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Brasil, terça-feira, 7 de outubro de 2008

1º de julho de 2005

NO RASTRO DA CORRUPÇÃO

Lula lança pacote anticorrupção
e ataca "vícios que precisamos mudar"


Para fazer frente a série de denúncias que atinge o governo, o presidente Lula apresentou nessa quinta-feira (30), em solenidade no Palácio do Planalto, um pacote de medidas de combate à corrupção. O conjunto inclui projeto de lei para punir enriquecimento ilícito de servidores; a criação da Corregedoria Executiva Federal, dois decretos determinando a divulgação na Internet de relatórios de auditorias e gastos das pastas, um terceiro com novas regras de sindicâncias administrativas e o lançamento do "Portal Transparência".

Os principais itens do pacote, no entanto, já estão sendo aplicados pela Controladoria Geral da União há meses. Algumas propostas, inclusive, surgiram em encontro sobre lavagem de dinheiro promovido pelo Ministério da Justiça em 2003. Outras ações serão apenas institucionalizadas.

Uma semana após pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV para falar sobre as ações do governo contra o desvio de dinheiro público, o pacote reforça a idéia do governo de que não está passivo diante das denúncias.

"Este país tem vícios"...

O presidente Lula reafirmou a disposição do governo de combater a corrupção, ao falar na cerimônia de Antonio Fernando Barros e Silva de Souza no cargo de procurador-geral da República, sucedendo a Cláudio Fonteles. "Este País tem hábitos, tem vícios, tem costumes que precisam ser retirados da nossa vida. Todo e qualquer brasileiro é favorável ao combate à corrupção nos outros, não nele. Todo brasileiro é favorável a investigação dura nos outros, não nele. Portanto, o que precisamos é mudar".

E isso, segundo ele, só ocorrerá quando houver "instituições fortalecidas, respeitadas, funcionando democraticamente e respeitando as regras criadas pelo próprio ser humano". O presidente disse que fica "muito magoado", muitas vezes, quando pessoas são execradas antes de comprovada a sua culpa. "Depois, quando fica provado que são inocentes, elas não têm, nunca, o mesmo espaço para provar essa inocência", lamentou.

Falando a Silva de Sousa - que assume um cargo ocupado no passado por uma figura que ganhou o apelido de "engavetador-geral da República", Lula enfatizou: "Você pode ser chamado por mim para tomar café, você pode ser chamado por mim para participar de alguma atividade, mas você nunca será procurado pelo Presidente da República para pedir que você engavete um processo contra quem quer que seja neste país".

De Brasília
Márcia Xavier
Com agências

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