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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

3 de agosto de 2005

IRAQUE INVADIDO

Faluja, a cidade da morte e do desespero

 

Oito meses depois das tropas dos Estados Unidos terem invadido Faluja pela segunda vez, para massacrar a resistência da cidade, é difícil encontrar uma única rua que não tenha nenhum edifício atingido durante o ataque. Aproximadamente 80% dos 300 mil moradores retornaram para suas casas, mas Faluja jamais retornou ao normal após a invasão.

O toque de recolher começa às 22h e os moradores são obrigados a parar nas barreiras montadas pelos americanos nas entradas da cidade. Eles só podem entrar ali com seus cartões de identificação, criados pelos americanos, que têm uma imagem da retina e as digitais do identificado. A despeito das precauções que os invasores tomaram, pequenos combates têm sido travados diariamente no que foi a cidade com o maior número de rebeldes, segundo as tropas americanas, situada a 70km de Bagdá.

Uma visita à cidade revela que polícia local trabalha duro, não contra a resistência, mas para cercar com arame farpado e barreiras de concreto o edifício da delegacia principal, enquanto o exército americano e iraquiano patrulham as ruas principais. Iraquianos disparam seus rifles para o ar, para que os carros e as pessoas saiam de seu caminho nas ruas. Ouve-se o ruído distante do disparo de armas de pequeno calibre, seguido pelo disparar de uma arma pesada.

"Eles estão matando uma ou duas pessoas por dia", disse um soldado iraquiano em uma das barreiras. Isso é confirmado por médicos do Hospital Geral de Faluja, o alvo principal do ataque americano de novembro passado. Os soldados iraquianos só não disseram quem estava matando quem.

Os doutores Ahmed e Salam, que concordaram em serem entrevistados com a condição que seus nomes fossem mudados, lamentam a condição atual de Faluja e de seus habitantes. Ahmed diz que vê, em média, dois ou três civis mortos por dia. centenas foram mortos desde que a cidade foi tomada pelas tropas americanas. "Ontem, por exemplo, uma mulher, jovem ainda, veio parar aqui, trazida pelas tropas americanas, morta com um tiro na cabeça", disse Ahmed.

Salam completa: "O povo de Faluja está deprimido, porque não pode mover-se livremente pela cidade, devido às barreiras montadas pelas forças invasoras e iraquianas. Eles criam novas barreiras e criam novos obstáculos, todos os dias. O povo não pode andar à noite. Se você precisar de um médico, à noite, vai acabar se transformando em mais um morto. As pessoas, nesses horários, não têm como chegar até nós".

Na mesquita al-Furcan, um dos lugares mais tranqüilos da cidade, um grupo de homens conversa, após as orações. Além dos militares americanos, eles culpam o novo governo pelo atual estado de sítio na cidade. "Eles usam suas armas para abrir o tráfego", lamenta o imã Abdul Majid.

"Nós até dizemos que os americanos são melhores que eles. Sinceramente, o novo governo fracassou. Antes, nós fomos oprimidos pelos invasores. Agora ficou bem pior".

A maior parte dos trabalhos de reconstrução desde que a invasão terminou, foi o de reconstruir as casas atingidas. O governo interino fantoche de Iyad Allawi mandou 20% da verba destinada para a reconstrução, mas o dinheiro já acabou, já que a maioria dele foi gasta com 'segurança'.

"Nosso comércio tem sido violado à noite", disse um dos homens reunidos na mesquita. "Me diga, se há um toque de recolher e o exército e a polícia controlam as ruas, quem estaria invadino nossas lojas?".

De volta ao hospital, Ahmed acha que a luta vai continuar. "Até mesmo gente do povo, simples, está se tornando guerrilheiro da resistência", disse ele. "Hoje, vemos Faluja como uma gigantesca prisão".

Fonte: The Scotsman



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