O secretário do Tesouro norte-americano,
John Snow, afirmou que a aprovação do Acordo
de Livre Comércio da América Central e
Estados Unidos (Cafta, na sigla em inglês),
dará "ímpeto" para retomar as negociações da
criação da Área de Livre Comércio das
Américas (Alca). Para Snow, o fato de o
Cafta ter sido aprovado no fim de julho, por
margem de apenas dois votos na Câmara dos
Deputados dos EUA, não significa "falta de
compromisso (do governo Bush) com a
liberalização do comércio", disse ele.Na
avaliação de Snow, o acordo do Cafta também
poderá estimular avanços na Rodada Doha da
Organização Mundial do Comércio (OMC). "A
liberalização do comércio nunca é fácil. Já
passamos uma década e meia de liberalização
do comércio mundial e minha experiência
mostra que os votos no Congresso dos Estados
Unidos (sobre o tema) nunca ocorreram com
maioria absoluta. É a natureza do comércio",
avaliou. Na sua opinião, há poucas coisas
que fazem tão bem, mas são tão impopulares
quanto o comércio.
O comentário de Snow surgiu como resposta
a uma pergunta do presidente do Centro
Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri),
o embaixador José Botafogo Gonçalves,
durante evento promovido pela entidade e que
tinha o secretário do Tesouro dos Estados
Unidos como conferencista. "Será possível
garantir um compromisso da sociedade
americana e de seus líderes, nos setores
público e privado, para promover liberdade
de comércio real e não com tantas restrições
como parece estar contido nas propostas
sobre a mesa?", perguntou.
Troca de comando
Snow afirmou que muitas vezes as pessoas
não fazem a conexão entre o comércio e todos
os benefícios dele resultantes e aí surgem
determinadas oposições. Snow também
considerou que a abertura do comércio
depende de uma forte liderança, comprometida
com o processo, e ponderou que o tema deve
avançar, apesar das dificuldades políticas.
"Os dois países reconhecem a importância do
comércio, apesar das diferentes
perspectivas, mas compartilham o compromisso
com a abertura comercial", disse. Segundo
ele, Brasil e Estados Unidos têm o interesse
comum em definir a questão dos subsídios
agrícolas na Rodada Doha.
O embaixador do Brasil nos Estados
Unidos, Roberto Abdenur, avaliou que um
fator que pode favorecer a retomada das
negociações da Alca é a troca de comando no
USTR, o representante comercial
norte-americano. Abdenur também avaliou que
na 4 Cúpula das Américas, programada para
novembro, em Mar del Plata, na Argentina,
poderá se dar um novo impulso ao processo.
Abdenur aproveitou para mandar um recado: "O
Brasil considera importante que se lancem,
logo que possível no contexto da Alca, as
negociações de acesso a mercado entre o
Mercosul e os Estados Unidos, no formato
4+1", indicou.
Com informações do
jornal Valor Econômico
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