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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

10 DE JULHO DE 2005

DIRETÓRIO NACIONAL

Genoino renuncia; Tarso Genro
é eleito para presidir o PT

Tarso (e.) e Genoino na reunião do Diretório

O Diretório Nacional do PT, que se reúne neste fim de semana em São Paulo, optou por uma recomposição mais drástica de seu núcleo dirigente, em face da crise provocada por denúncias de corrupção. Além do secretário-geral, Silvio Pereira, e do tesoureiro, Delúbio Soares, que se licenciaram de seus cargos na semana passada, também José Genoino entregou a presidência, no primeiro dia de reunião (8). No seu lugar, assumiu Tarso Genro, com um discurso em que pede que não se confunda o anseio da sociedade contra a corrupção com a "luta titânica dos adversários".

Genoino afastou-se da presidência com uma declaração onde disse estar defendendo os valores do PT e do governo Lula (clique aqui para ver).

Tarso Genro assumiu a presidência partidária, que acumulará com o Ministério da Educação até 27 dste mês, quando pretende apresentar o projeto da reforma universitária. Ricardo Berzoini - que com a reforma ministerial deixa o Ministério do Trabalho e retoma seu mandato de deputado federal - será o novo secretário-geral. deputado federal José Pimentel (CE) assumirá a Secretaria Nacional de Finanças. E Humberto Costa - que deixa a pasta da Saúde nesta segunda-feira - substituirá na Secretaria de Comunicação a Marcelo Sereno, que também pediu afastamento. Com isso o PT remaneja todo o seu núcleo executivo principal.

Esquerda se abstém e votação é unânime

Todos os indicados, assim como os quadros que eles substituirão, pertencem ao Campo Majoritário, tendência hegemônica no PT. As tendências da esquerda do PT, em minoria no Diretório, opinou que o processo deveria ser efetivado por uma ampla discussão com as bases, mas não apresentou candidaturas concorrentes nem rejeitou as indicações, optando pela abstenção.

Os novos ocupantes dos cargos executivos foram eleitos por unanimidade, com 55 votos favoráveis, 21 abstenções e nenhum voto contra (o Diretório Nacional tem 83 membros). "Isso não significa que o partido está dividido, não houve voto contrário", frisou Tarso Genro.

O novo presidente do PT é gaúcho de São Borja, advogado, tem 58 anos e iniciou sua militância em Santa Maria. Foi prefeito de Porto Alegre e candidatou-se ao governo do Estado em 2002, perdendo no segundo turno. No governo Lula, ocupou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e em janeiro de 2004 a pasta da Educação. A decisão de deslocar o ministro dá uma dimensão da prioridade que o PT atribuiu a esta recomposição do seu núcleo dirigente partidário.

"Dois movimentos distintos"

Tarso falou à imprensa após ser eleito. Considerou que a situação atual é fruto de dois movimentos distintos, mas que acabam se confundindo. Um seria um anseio da sociedade pelo combate a irregularidades e ilegalidades, estimulado durante muitos anos, segundo lembrou ele, pelo próprio PT. O outro é a “luta titânica dos adversários" para destruir a imagem do partido e de seu projeto de transformação social, visando as eleições de 2006.

Ele avalia que assume a presidência para promover um processo de transição, tirar a lkegenda da defensiva e normalizar a vida partidária. “O PT tem uma tradição democrática forte, é respeitado, tem na base da sua existência um profundo sentido de vínculo com a ética pública, e esse período que nós estamos atravessando vai ser superado”.

O novo presidente disse ainda que a nova executiva “vai olhar para frente”, sem deixar de analisar eventuais erros que tenham ocorrido. “Vamos fazer um exame das questões que tivemos, dos métodos de trabalho que adotamos, verificar quais os métodos que permitiram determinados equívocos, se equívocos realmente ocorreram, e vamos projetar para frente uma forma de relacionamento, na questão financeira também, diferenciada daquela que tivemos até agora”.

“Faremos um projeto de recuperação das nossas finanças para uma situação mais rígida, mais transparente, mais palpável para toda a base partidária e, inclusive, para a sociedade, para que possamos nos preparar de maneira adequada para o próximo período eleitoral, pois não queremos que ocorram os problemas que estão aparecendo neste momento”, afirmou Tarso.

Eleição interna será reavaliada

O novo núcleo dirigente assume em condições de emergência, para fazer frente à crise. Dentro de duas a três semanas, o novo presidente pretende convocar nova reunião do Diretório Nacional para discutir o processo de eleições diretas (PED) no interior do partido, convocadas para 18 de setembro. Tarso não soube dizer se disputará a presidência no PED - onde sete chapas concorrem ao Diretório Nacional. E o próprio processo pode sofrer mudanças.

"Vamos negociar politicamente para ver qual é a melhor saída. Tem posições no partido que defendem a manutenção dessa data, como tem posições que querem negociar uma outra saída. Vamos procurar o máximo consenso”, afirmou o dirigente, garantindo que não pretende interferir na decisão final.

Também sobre sua candidatura a resposta foi semelhante: “Vamos iniciar uma discussão, inclusive com outras forças, para decidir quem será o candidato. Vou trabalhar com todos os setores do partido, inclusive com aqueles que têm uma visão radicalmente crítica ao Campo Majoritário. Nós vamos ter uma direção coletiva”.

Para observadores da vida partidária petista, a ênfase no diálogo - ou "repactuação" - intertendências pode ser a sinalização de uma mudança de estiulo. Antes da crise, o Campo Majoritário vinha confiando basicamente em sua confortável maioria de votos, desconsiderando, por exemplo, os questionamentos das tenbdências à esquerda sobre os rumos da política econômica do governo Lula.

Executiva se reúne hoje

A reunião do Diretório Nacional do PT prossegue na manhã de hoje, no Hotel Braston, São Paulo, discutindo uma " "resolução sobre o momento político". Com as mudanças anunciadas, a direção pretende retomar a iniciativa e fazer frente à ofensiva da oposição conservadora, que nas últimas semanas manteve o partido e o governo Lula sob um bombardeio de denúncias de corrupção, tendo como principal acusador o deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ).

Hoje, após a reunião do Diretório, Tarso convocou uma primeira reunião da Executiva com sua nova composição, para o mesmo hotel. O organismo, com 21 membros, tem mandato até 18 de setembro, quando ocorre as eleições internas renovarão o conjunto das direções petistas.

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