Por Renato Rabelo*
A
Coordenação dos Movimentos
Sociais (CMS) convocou para o próximo
dia 16 uma importante manifestação
pública em Brasília, tendo
como bandeiras a defesa da democracia,
a justa apuração das denúncias
de corrupção e de cobrança
pela realização dos compromissos
de mudança.
Ao nosso ver, no contexto da crise que
o país vive, este evento se constituirá
num grande ato de apoio ao presidente
Lula e, por conseguinte, de repúdio
às maquinações golpistas
da oposição conservadora.
No dia seguinte, 17, um conjunto de forças
travestidas de “esquerdas”, aparadas e
infladas pelo esquema direitista-conservador,
sairá também na capital
federal como porta-estandarte da “ética”
na política, derramando fel e no
fundo engrossando o coro da direita neoliberal
que exige a saída de Lula.
A preparação desses dois
acontecimentos demonstra de forma didática
o caráter da luta política
em curso – os seus dois lados -, que fornece
a verdadeira dinâmica encoberta
pela crise política vivida pelo
país. Em última instância,
o objetivo imediato para as elites dominantes
não é propriamente de defesa
da ética, porém, mais precisamente,
de convencer a nação que
chegou o fim da experiência de governo
liderada por Lula, elevando a onda do
“arrasa-PT”, atingindo objetivamente toda
a esquerda. É a revanche que as
forças reacionárias queriam
para preparem a sua volta.
No Brasil, as forças conservadoras
procuram manter o poder real, desde a
base econômica até superestrutura
política, não importando
quem esteja no Palácio do Planalto.
Mesmo com a grande vitória de Lula
na disputa presidencial, esse êxito
não reuniu uma maioria de esquerda
para governar o país além
dos do que os governos dos maiores Estados
mantiveram-se com as forças tradicionais
conservadoras.
O aparato e o padrão econômico
têm a sua hegemonia. Sabíamos
que o sistema conservador-reacionário,
numa situação em que não
pôde impor completamente os seus
desígnios, com a vitória
das novas forças em 2002, agiu
primeiro procurando envolvê-las,
e ao mesmo tempo, expeli-las aproveitando-se
dos seus movimentos em falso ou de seus
erros.
Na luta política, para não
se perder, temos que escolher em determinados
momentos o motivo maior que possibilite
ganhar força para impedir o revés.
Apesar das dualidades, contradições
e mesmo das cedências do governo
Lula, assinalados há muito pelo
PCdoB, dos limites e erros do partido
governista principal, o PT, o que temos
diante de nós, realmente, é
a execração de uma “experiência
de esquerda”, explorada no conceito convencional
imposto pela dominância do sistema,
fadada a ser estigmatizada de ora em adiante,
para “vacinar” o povo contra governos
sob a direção da esquerda.
Antes de tudo, não se pode confundir
na “lambança” enaltecida pelos
meios midiáticos, para confundir,
e levar a prevalecer o status quo.
Hoje, no Brasil, as chamadas “terceiras
vias, de esquerda”, na correlação
de forças predominante, são
ilusórias. Seriam como uma “terceira
margem de um rio”. São pretensas
alternativas que servem concretamente
à tendência dominante conservadora,
por mais bem intencionadas que sejam.
O inferno está repleto delas.
Não temos ilusões, à
medida que Lula se reaproxima dos movimentos
sociais, ou tenta responder aos anseios
populares e firmar sua linha externa de
integração sul-americana
e parcerias estratégicas, na agudeza
da luta política atual cresce a
onda fabricada pelo sistema, que realmente
domina, para expeli-lo do centro do poder.
Não é por acaso que FHC
e seus tucanos, os pefelistas posando
de vestais, a esquerda extremista com
todas suas variantes e os oportunistas
de vários matizes e plumagens se
reúnem tacitamente na mesma trincheira
para exigir a saída de Lula. O
“príncipe” FHC já não
esconde seus verdadeiros intentos de se
livrar de Lula. O fato de Lula resistir,
falar aos seus semelhantes e se dirigir
diretamente às suas origens incomoda
profundamente a essa gente.
Não somos cegos, nem ingênuos,
muito menos oportunistas. A luta está
aberta e declarada. O nosso lado é
do fica Lula, da nova experiência
que começa, apesar dos seus limites,
não à volta ao passado predador
para o povo. Desmascarar a onda conservadora,
pajeada pela “esquerda”, dita radical,
que já perdeu o senso de orientação,
é a nossa tarefa.
O nosso lugar é no dia 16, dia
da resistência à onda conservadora,
à dominância do patriciado
histórico brasileiro e de luta
para fortalecer a mudança, ao lado
da maioria da nação. Mobilizemos
os que estão de pé e não
se perderam apesar da “confusão”
reinante, convençamos os vacilantes.
A resistência é a preparação
da ofensiva.
*
Presidente do PCdoB
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