As negociações no âmbito da Organização
Mundial do Comércio (OMC) ficam em primeiro
plano em relação à Área de Livre Comércio
das Américas (Alca), para Celso Amorim,
ministro das Relações Exteriores. Amorim
participou da abertura do Seminário sobre
Desenvolvimento Econômico com Equidade
Social, uma iniciativa do Fórum de Diálogo
Índia, Brasil e África do Sul. O ministro
brasileiro disse esperar que entre em
prática a declaração do secretário do
Tesouro norte-americano, John Snow, de que a
aprovação do Acordo dos Estados Unidos com
países da América Central (Cafta) nesta
semana facilitará as negociações para a Alca.
"Que se traduza na prática, porque se
para um percentual tão pequeno de
exportação, como é o do Cafta, houve tanta
dificuldade de aprovação no Congresso, com
apenas dois votos a favor na Câmara, eu
imagino com a produtividade brasileira e com
outros países do Mercosul, como será?",
indagou. Para o ministro, é preciso colocar
a Alca de novo nos "trilhos" e para isso é
necessário estabelecer um programa. Amorim
defendeu que atualmente a prioridade no
mundo têm sido as discussões na OMC. "Sem
negar a importância da Alca, nós todos
estamos concentrados na OMC, porque sem
saber o que vai haver em matéria de
subsídios agrícolas, o que vai ser
eliminado, qual será o grau de diminuição da
proteção em agricultura, fica até difícil de
conversar sobre Alca, porque fica difícil
saber o que vai pedir", afirmou.
O fato de a aprovação do Cafta ter sido
por margem pequena de votos, segundo Amorim,
não deverá enfraquecer os Estados Unidos na
OMC, onde "a teia de interesses é mais
complexa". Por isso mesmo, acrescentou,
"talvez a administração americana possa
mostrar que tem mais a ganhar, então poderá
fazer também mais concessões. Certamente é
mais do que um acordo puramente regional.
Para nós, temas centrais como subsídios
agrícolas e antidumping só podem ser
discutidos na OMC. Não que não queiramos
discutir em outros fóruns, mas são eles que
nos dizem que não querem discutir nos
fóruns. Então vamos dar prioridade aos
fóruns onde podemos obter o que achamos mais
importante", disse.
A informação é da
Agência Brasil
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