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Em
seu primeiro pronunciamento após vencer as
eleições para a Presidência do Irã, Mahmoud
Ahmadinejad (foto) disse que pretende fazer
do país “um poderoso, avançado e moderno
modelo islâmico para o resto do mundo”.
Segundo analistas, a declaração Ahmadinejad
na rádio estatal teve como objetivo reduzir
o temor de que sua vitória represente um
retrocesso na tentativa do Irã de aumentar
sua relação econômica e política com países
ocidentais. Ele prometeu também mais
transparência na área de petróleo, maior
fonte de recursos do Irã.
A vitória do atual prefeito de Teerã deu ao
seu grupo o controle das duas mais
importantes instituições políticas eleitas
no país: a Presidência e o Parlamento. Com a
derrota, a ala dita "reformista", que jogava
suas esperanças no candidato Akbar Hashemi
Rafsanjani, perde força para tentar manter
sua política de mudanças sociais no país,
entre elas a ampliação dos direitos da
mulher, a abertura para o Ocidente e a
liberalização dos costumes.
Declarando-se “campeão dos pobres”,
Ahmadinejad fez uma campanha direcionada
para as camadas mais humildes da população.
Ele impôs a imagem de homem simples e
trabalhador, deixando para Akbar Hashemi
Rafsanjani a impressão de ser o
representante das elites.
"A verdadeira bomba nuclear do Irã é o
desemprego dos jovens", disse Ahmadinejad,
logo após depositar o seu voto na
sexta-feira. Segundo ele, "se nada for feito
para criar novos empregos, teremos uma
explosão nas ruas".
Apesar de as
pesquisas terem indicado um resultado
apertado, Ahmadinejad, de 49 anos, recebeu
17,2 milhões de votos, equivalente a 61,9%
do total. Já seu adversário obteve 10,4
milhões (35,6%). O índice de participação
foi elevado, de 61,4%. Até poucos dias
antes das eleições, a candidatura de
Ahmadinejad era considerada sem força para
alcançar sequer o segundo turno.
Com estes
resultados, Ahmadinejad se transforma no
sexto presidente do Irã desde o triunfo da
Revolução Islâmica em 1979.
Ahmadinejad
minimizou o significado de sua vitória,
voltando a se comparar a um "gari das ruas".
"Estou muito orgulhoso porque as pessoas
manifestaram sua gentileza e confiança.
Acima de tudo isto está a honra de prestar
um serviço, seja como prefeito, como
presidente ou como gari de ruas", disse.
Lição para os EUA
Em seu
pronunciamento, Mahmoud Ahmadinejad também
prometeu transformar o Irã em símbolo e
exemplo para os países muçulmanos de como se
deve exercer a democracia. Por outro lado,
Ahmadinejad pediu a seus seguidores que não
tomem as ruas para comemorar sua vitória.
Segundo
Ahmadinejad, os iranianos colocaram em
"xeque-mate" seus inimigos, termo com o qual
designa freqüentemente os Estados Unidos.
"Na rude
guerra psicológica que se executa, o Irã
colocou em xeque-mate seus inimigos por sua
ampla participação", declarou o atual
prefeito de Teerã na televisão pública.
"Desta forma, o Irã desbaratou todas as
equações imaginadas contra o país no mundo",
acrescentou.
O Guia
Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei,
reforçou as palavras de Ahmadinejad ao
afirmar que os iranianos "humilharam
profundamente" os Estados Unidos com a
"transparência de sua democracia",
manifestada durante a eleição presidencial.
"Apesar de
seus discursos, vosso inimigo foi
profundamente humilhado pela vossa grandeza
e a transparência de vossa democracia",
declarou o número um iraniano em uma
mensagem lida na televisão estatal.
"Vocês
mostraram todos vossos recursos de solidez e
poderio contra as políticas expansionistas
da arrogante potência", disse após a vitória
de Ahmadinejad.
Preocupa os
EUA e a União Européia a postura muito
nacionalista do novo presidente em termos de
política externa.
A porta-voz do Departamento de Estado,
Joanne Moore, disse que o resultado não muda
a visão dos EUA sobre o Irã. "Continuamos a
achar que o Irã está fora de sintonia com os
países da região na luta por liberdade",
declarou Moore.
De olho no Petróleo
Analistas
políticos esperam que Ahmadinejad faça
mudanças amplas no gerenciamento da
indústria estatal de petróleo após repetidos
comentários durante a campanha nos quais ele
acusou as "máfias poderosas" de monopolizar
a receita com petróleo.
"Cortarei
fora as mãos das máfias que têm alcance
sobre nosso petróleo. Apostarei minha vida
nisso... As pessoas precisam ver em suas
vidas a parte delas na riqueza do petróleo",
disse ele durante a campanha.
Segundo ele,
o cenário que governa os acordos na área de
produção e exportação de petróleo não é
claro. "Nós deveríamos esclarecer isso",
diz, sem entrar em detalhes.
O ministro
do Petróleo do Irã, Bijan Zanganeh, e o
representante na Organização dos Países
Exportadores de Petróleo (Opep), Hossein
Kazempour Ardebili, apoiaram abertamente o
clérigo Akbar Hashemi Rafsanjani,
rival do presidente recém-eleito, e devem
ser ambos removidos quando Ahmadinejad tomar
posse, em agosto.
"Truques sujos"
O candidato
derrotado no segundo turno da eleição
presidencial do Irã queixou-se de "truques
sujos" usados contra ele, mas disse que não
vai apresentar um protesto formal.
"Todos os meios do regime foram usados de
forma organizada e ilegal para intervir na
eleição - disse Rafsanjani, acusando
"aqueles que gastaram centenas de bilhões de
de rials (dezenas de milhões de dólares) do
dinheiro do povo para difamar a mim e minha
família", disse o ex-presidente Akbar
Hashemi Rafsanjani, nas primeiras
declarações públicas desde a divulgação dos
resultados finais.
"Eu não pretendo reclamar das eleições com
os juízes que mostraram que não querem ou
não podem fazer nada.. Vou reclamar apenas
com Deus", afirmou.
O clérigo de
70 anos, que se apresentou como uma opção
"moderada" nas eleições, tentava voltar ao
posto que ocupou de 1989 a 1997. Agora, ele
diz que entrou na corrida apenas para
cumprir o dever de ajudar a incentivar a
participação popular.
Ele prometeu ajudar o novo presidente, mas
não o congratulou pela vitória.
"Espero que o presidente eleito Ahmadinejad
assuma sua grande responsabilidade e seja
capaz de cumprir suas promessas", disse
Rafsanjani. "Sem dúvida, devemos ajudá-lo
nesse caminho de tal forma que possamos
servir o povo", acrescentou.
Da redação
com informações das agências
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