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Brasil, sábado, 4 de julho de 2009

13 DE JULHO DE 2005

A VOZ DO POVO

Pesquisa CNT/Sensus: governo e Lula
mantêm aprovação de 40% e 60%

 
Lula acena ao embarcar para Paris

Por Bernardo Joffily

Na contra-corrente da onda de denúncias que fustiga o governo Luiz Inácio Lula da Silva, a opinião pública brasileira mantém uma imagem positiva do governo e do presidente. A 77ª rodada da pesquisa nacional CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira (12) com dados coletados na semana passada, mostra que a avaliação positiva do governo é de 40,3% (era de 39,8% na sondagem anterior, feita em maio). A aprovação da pessoa do presidente cresceu 2,5 pontos, oscilando de 57,4% para 59,9% no mesmo período. Quanto às eleições de 2006, Lula continua a vencer o tucano José Serra no segundo turno e os demais presidenciáveis no primeiro turno.

"Jornal Nacional" não noticiou

Os resultados mostram um quadro de estabilidade - já que a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Mas surpreenderam os analistas por mostrarem uma "blindagem" da imagem do governo, face à pauta francamente desfavorável ao Planalto que domina a mídia nas últimas semanas. A propósito, o "Jornal Nacional" da Rede Globo, noticiário de maior audiência do país, nem citou a pesquisa, ao contrário do que fez nas rodadas anteriores.

Lamentavelmente, a pesquisa CNT/Sensus não apresenta tabulações desdobrando as respostas conforme a idade, a renda ou a região dos entrevistados. Seria interessante, em especial, checar como as respostas se distribuem conforme a renda. Pesquisas semelhantes, feitas pela CNI/Ibope e pelo instituto Datafolha, indicam uma relação direta entre a defesa do governo Lula e as camadas mais pobres da população.

No que se refere ao governo, a CNT/Sensus mostra que a oscilação da avaliação positiva para mais coexistiu com uma oscilação também para mais da avaliação negativa, que passou de 18,8% para 20,0%. Enquanto a avaliação regular passou de 38,3% para 37,1% no mesmo período.

Já o desempenho pessoal de Lula, além de ter sua aprovação elevada, mostrou uma oscilação para menos da desaprovação. Esta decresceu de 32,7% para 30,2% entre maio e julho.

O povo preserva Lula

Isto não significa que os brasileiros ignorem ou desconsiderem as denúncias de corrupção que vêm ocupando a mídia. Dos entrevistados, 38,1% responderam que têm acompanhado as denúncias de corrupção nos Correios, e outros 39,0% que ouviram falar delas. Sobre o Caso "Mensalão", 41,2% responderam que têm acompanhado e 34,8% ouviram falar.

A pesquisa fez outras perguntas especificamente para os 76,0% que pelo menos ouviram falar do escândalo. Deste total, 67,1% acreditam que as denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson são verdadeiras, contra 18,1% que pensam o contrário.

Mas ao analisar o sentido do escândalo, os entrevistados pela CNT/Sensus preservam a imagem do governo. Eles acham que as denúncias estão mais vinculadas à Câmara dos Deputados (35,4%) ou ao PT (31,2%), enquanto 12,0% vinculam-nas a Lula.

Os que acreditam que Lula "tinha conhecimento prévio" do "Mensalão" somam 33,6%, ao passo que 45,7% responderam que ele "Não tinha conhecimento prévio". E 47,8% acham que Lula "tem agido adequadamente", contra 31,9% que responderam "não tem agido adequadamente".

Sobem a 64,7% os que consideram pagar parlamentares para votar como "uma prática antiga já utilizada em outros governos". E a 18,3% os que vêem nisso "uma prática nova criada no governo do PT".

A interpretação de Clésio Andrade

“As denúncias até agora não afetaram a imagem do presidente, ele é ajudado pela blindagem, pelo bom desempenho da economia e a queda da inflação. A percepção da sociedade é que a culpa pela crise é mais dos parlamentares e do PT que se iguala aos demais partidos. Mesmo a corrupção no governo acaba sendo debitada a eles e pode-se concluir que o Presidente Lula está ileso e tomando as medidas corretas no combate a corrupção", teorizou em coletiva de imprensa Clésio Andrade, presidente da entidade patronal do transporte, que patrocina a pesquisa, e também deputado federal pelo PFL de Minas Gerais.

Contudo, os próprios números da pesquisa desautorizam a interpretação de Clésio Andrade. Os resultados mostram uma visão crítica - e cada vez mais crítica - sobre a situação do país em geral e da economia em particular.

Os números desmentem Clésio

A pesquisa mostra 30,6% das respostas dizendo que a renda mensal diminuiu, contra 18,2% dizendo que aumentou (embora este último número fosse ainda mais baixo em maio, de 12,7%). A maioria acha a hora ruim para comprar bens duráveis (71,3%) ou um carro (84,5%).

Também a opinião sobre a política econômica é majoritariamente questionadora. São 40,2% opinando que "a política econômica do governo tem sido conduzida de forma adequada, está no rumo certo". E 46,1% que julgam-na "inadequada, não está no rumo certo". Sobre a economia brasileira nos próximos seis meses, 45,6% responderam que confiam nela e 46,8% que não confiam.

Na área social, o julgamento é ainda mais severo. Na área da saúde, 47,5% acham que ela piorou nos últimos seis meses, contra 21,8% opinando que melhorou. Na educação, os mesmos números indicam um empate: 33,8% a 33,6%. Mas no que se refere à pobreza eles são 63,7% contra 8,4%. E quanto à segurança. 82,6% a 4,9%.

Uma outra interpretação é possível

Se a interpretação de Clésio de Andrade não bate com os números da pesquisa, pode-se aventar uma outra tentativa de explicação: os brasileiros mantêm uma aprovação elevada e estável do governo Lula por estarem acreditarem que a alternativa colocada é um governo pior. É o que mostram os índices de rejeição dos presidenciáveis na eleição de 2006: segundo a CNT/Sensus, a menor rejeição é a de Lula, 30,8%; e a maior rejeição, entre os sete nomes levantados, é a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 58,1%.

Esta foi a 77ª rodada da série CNT/Sensus, encomendada pela Confederação patronal dos transportes. O instituto Sensus fez 2 mil entrevistas, em 195 municípios de 24 Estados. As entrevistas ocorreram entre os dias 5 e 7 deste mês. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Clique aqui para ver o relatório da pesquisa CNT/Sensus

Leia também: Lula vence Serra no segundo turno e os outros no primeiro

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