atual,
nos atinge também, porque a opinião
púbica avalia o governo como experiência
de esquerda e compromete qualquer outra
experiência de esquerda. Por isso
é importante impedir a falência
dessa experiência”. Para fazer isso,
Rabelo aconselha “resistir, não
jogar a toalha. Se a gente recua, o inimigo
avança. Temos que criar linha de
resistência para, pouco a pouco,
retomar a iniciativa”.
O
papel do ato de 16 de agosto
Daí
o empenho do PCdoB na manifestação
nacional em Brasília no próximo
dia 16. E o contraste dela com a contra-manifestação
do dia 17, convocada pela ultra-esquerda
com o apoio da direita. Para Renato Rabelo,
simplificadamente, embora tendo por trás
uma infinidade de fatores, as coisas se
apresentam como uma oposição
entre dois campos, o "Fica Lula"
e o "Sai Lula".
Por
isso Renato destaca o papel da manifestação
do dia 16 na defesa do mandato presidencial.
Isto não impede, efende ele, que
o ato de massas "coloque para o Lula
que é preciso resgatar alguns compromissos,
como por exemplo o cumprimento das metas
da reforma agrária, uma política
de valorização do salário
mínimo, e uma reforma política
democrática, com financiamento
público das campanhas".
No
bojo da resistência, segundo Rabelo,
“é preciso desmascarar o farisaismo
dessas pessoas que posam de justiceiro.
Como pode o neto de ACM, de uma oligarquia
truculenta, espoliadora, posando de vestal,
dando lição à nação.
É escárnio”, avalia.
Na
opinião do dirigente comunista,
a CPI não é neutra, ela
é política. Ele lembra que
“a tecnologia usada por Marcos Valério
já foi utilizada para a campanha
de Eduardo Azeredo, presidente do PSDB
e ex-governador de Minas Gerais, nas eleições
de 1998. "Mas ninguém pede
a cassação do Azeredo, só
pedem cassação do lado de
cá”.
A
idéia da Constituinte exclusiva
O
dirigente do PCdoB faz menção
também às propostas do presidente
da OAB (Odem dos Advogados do Brasil),
Roberto Busato, em favor da convocação
de uma Assembléia Constituinte
exclusiva, como resposta à crise.
Para Renato Rabelo, "isso está
em debate, é uma questão
a ser estudada". E há muitas
alternativas a se examinar: a convocação,
seria em 2006, junto com as eleições
presidenciais, prlamentares e estaduais?
Seriam admitidas candidaturas avulsas,
sem filiação a partidos?
Seria uma eleição em âmbito
nacional?
Quanto
à outra proposta de Busato, a convocação
do Conselho da República, idéia
endossada pelo presidente do PT, Tarso
Genro, Renato pondera que ela depende
de uma pergunta que a precede: "Reunir
o Conselho Nacional para propor o que?
A convocação da Constituinte?"
"Tudo
isso passa pelo que eu chamo da construção
de uma linha de defesa. É uma construção
onde influi muito o rumo que o PT venha
a tomar. E, é claro, a posição
do presidente da República",
analisa Renato Rabelo
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