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| Lula
acena ao embarcar para Paris |
Por
Bernardo Joffily
Na
contra-corrente da onda de denúncias
que fustiga o governo Luiz Inácio
Lula da Silva, a opinião pública
brasileira mantém uma imagem positiva
do governo e do presidente. A 77ª
rodada da pesquisa nacional CNT/Sensus,
divulgada nesta terça-feira (12)
com dados coletados na semana passada,
mostra que a avaliação positiva
do governo é de 40,3% (era de 39,8%
na sondagem anterior, feita em maio).
A aprovação da pessoa do
presidente cresceu 2,5 pontos, oscilando
de 57,4% para 59,9% no mesmo período.
Quanto às eleições
de 2006, Lula continua a vencer o tucano
José Serra no segundo turno e os
demais presidenciáveis no primeiro
turno.
"Jornal
Nacional" não noticiou
Os
resultados mostram um quadro de estabilidade
- já que a margem de erro da pesquisa
é de 3 pontos percentuais para
mais ou para menos. Mas surpreenderam
os analistas por mostrarem uma "blindagem"
da imagem do governo, face à pauta
francamente desfavorável ao Planalto
que domina a mídia nas últimas
semanas. A propósito, o "Jornal
Nacional" da Rede Globo, noticiário
de maior audiência do país,
nem citou a pesquisa, ao contrário
do que fez nas rodadas anteriores.
Lamentavelmente,
a pesquisa CNT/Sensus não apresenta
tabulações desdobrando as
respostas conforme a idade, a renda ou
a região dos entrevistados. Seria
interessante, em especial, checar como
as respostas se distribuem conforme a
renda. Pesquisas semelhantes, feitas pela
CNI/Ibope e pelo instituto Datafolha,
indicam uma relação direta
entre a defesa do governo Lula e as camadas
mais pobres da população.
No
que se refere ao governo, a CNT/Sensus
mostra que a oscilação da
avaliação positiva para
mais coexistiu com uma oscilação
também para mais da avaliação
negativa, que passou de 18,8% para 20,0%.
Enquanto a avaliação regular
passou de 38,3% para 37,1% no mesmo período.
Já
o desempenho pessoal de Lula, além
de ter sua aprovação elevada,
mostrou uma oscilação para
menos da desaprovação. Esta
decresceu de 32,7% para 30,2% entre maio
e julho.
O
povo preserva Lula
Isto
não significa que os brasileiros
ignorem ou desconsiderem as denúncias
de corrupção que vêm
ocupando a mídia. Dos entrevistados,
38,1% responderam que têm acompanhado
as denúncias de corrupção
nos Correios, e outros 39,0% que ouviram
falar delas. Sobre o Caso "Mensalão",
41,2% responderam que têm acompanhado
e 34,8% ouviram falar.
A
pesquisa fez outras perguntas especificamente
para os 76,0% que pelo menos ouviram falar
do escândalo. Deste total, 67,1%
acreditam que as denúncias feitas
pelo deputado Roberto Jefferson são
verdadeiras, contra 18,1% que pensam o
contrário.
Mas
ao analisar o sentido do escândalo,
os entrevistados pela CNT/Sensus preservam
a imagem do governo. Eles acham que as
denúncias estão mais vinculadas
à Câmara dos Deputados (35,4%)
ou ao PT (31,2%), enquanto 12,0% vinculam-nas
a Lula.
Os
que acreditam que Lula "tinha conhecimento
prévio" do "Mensalão"
somam 33,6%, ao passo que 45,7% responderam
que ele "Não tinha conhecimento
prévio". E 47,8% acham que
Lula "tem agido adequadamente",
contra 31,9% que responderam "não
tem agido adequadamente".
Sobem
a 64,7% os que consideram pagar parlamentares
para votar como "uma prática
antiga já utilizada em outros governos".
E a 18,3% os que vêem nisso "uma
prática nova criada no governo
do PT".
A
interpretação de Clésio
Andrade
“As
denúncias até agora não
afetaram a imagem do presidente, ele é
ajudado pela blindagem, pelo bom desempenho
da economia e a queda da inflação.
A percepção da sociedade
é que a culpa pela crise é
mais dos parlamentares e do PT que se
iguala aos demais partidos. Mesmo a corrupção
no governo acaba sendo debitada a eles
e pode-se concluir que o Presidente Lula
está ileso e tomando as medidas
corretas no combate a corrupção",
teorizou em coletiva de imprensa Clésio
Andrade, presidente da entidade patronal
do transporte, que patrocina a pesquisa,
e também deputado federal pelo
PFL de Minas Gerais.
Contudo,
os próprios números da pesquisa
desautorizam a interpretação
de Clésio Andrade. Os resultados
mostram uma visão crítica
- e cada vez mais crítica - sobre
a situação do país
em geral e da economia em particular.
Os
números desmentem Clésio
A
pesquisa mostra 30,6% das respostas dizendo
que a renda mensal diminuiu, contra 18,2%
dizendo que aumentou (embora este último
número fosse ainda mais baixo em
maio, de 12,7%). A maioria acha a hora
ruim para comprar bens duráveis
(71,3%) ou um carro (84,5%).
Também
a opinião sobre a política
econômica é majoritariamente
questionadora. São 40,2% opinando
que "a política econômica
do governo tem sido conduzida de forma
adequada, está no rumo certo".
E 46,1% que julgam-na "inadequada,
não está no rumo certo".
Sobre a economia brasileira nos próximos
seis meses, 45,6% responderam que confiam
nela e 46,8% que não confiam.
Na
área social, o julgamento é
ainda mais severo. Na área da saúde,
47,5% acham que ela piorou nos últimos
seis meses, contra 21,8% opinando que
melhorou. Na educação, os
mesmos números indicam um empate:
33,8% a 33,6%. Mas no que se refere à
pobreza eles são 63,7% contra 8,4%.
E quanto à segurança. 82,6%
a 4,9%.
Uma
outra interpretação é
possível
Se
a interpretação de Clésio
de Andrade não bate com os números
da pesquisa, pode-se aventar uma outra
tentativa de explicação:
os brasileiros mantêm uma aprovação
elevada e estável do governo Lula
por estarem acreditarem que a alternativa
colocada é um governo pior. É
o que mostram os índices de rejeição
dos presidenciáveis na eleição
de 2006: segundo a CNT/Sensus, a menor
rejeição é a de Lula,
30,8%; e a maior rejeição,
entre os sete nomes levantados, é
a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
58,1%.
Esta
foi a 77ª rodada da série
CNT/Sensus, encomendada pela Confederação
patronal dos transportes. O instituto
Sensus fez 2 mil entrevistas, em 195 municípios
de 24 Estados. As entrevistas ocorreram
entre os dias 5 e 7 deste mês. A
margem de erro é de 3 pontos percentuais
para mais ou para menos.
Clique
aqui para ver o relatório da pesquisa
CNT/Sensus
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turno e os outros no primeiro
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