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Brasil, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

21 de junho de 2005

"RODA VIVA"

Depois de Dirceu, Jefferson aponta na TV seus próximos alvos no PT


O deputado federal e presidente licenciado do PTB Roberto Jefferson reafirmou na noite desta segunda-feira (20), em entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, as acusações ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. N
o fim da entrevista, ele explicitou quais seriam os seus alvos imediatos. Depois de se vangloriar de ter tirado Dirceu do governo, disse só faltar agora "uma quimioterapia" que atinja Sílvio Pereira, Delúbio Soares (respectivamente secretários de geral e de finanças do PT) "e o próprio Genoino", referindo-se ao presidente da legenda, José Genoino Neto.

O entrevistado não acrescentou novas informações substanciais e admitiu não ter provas, a não ser o "faro". Mas acusou Dirceu de ser o "mentor" do "grande esquema de corrupção" que teria como "gerente" o secretário-geral do PT.

Jefferson foi tratado mais como denunciador do que como denunciado pelos jornalistas convidados para o "Roda Viva". Mas não mostrou a mesma desenvoltura do depoimento no Conselho de Ética na Câmara, na semana passada, sua última aparição em público, e em momentos anteriores de sua carreira. No final da entrevista, disse viver "uma vida um tanto amarga", que perdeu "o romance". E concluiu que será "muito difícil" não ter o mandato cassado em virtuda das denúncias que o envolvem, de envolvimento em suposta cobrança de propina na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).

"Há uma diferença"

Numa entrevista em que as perguntas falaram de corrupção do princípio ao fim, Jefferson respondeu com uma terminante negativa quando indagado se "o senhor se considera um corrupto". Mas procurou fazer uma distinção entre as irregularidades que acusa e aquelas das quais é acusado: "Há uma diferença entre essas duas coisas, eu não aluguei o meu partido; outra é fazer uma aliança eleitoral entre partidos".

A quais "duas coisas" o entrevistado se referia? Para ele, o "mensalão" é "o maior esquema de corrupção que eu já vi", w ele sublinha que começou a carreira política no governo do general Figueiredo (1974/1985). Instado a falar de outros esquemas que "já viu", eludiu a pergunta. Mas disse depois que o "esquema Silvio Pereira" é maior que o de PC Farias, no governo Fernando Collor de Mello, que defendeu até o fim.

Quanto às acusações que o envolvem, Jefferson foi mais flexível. "Receber dinheiro por fora é a prática de todos os partidos", disse. Embora admitindo que "ético não é", argumentou que este seria "como é a séculos no Brasil o financiamento dde campanha". Em outro trecho, descreveu que os partidos disputam as direções de estatais "fundamentalmente para que esses dirigentes de empresas estatais estabeleçam vínculos com empresas privadas que podem financiar as campanhas". E ainda disse que aconselhava os dirigentes do PTB a pensar primeiro no interesse da empresa pública, segundo no da empresa privada e só em terceiro no benefício para o PTB.

A reforma política de Jefferson

Como remédio para o sistema que admitiu ser "corrupto" e, ao seu ver, "contaminou" o PTB, o entrevistado defendeu a reforma política. Mas ele chamou de "vergonheira" a reforma "que está lá na Câmara".

Ele proclamou-se contra a proposta de financiamento das campanhas eleitorais, alegando que "é tirar dinheiro do pobre", pois o dinheiro sairá do estado. Em vez disso defendeu a continuação do financiamento privado, mas com doações dedutíveis do Imposto de Renda, para amortizar os gastos das empresas no financiamento de candidatos. Investiu também contra a redução das cláusulas de barreira, defendendo "de imediato" a redução do leque político para seis partidos. Propôs ainda cortes no número de cadeiras no Senado e na Câmara.

Confronto com Dirceu

Na entrevista, Jefferson mencionou o tempo em que, como líder do PTB, formou a base de sustentação do governo Fernando Henrique Cardoso, mas não respondeu sobre a compra de votos para a emenda constitucional da reeleição, em 1997. Admitiu contudo ("Você tem dúvida?") que houve repasse ilegal de recursos do PSDB para o PTB. Manteve a linha de poupar a figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como o PMDB. Concentrou fogo contra o PL e sobretudo o PT, a quem espera vitimar na hora em que a CPI, segundo as suas palavras, decidir "quem vai para a guilhotina".

Jefferson disse ainda que vê "sem nenhum problema" a acareação com Dirceu. Este demitiu-se da Casa Civil expressamente para retomar a sua cadeira na Câmara dos Deputados, o que ocorre nesta quarta-feira, com um discurso no grande expediente - onde falará por cerca de 25 minutos. O confrontamento entre os dois na Câmara é aguardado como o próximo capítulo decisivo da crise.

Com informações
da TV Cultuta

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