Ao participar da inquirição
do publicitário Marcos Valério
como integrante da CPI dos Correios, nesta
quarta-feira (6), o deputado Jamil Murad
(PCdoB/SP) aproveitou
para fazer um pronunciamento político.
Em nome "do compromisso de 83 anos
de existência do meu partido",
ele fez um alerta ao país.
"Nós
precisamos estar alertas, pois somos portadores
de uma vontade nacional de transformar
o Brasil. E se nós formos entrar
nesse jogo esperto e malandro de certos
setores da sociedade brasileira nós
vamos ver o Brasil patinar", advertiu.
Jamil
relatou que começou "a entender
de política" na morte do Getúlio
Vargas, entrou no PCdoB em 1968 e tem
testemunhado "o golpe das elites
contra esse anseio do povo que vai às
ruas luta, luta, tem vitórias e
dali a pouco elas são frustradas.
No meu entendimento nesse momento estão
tentando fazer isso de novo", afirmou.
Disse também que, com a perspectiva
de "o povo brasileiro sair desta
situação", aberta pela
eleição do presidente Lula,
"a gente já esperava que as
classes dominantes e as forças
retrógradas iriam fazer de tudo
para impedir isso".
Identidades
ideológicas
"Eu
alerto a nação, eu alerto
os deputados e senadores: além
das perguntas mais simples em torno dos
fatos, nós temos que procurar relacionar
esses fatos com os grandes interesses
que procuram impedir um caminho novo para
o Brasil. Porque eu reconheço nesses
integrantes do crime organizado na área
da arapongagem, eu vejo nesse pessoal
do mesmo perfil político e ideológico
de muitos representantes de forças
políticas dentro dessa CPMI",
disse o deputado, depois de se referir
aos depoimentos feitos pelos ex-agentes
do SNI Jairo Martins e José Fortuna
Neves, "que foi braço direito
do major Curió na Serra Pelada".
Ao
mesmo tempo em que defendeu a investigação
das denúncias e a punição
dos responsáveis, jamil afirmou
que "nós não queremos
jogar a água suja fora com a criança
junto", referindo-se à expectativa
popular de mudanças no país.
"Essa criança nasceu pela
vontade do povo e na esperança
do povo que é o governo Lula",
afirmou.
Jamil
qualificou de "sórdido"
o ataque que vem sendo feito ao PT, que
considerou "um partido político
ligado ao povo". E comentou: "Eu
não sou do PT. No entanto, nós
não podemos mascarar a feroz luta
política em nível nacional
e internacional que nós estamos
travando hoje. Eu conclamo nosso povo
a participar mais ativamente, jogando
um papel transformador na nossa sociedade,
porque esses arapongas aliados a certos
setores políticos sempre golpearam
o povo e sempre falando em corrupção.
Foi assim o mar de lama que cercou o Getúlio,
foi assim o mar de lama para derrubar
o João Goulart e tem sido assim
em outros países", disse Jamil
Murad.
Com
Senado Federal
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