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| Tarso
(e.) e Genoino na reunião do
Diretório |
O
Diretório Nacional do PT, que se
reúne neste fim de semana em São
Paulo, optou por uma recomposição
mais drástica de seu núcleo
dirigente, em face da crise provocada
por denúncias de corrupção.
Além do secretário-geral,
Silvio Pereira, e do tesoureiro, Delúbio
Soares, que se licenciaram de seus cargos
na semana passada, também José
Genoino entregou a presidência,
no primeiro dia de reunião (8).
No seu lugar, assumiu Tarso Genro, com
um discurso em que pede que não
se confunda o anseio da sociedade contra
a corrupção com a "luta
titânica dos adversários".
Genoino afastou-se da presidência
com uma declaração onde
disse estar defendendo os valores do PT
e do governo Lula (clique
aqui para ver).
Tarso
Genro assumiu a presidência partidária,
que acumulará com o Ministério
da Educação até 27
dste mês, quando pretende apresentar
o projeto da reforma universitária.
Ricardo Berzoini - que com a reforma ministerial
deixa o Ministério do Trabalho
e retoma seu mandato de deputado federal
- será o novo secretário-geral.
deputado federal José Pimentel
(CE) assumirá a Secretaria Nacional
de Finanças. E Humberto Costa -
que deixa a pasta da Saúde nesta
segunda-feira - substituirá na
Secretaria de Comunicação
a Marcelo Sereno, que também pediu
afastamento. Com isso o PT remaneja todo
o seu núcleo executivo principal.
Esquerda
se abstém e votação
é unânime
Todos
os indicados, assim como os quadros que
eles substituirão, pertencem ao
Campo Majoritário, tendência
hegemônica no PT. As tendências
da esquerda do PT, em minoria no Diretório,
opinou que o processo deveria ser efetivado
por uma ampla discussão com as
bases, mas não apresentou candidaturas
concorrentes nem rejeitou as indicações,
optando pela abstenção.
Os
novos ocupantes dos cargos executivos
foram eleitos por unanimidade, com 55
votos favoráveis, 21 abstenções
e nenhum voto contra (o Diretório
Nacional tem 83 membros). "Isso não
significa que o partido está dividido,
não houve voto contrário",
frisou Tarso Genro.
O
novo presidente do PT é gaúcho
de São Borja, advogado, tem 58
anos e iniciou sua militância em
Santa Maria. Foi prefeito de Porto Alegre
e candidatou-se ao governo do Estado em
2002, perdendo no segundo turno. No governo
Lula, ocupou o Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social e em janeiro
de 2004 a pasta da Educação.
A decisão de deslocar o ministro
dá uma dimensão da prioridade
que o PT atribuiu a esta recomposição
do seu núcleo dirigente partidário.
"Dois
movimentos distintos"
Tarso
falou à imprensa após ser
eleito. Considerou que a situação
atual é fruto de dois movimentos
distintos, mas que acabam se confundindo.
Um seria um anseio da sociedade pelo
combate a irregularidades e ilegalidades,
estimulado durante muitos anos, segundo
lembrou ele, pelo próprio PT. O
outro é a luta titânica
dos adversários" para destruir
a imagem do partido e de seu projeto de
transformação social, visando
as eleições de 2006.
Ele
avalia que assume a presidência
para promover um processo de transição,
tirar a lkegenda da defensiva e normalizar
a vida partidária. O PT tem
uma tradição democrática
forte, é respeitado, tem na base
da sua existência um profundo sentido
de vínculo com a ética pública,
e esse período que nós estamos
atravessando vai ser superado.
O
novo presidente disse ainda que a nova
executiva vai olhar para frente,
sem deixar de analisar eventuais erros
que tenham ocorrido. Vamos fazer
um exame das questões que tivemos,
dos métodos de trabalho que adotamos,
verificar quais os métodos que
permitiram determinados equívocos,
se equívocos realmente ocorreram,
e vamos projetar para frente uma forma
de relacionamento, na questão financeira
também, diferenciada daquela que
tivemos até agora.
Faremos
um projeto de recuperação
das nossas finanças para uma situação
mais rígida, mais transparente,
mais palpável para toda a base
partidária e, inclusive, para a
sociedade, para que possamos nos preparar
de maneira adequada para o próximo
período eleitoral, pois não
queremos que ocorram os problemas que
estão aparecendo neste momento,
afirmou Tarso.
Eleição
interna será reavaliada
O
novo núcleo dirigente assume em
condições de emergência,
para fazer frente à crise. Dentro
de duas a três semanas, o novo presidente
pretende convocar nova reunião
do Diretório Nacional para discutir
o processo de eleições diretas
(PED) no interior do partido, convocadas
para 18 de setembro. Tarso não
soube dizer se disputará a presidência
no PED - onde sete chapas concorrem ao
Diretório Nacional. E o próprio
processo pode sofrer mudanças.
"Vamos
negociar politicamente para ver qual é
a melhor saída. Tem posições
no partido que defendem a manutenção
dessa data, como tem posições
que querem negociar uma outra saída.
Vamos procurar o máximo consenso,
afirmou o dirigente, garantindo que não
pretende interferir na decisão
final.
Também
sobre sua candidatura a resposta foi semelhante:
Vamos iniciar uma discussão,
inclusive com outras forças, para
decidir quem será o candidato.
Vou trabalhar com todos os setores do
partido, inclusive com aqueles que têm
uma visão radicalmente crítica
ao Campo Majoritário. Nós
vamos ter uma direção coletiva.
Para
observadores da vida partidária
petista, a ênfase no diálogo
- ou "repactuação"
- intertendências pode ser a sinalização
de uma mudança de estiulo. Antes
da crise, o Campo Majoritário vinha
confiando basicamente em sua confortável
maioria de votos, desconsiderando, por
exemplo, os questionamentos das tenbdências
à esquerda sobre os rumos da política
econômica do governo Lula.
Executiva
se reúne hoje
A reunião do Diretório Nacional
do PT prossegue na manhã de hoje,
no Hotel Braston, São Paulo, discutindo
uma " "resolução
sobre o momento político".
Com as mudanças anunciadas, a direção
pretende retomar a iniciativa e fazer
frente à ofensiva da oposição
conservadora, que nas últimas semanas
manteve o partido e o governo Lula sob
um bombardeio de denúncias de corrupção,
tendo como principal acusador o deputado
Roberto Jefferson (PTB/RJ).
Hoje,
após a reunião do Diretório,
Tarso convocou uma primeira reunião
da Executiva com sua nova composição,
para o mesmo hotel. O organismo, com 21
membros, tem mandato até 18 de
setembro, quando ocorre as eleições
internas renovarão o conjunto das
direções petistas.
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