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Quase três mil pessoas foram ver o filme
sobre a guerrilha |
Entre os
dias 4 e 9 desse mês, os municípios de
Xambioá/TO e São Geraldo do Araguaia/PA
receberam jovens de todas as regiões do
Brasil através da Caravana do Araguaia. A
excursão promovida pela UJS, já na sua
segunda edição, vem se consolidando como uma
atividade certa no calendário local.
A exibição de “Araguaya - a conspiração do
silêncio”, de Ronaldo Duque, foi a singela
homenagem da UJS ao povo de São Geraldo que,
emocionado, assistiu ao filme lotando a
praça central da cidade. Segundo o
vice-prefeito, Irmão Roque, havia mais de
três mil pessoas vendo pela primeira vez um
filme em uma tela de cinema. E o que é mais
bonito, um filme contando as suas próprias
histórias. Já Duque, que assistiu seu filme
entre o povo que tornou protagonista na sua
obra, disse ter ficado emocionado durante
toda a exibição.
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Jovens se deslocam de barco entre
Xambioá e São Geraldo |
A Caravana
teve outros momentos importantes e
comoventes. A recepção dos moradores aos
participantes chamou a atenção de todos.
Muitos moradores foram até o hotel e ao
acampamento da UJS conversar e até mesmo
preparar a comida para todos os 50
integrantes da Caravana. Uma das senhoras
que ofereceu seus serviços de cozinheira
contou que batizou um de seus filhos com o
nome de Osvaldo em homenagem ao guerrilheiro
Osvaldão. A militância também foi de
encontro ao povo e, individualmente ou em
grupos, entrava nas casas para prosear. A
integração teria sido melhor não fosse a
goleada imposta à UJS pelo combinado de
veteranos Xambioá/São Geraldo pelo placar de
12 a 3 (essa foi a única atividade sem
registros)!!!
O passeio de “motor” (uma embarcação rústica
bastante utilizada) pelo rio Araguaia teve
como destino o povoado de Santa Cruz, um dos
locais em que os guerrilheiros mantiveram
intensos contatos. Seu Manoel era um dos
mais assediados pela militância que buscava
informações sobre seu convívio com Osvaldão
- de quem era muito amigo e que até hoje
nutre muita admiração - mesmo manifestando
não conhecer bem as motivações dos
guerrilheiros que é chamado por ele de
‘paulistas’. A Caravana pernoitou acampada
no local em plena praia do rio embalada por
um lual que durou até o despontar do sol
nascente na Serra das Andorinhas. Na volta
para Xambioá, a tripulação era outra, dessa
vez, mais abastecida pela convicção
revolucionária do grandioso feito de seu
Partido. O grito “aqui está presente a
juventude do Araguaia”, foi ecoado durante
as seis horas de viagem contra as
correntezas do rio.
Na cidade de Xambioá, o prefeito Richard
Santiago (PMDB) recebeu a delegação e
mostrou o local onde será construído o
Memorial da Guerrilha - que receberá a terra
retirada do local onde foram espalhadas as
cinzas de João Amazonas - e também um Centro
Cultural. Na oportunidade, o prefeito disse
que a remoção do antigo monumento foi
acompanhada de cuidados, com a terra
removida guardada em uma caixa de mogno e os
mastros e a placa guardada no próprio
gabinete do prefeito que foi visitado por
todos. Lamentou não ter conversado com o
Comitê Central do PCdoB na época mas espera
fazer isso o mais breve possível e ainda
visitar a família de Amazonas em São Paulo
para reparar o mal entendido pessoalmente.
Entre os veteranos da Caravana, Zezinho do
Araguaia, sobrevivente da Guerrilha,
acompanhou emocionado a visita à antiga base
militar do exército de onde partia as
incursões contra os guerrilheiros na selva.
No local, muitas lembranças vieram à tona.
Vestígios dos “buracos do Vietnã” onde
“suspeitos de conspiração” eram barbaramente
torturados puderam ser vistos por todos.
Na despedida, o apelo comum para que a
Caravana continue divulgando e estudando a
épica jornada dos guerrilheiros que tombaram
em defesa da liberdade, da democracia e do
socialismo em nosso país, apressando a queda
do regime militar autoritário. Já a
valorização dos nossos heróis, legítimos
filhos do Brasil e do Araguaia, não foi um
apelo, mas uma exigência feita à UJS. “Che
Guevara é um herói muito identificado pelas
juventudes de todo o mundo, e com razão, mas
também temos nossos próprios heróis e
heroínas. Como esquecer de Dina, Helenira,
Juca e Osvaldão estampados nas camisas da
UJS? Precisamos corrigir essa falha
urgentemente!” falou Zezinho ovacionado por
todos ao embarcarem no ônibus rumo a
Araguaína.
A terceira Caravana, prevista para o próximo
ano, irá acrescentar a cidade de Araguanã no
seu roteiro, que tal como São Geraldo e
Xambioá, visa incorporar essa atividade em
seu calendário de programações culturais.
Até lá!
Luciano Rezende Moreira
Diretor Nacional de Formação da UJS e
Pedrinho Leão
Diretor da UJS/MG
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