O deputado federal e presidente licenciado
do PTB Roberto Jefferson reafirmou na
noite desta segunda-feira (20), em entrevista
no programa Roda Viva, da TV Cultura,
as acusações ao ex-ministro
da Casa Civil José Dirceu. No
fim da entrevista, ele explicitou quais
seriam os seus alvos imediatos. Depois
de se vangloriar de ter tirado Dirceu
do governo, disse só faltar agora
"uma quimioterapia" que atinja
Sílvio Pereira, Delúbio
Soares (respectivamente secretários
de geral e de finanças do PT) "e
o próprio Genoino", referindo-se
ao presidente da legenda, José
Genoino Neto.
O
entrevistado não acrescentou novas
informações substanciais
e admitiu não ter provas, a não
ser o "faro". Mas acusou Dirceu
de ser o "mentor" do "grande
esquema de corrupção"
que teria como "gerente" o secretário-geral
do PT.
Jefferson
foi tratado mais como denunciador do que
como denunciado pelos jornalistas convidados
para o "Roda Viva". Mas não
mostrou a mesma desenvoltura do depoimento
no Conselho de Ética na Câmara,
na semana passada, sua última aparição
em público, e em momentos anteriores
de sua carreira. No final da entrevista,
disse viver "uma vida um tanto amarga",
que perdeu "o romance". E concluiu
que será "muito difícil"
não ter o mandato cassado em virtuda
das denúncias que o envolvem, de
envolvimento em suposta cobrança
de propina na Empresa de Correios e Telégrafos
(ECT) e no Instituto de Resseguros do
Brasil (IRB).
"Há
uma diferença"
Numa
entrevista em que as perguntas falaram
de corrupção do princípio
ao fim, Jefferson respondeu com uma terminante
negativa quando indagado se "o senhor
se considera um corrupto". Mas procurou
fazer uma distinção entre
as irregularidades que acusa e aquelas
das quais é acusado: "Há
uma diferença entre essas duas
coisas, eu não aluguei o meu partido;
outra é fazer uma aliança
eleitoral entre partidos".
A
quais "duas coisas" o entrevistado
se referia? Para ele, o "mensalão"
é "o maior esquema de corrupção
que eu já vi", w ele sublinha
que começou a carreira política
no governo do general Figueiredo (1974/1985).
Instado a falar de outros esquemas que
"já viu", eludiu a pergunta.
Mas disse depois que o "esquema Silvio
Pereira" é maior que o de
PC Farias, no governo Fernando Collor
de Mello, que defendeu até o fim.
Quanto
às acusações que
o envolvem, Jefferson foi mais flexível.
"Receber dinheiro por fora é
a prática de todos os partidos",
disse. Embora admitindo que "ético
não é", argumentou
que este seria "como é a séculos
no Brasil o financiamento dde campanha".
Em outro trecho, descreveu que os partidos
disputam as direções de
estatais "fundamentalmente para que
esses dirigentes de empresas estatais
estabeleçam vínculos com
empresas privadas que podem financiar
as campanhas". E ainda disse que
aconselhava os dirigentes do PTB a pensar
primeiro no interesse da empresa pública,
segundo no da empresa privada e só
em terceiro no benefício para o
PTB.
A
reforma política de Jefferson
Como
remédio para o sistema que admitiu
ser "corrupto" e, ao seu ver,
"contaminou" o PTB, o entrevistado
defendeu a reforma política. Mas
ele chamou de "vergonheira"
a reforma "que está lá
na Câmara".
Ele
proclamou-se contra a proposta de financiamento
das campanhas eleitorais, alegando que
"é tirar dinheiro do pobre",
pois o dinheiro sairá do estado.
Em vez disso defendeu a continuação
do financiamento privado, mas com doações
dedutíveis do Imposto de Renda,
para amortizar os gastos das empresas
no financiamento de candidatos. Investiu
também contra a redução
das cláusulas de barreira, defendendo
"de imediato" a redução
do leque político para seis partidos.
Propôs ainda cortes no número
de cadeiras no Senado e na Câmara.
Confronto
com Dirceu
Na
entrevista, Jefferson mencionou o tempo
em que, como líder do PTB, formou
a base de sustentação do
governo Fernando Henrique Cardoso, mas
não respondeu sobre a compra de
votos para a emenda constitucional da
reeleição, em 1997. Admitiu
contudo ("Você tem dúvida?")
que houve repasse ilegal de recursos do
PSDB para o PTB. Manteve a linha de poupar
a figura do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, assim como o PMDB. Concentrou
fogo contra o PL e sobretudo o PT, a quem
espera vitimar na hora em que a CPI, segundo
as suas palavras, decidir "quem vai
para a guilhotina".
Jefferson
disse ainda que vê "sem nenhum
problema" a acareação
com Dirceu. Este demitiu-se da Casa Civil
expressamente para retomar a sua cadeira
na Câmara dos Deputados, o que ocorre
nesta quarta-feira, com um discurso no
grande expediente - onde falará
por cerca de 25 minutos. O confrontamento
entre os dois na Câmara é
aguardado como o próximo capítulo
decisivo da crise.
Com
informações
da TV Cultuta
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