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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

4 de agosto de 2005

Comércio Internacional
Cafta dá estímulo à Alca, diz Snow; Brasil manda recado

O secretário do Tesouro norte-americano, John Snow, afirmou que a aprovação do Acordo de Livre Comércio da América Central e Estados Unidos (Cafta, na sigla em inglês), dará "ímpeto" para retomar as negociações da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Para Snow, o fato de o Cafta ter sido aprovado no fim de julho, por margem de apenas dois votos na Câmara dos Deputados dos EUA, não significa "falta de compromisso (do governo Bush) com a liberalização do comércio", disse ele.

Na avaliação de Snow, o acordo do Cafta também poderá estimular avanços na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). "A liberalização do comércio nunca é fácil. Já passamos uma década e meia de liberalização do comércio mundial e minha experiência mostra que os votos no Congresso dos Estados Unidos (sobre o tema) nunca ocorreram com maioria absoluta. É a natureza do comércio", avaliou. Na sua opinião, há poucas coisas que fazem tão bem, mas são tão impopulares quanto o comércio.

O comentário de Snow surgiu como resposta a uma pergunta do presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o embaixador José Botafogo Gonçalves, durante evento promovido pela entidade e que tinha o secretário do Tesouro dos Estados Unidos como conferencista. "Será possível garantir um compromisso da sociedade americana e de seus líderes, nos setores público e privado, para promover liberdade de comércio real e não com tantas restrições como parece estar contido nas propostas sobre a mesa?", perguntou.

Troca de comando

Snow afirmou que muitas vezes as pessoas não fazem a conexão entre o comércio e todos os benefícios dele resultantes e aí surgem determinadas oposições. Snow também considerou que a abertura do comércio depende de uma forte liderança, comprometida com o processo, e ponderou que o tema deve avançar, apesar das dificuldades políticas. "Os dois países reconhecem a importância do comércio, apesar das diferentes perspectivas, mas compartilham o compromisso com a abertura comercial", disse. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos têm o interesse comum em definir a questão dos subsídios agrícolas na Rodada Doha.

O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur, avaliou que um fator que pode favorecer a retomada das negociações da Alca é a troca de comando no USTR, o representante comercial norte-americano. Abdenur também avaliou que na 4 Cúpula das Américas, programada para novembro, em Mar del Plata, na Argentina, poderá se dar um novo impulso ao processo. Abdenur aproveitou para mandar um recado: "O Brasil considera importante que se lancem, logo que possível no contexto da Alca, as negociações de acesso a mercado entre o Mercosul e os Estados Unidos, no formato 4+1", indicou.

Com informações do
jornal Valor Econômico

 

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