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Um pacote de documentos em poder do
publicitário Marcos Valério Fernandes de
Souza, sobre operações bancárias dos últimos
sete anos, mostra que muitos outros
dirigentes políticos foram beneficiados por
contribuições remetidas por sua agência de
publicidade SMPB. Um desses depósitos, por
exemplo, foi para o deputado mineiro
Custódio de Mattos (PSDB), ex-líder do PSDB
na Câmara, que foi agraciado com dois
pagamentos - um de R$ 20 mil e outro de R$ 5
mil, que lhe chegaram pelo Banco Rural.
Um segundo recibo, no valor de R$ 100
mil, foi para a conta de um deputado do PP
mineiro, Romel Anízio. Um terceiro teve como
destinatário outro deputado do PP, Gil
Pereira (MG), que ficou com R$ 25 mil.
Nenhum desses dirigentes políticos declarou,
em suas prestações de contas à Justiça
Eleitoral, os valores recebidos de Valério.
As informações estão em reportagem da
revista Época que começo a circular
ontem (17) nas bancas.
Segundo a revista, as transferências
aconteceram durante 13 dias, entre 26 de
setembro e 8 de outubro de 1998, exatamente
na linha de chegada das eleições
parlamentares daquele ano. Feitas as contas,
as contribuições - todas partidas da agência
SMPB - totalizaram R$ 10,6 milhões. Desse
valor, o PT teria recebido R$ 850 mil, em
quatro pagamentos. Quem ficou com a maior
cota, no entanto, foi o PFL, que recebeu R$
1,3 milhão dividido entre vários candidatos.
Ao PSDB couberam, prossegue a denúncia, R$
647 mil.
Jornal Nacional
A revelação sobre essas contribuições
coincide com a declaração feita por Marcos
Valério, em conversa com o procurador-geral
da República, de que ele teria mais a dizer
sobre os milhões de saíram de suas empresas
e que havia muito mais gente envolvida além
de petistas. O ex-tesoureiro do PT, Delúbio
Soares, confirmou, em entrevista ao
Jornal Nacional de ontem (17), que fez
vários empréstimos de boca com Marcos
Valério no valor de quase R$ 40 milhões.
Delúbio colocou a culpa no sistema
eleitoral que, segundo ele, obrigaria os
partidos a manterem uma contabilidade
irregular e ressaltou que fez tudo sozinho.
Segundo Delúbio - que assumiu toda a
responsabilidade pelo empréstimos -, nem o
presidente Lula, nem o ex-ministro da Casa
Civil José Dirceu, nem o ex-presidente do
partido José Genoino sabiam dessas
transações. Ele argumentou que o PT não
trata de assuntos financeiros com o governo.
"Partido é partido, governo é governo",
afirmou Delúbio.
Compra de voto
"As campanhas eleitorais têm dinheiro que
não é contabilizado. A direção anterior do
PT sabia disso. A nova direção, sob o
orientação de Tarso Genro, foi informada
agora. O companheiro Genoino e a direção
anterior sabiam que tinha de ser feita uma
campanha eleitoral e designaram a mim esta
questão", disse Delúbio na entrevista.
Segundo o ex-tesoureiro do PT, o primeiro
empréstimo foi feito em 2002 para cobrir
dívidas dos diretórios regionais depois das
eleições. Delúbio ressaltou que a campanha
do presidente Lula à Presidência não fez
parte do esquema. O dinheiro do segundo
empréstimo seria usado na preparação do PT
para as eleições de 2004.
Delúbio também voltou a negar a
existência do esquema do "mensalão",
denunciado pelo deputado Roberto Jefferson
(PTB-RJ). "Não tem compra de voto. Não tem
compra de deputado para votar a favor do
governo. O PT não compra votos. Tem hora que
o governo ganha, tem hora que o governo
perde", afirmou. Delúbio tentou explicar
como Marcos Valério aceitou fazer os
empréstimos sem nenhuma garantia real. "Ele
queria ser o publicitário do PT, ele tentou
pegar as campanhas eleitorais. Era um desejo
de ampliar suas agências de publicidade para
o marketing eleitoral", afirmou.
Tarso Genro
Segundo o ex-tesoureiro, o fato de ele
concordar em falar sobre o assunto um dia
depois da entrevista de Marcos Valério foi
apenas uma coincidência. Delúbio justifica o
caixa dois para financiar as campanhas
eleitorais do PT e de partidos aliados em
2004 e para quitar dívidas que os petistas
contraíram nas campanhas de 2002. "A
campanha eleitoral tem recursos não
contabilizados. Estou assumindo esta
questão", disse. Segundo ele, os empréstimos
feitos por Valério para o PT beiram os R$ 39
milhões.
Em nota o presidente do PT, Tarso Genro,
disse que o partido tomou conhecimento do
depoimento do ex-tesoureiro somente por
intermédio dos meios de comunicação. "Para
que manifestemos um juízo sólido sobre o
assunto, precisamos lê-lo e examiná-lo em
conjunto com a Comissão Executiva Nacional
do PT, que se reúne na próxima terça-feira
(19)", diz a nota. Tarso Genro disse ainda
que o partido irá colaborar para que todas
as questões que envolvem denúncias sejam
rigorosamente apuradas, "não somente para
avaliação de responsabilidades, mas também
para o aprimoramento das instituições
políticas, da legislação eleitoral e do
processo democrático em nosso país".
Com agências
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