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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

14 de JUlHO de 2005

JUVENTUDE SOCIALISTA
Emoção e formação marcaram a segunda caravana da UJS ao Araguaia

 

 
Quase três mil pessoas foram ver o filme sobre a guerrilha

Entre os dias 4 e 9 desse mês, os municípios de Xambioá/TO e São Geraldo do Araguaia/PA receberam jovens de todas as regiões do Brasil através da Caravana do Araguaia. A excursão promovida pela UJS, já na sua segunda edição, vem se consolidando como uma atividade certa no calendário local.

A exibição de “Araguaya - a conspiração do silêncio”, de Ronaldo Duque, foi a singela homenagem da UJS ao povo de São Geraldo que, emocionado, assistiu ao filme lotando a praça central da cidade. Segundo o vice-prefeito, Irmão Roque, havia mais de três mil pessoas vendo pela primeira vez um filme em uma tela de cinema. E o que é mais bonito, um filme contando as suas próprias histórias. Já Duque, que assistiu seu filme entre o povo que tornou protagonista na sua obra, disse ter ficado emocionado durante toda a exibição.

 
Jovens se deslocam de barco entre Xambioá e São Geraldo

A Caravana teve outros momentos importantes e comoventes. A recepção dos moradores aos participantes chamou a atenção de todos. Muitos moradores foram até o hotel e ao acampamento da UJS conversar e até mesmo preparar a comida para todos os 50 integrantes da Caravana. Uma das senhoras que ofereceu seus serviços de cozinheira contou que batizou um de seus filhos com o nome de Osvaldo em homenagem ao guerrilheiro Osvaldão. A militância também foi de encontro ao povo e, individualmente ou em grupos, entrava nas casas para prosear. A integração teria sido melhor não fosse a goleada imposta à UJS pelo combinado de veteranos Xambioá/São Geraldo pelo placar de 12 a 3 (essa foi a única atividade sem registros)!!!

O passeio de “motor” (uma embarcação rústica bastante utilizada) pelo rio Araguaia teve como destino o povoado de Santa Cruz, um dos locais em que os guerrilheiros mantiveram intensos contatos. Seu Manoel era um dos mais assediados pela militância que buscava informações sobre seu convívio com Osvaldão - de quem era muito amigo e que até hoje nutre muita admiração - mesmo manifestando não conhecer bem as motivações dos guerrilheiros que é chamado por ele de ‘paulistas’. A Caravana pernoitou acampada no local em plena praia do rio embalada por um lual que durou até o despontar do sol nascente na Serra das Andorinhas. Na volta para Xambioá, a tripulação era outra, dessa vez, mais abastecida pela convicção revolucionária do grandioso feito de seu Partido. O grito “aqui está presente a juventude do Araguaia”, foi ecoado durante as seis horas de viagem contra as correntezas do rio.

Na cidade de Xambioá, o prefeito Richard Santiago (PMDB) recebeu a delegação e mostrou o local onde será construído o Memorial da Guerrilha - que receberá a terra retirada do local onde foram espalhadas as cinzas de João Amazonas - e também um Centro Cultural. Na oportunidade, o prefeito disse que a remoção do antigo monumento foi acompanhada de cuidados, com a terra removida guardada em uma caixa de mogno e os mastros e a placa guardada no próprio gabinete do prefeito que foi visitado por todos. Lamentou não ter conversado com o Comitê Central do PCdoB na época mas espera fazer isso o mais breve possível e ainda visitar a família de Amazonas em São Paulo para reparar o mal entendido pessoalmente.

Entre os veteranos da Caravana, Zezinho do Araguaia, sobrevivente da Guerrilha, acompanhou emocionado a visita à antiga base militar do exército de onde partia as incursões contra os guerrilheiros na selva. No local, muitas lembranças vieram à tona. Vestígios dos “buracos do Vietnã” onde “suspeitos de conspiração” eram barbaramente torturados puderam ser vistos por todos.

Na despedida, o apelo comum para que a Caravana continue divulgando e estudando a épica jornada dos guerrilheiros que tombaram em defesa da liberdade, da democracia e do socialismo em nosso país, apressando a queda do regime militar autoritário. Já a valorização dos nossos heróis, legítimos filhos do Brasil e do Araguaia, não foi um apelo, mas uma exigência feita à UJS. “Che Guevara é um herói muito identificado pelas juventudes de todo o mundo, e com razão, mas também temos nossos próprios heróis e heroínas. Como esquecer de Dina, Helenira, Juca e Osvaldão estampados nas camisas da UJS? Precisamos corrigir essa falha urgentemente!” falou Zezinho ovacionado por todos ao embarcarem no ônibus rumo a Araguaína.

A terceira Caravana, prevista para o próximo ano, irá acrescentar a cidade de Araguanã no seu roteiro, que tal como São Geraldo e Xambioá, visa incorporar essa atividade em seu calendário de programações culturais. Até lá!

Luciano Rezende Moreira
Diretor Nacional de Formação da UJS e

Pedrinho Leão
Diretor da UJS/MG

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