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| Lula:
"Eu estar aqui incomoda muita
gente" |
Em um discurso comovente e comovido, o
presidente Luiz Inácio Lula da
Silva entrou mais fundo na polêmica
nacional sobre corrupção
e usou como argumento sua biografia: "Se
se é para fazer [a luta quotidiana
contra a corrupção], ninguém
neste país tem mais autoridade
moral e ética do que eu para fazer
o que precisa ser feito", contra-atacou.
Lula
falou na manhã desta terça-feira
(21) em Brasília, para uma platéia
de cerca de mil trabalhadores do campo
- delegados ao Congresso da União
Nacional de Cooperativas da Agricultura
Familiar e Economia Solidária.
Manoel dos Santos e Luiz Marinho, presidentes
da CUT e da Contag, estavam entre os presentes,
uma platéia amiga que aplaudiu
o improviso presidencial.
Primeira
referência a reeleição
Sempre
em tom polêmico, o presidente referiu-se
pela primeira vez à sua reeleição
em 2006. Disse que "tem gente que
não gosta" que o governo faça
transferência de renda e "os
que torciam para que fosse um desastre
o governo, já estão com
medo hoje é da reeleição.
Esse é o dado concreto e objetivo",
frisou.
Para
Lula, as denúncias recentes acontecem
dentro dessa lógica. "Depois
que nós fomos quebrando todas as
barreiras que eles foram colocando, todas,
eles então resolveram mexer na
questão ética", disse
o presidente. "Podem saber que nós
vamos fazer a luta contra a corrupção
se transformar, não numa bandeira,
porque isso não pode ser bandeira
apenas, a luta contra a corrupção
tem que ser uma prática quotidiana,
tem que ser uma mudança em todas
as instituições, tem que
ser uma mudança de comportamento
e, se é para fazer, ninguém
neste país tem mais autoridade
moral e ética do que eu para fazer
o que precisa ser feito neste país".
O
"governo que age" e "o
que deixa esquecer"
O
presidente reafirmou que nunca nenhum
governo combateu tanto a corrupção
como o seu. "Na história republicana,
e ouso dizer isso na frente de trabalhadores
e trabalhadoras rurais do meu país,
na história republicana, nenhum
governo fez, contra a corrupção,
20% do que estamos fazendo. Nenhum governo
fez", afirmou. E estimulou os trabalhadores
a "pegar todas as denúncias
de corrupção dos últimos
10 anos" e ver "a diferença
entre o governo que age para combater
e o governo que deixa a imprensa esquecer
a manchete".
Lula
disse, contudo, que cabe aos deputados
e senadores criar "mecanismos de
auto-investigação",
pois "não tem como o Poder
Executivo fiscalizar" o Legislativo.
E estimulou os parlamentares a criar "quantas
CPIs quiserem", mas "cumprir
com o papel do próprio Congresso
Nacional, que é votar as coisas
que o Brasil tem interesse", disse,
entre aplausos, e agregou: "Nós
não podemos permitir que por conta
de uma CPI, o Congresso não funcione".
A
imprensa e o "ritual da gravata"
Em
um momento de fogo cerrado contra o governo
na grande imprensa, o presidente não
passou recibo e ainda elogiou o zelo investigativo
da mídia. "A imprensa cumpre
um papel extremamente importante em denunciar
as possíveis mazelas que existem
em qualquer lugar do país".
Mas disse que a mídia pode "fazer
um levantamento", pois "tem
arquivo": pede tudo que saiu de corrupção
há dez anos, toda semana, todo
dia e todo mês. E veja o que foi
investigado neste país".
Em
mangas de camisa, Lula usou o guarda-roupa
para exemplificar o incômodo das
elites com a marca de classe do seu estilo
de governo, que vinculou nas entrelinhas
à campanha oposicionista: "Vocês
pensam que eles não ficam incomodados
porque eu estou aqui sem gravata? Porque
tem um ritual, eu sou a negação
do ritual histórico que foi criado
neste país, pela minha origem,
de onde eu vim, isso é que faz
a diferença. Estar aqui com vocês
incomoda, incomoda muita gente. Vocês
sabem quanto nós fizemos de transferência
de renda nesse pouco tempo que estamos
no governo? São 17 bilhões
de reais de transferência de renda,
dinheiro que sai dos cofres públicos
e vai para a mão do povo pobre
deste país", argumentou.
Com
agências e
Presiência da República
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