A Coordenação dos Movimentos
Sociais (CMS), que reúne o MST,
CUT, UNE, Ubes e outras entidades nacionais,
divulga nesta terça-feira (21),
uma “Carta ao Povo Brasileiro”, de defesa
do governo Lula face à ação
golpista da oposição conservadora.
A coletiva de imprensa será às
14 horas no Centro Cultural de Brasília.
O
documento será aprovado pela CMS
em reunião pela manhã. Os
movimentos defendem “a mobilização
popular contra o golpismo de direita,
a apuração das denúncias
de corrupção, mudanças
na política econômica e a
reforma política como elementos
fundamentais para o país avançar
na construção de uma sociedade
mais justa e igualitária”.
Mobilização
por "agenda positiva"
O
objetivo do movimento é, diante
da crise, lançar uma ampla mobilização
nacional em defesa de uma "agenda
positiva" para o governo federal,
que inclui a redução dos
juros e do superávit primário,
além do aumento de recursos para
áreas sociais como forma de acelerar
a geração de emprego e renda
em todo o país. No calendário
da CMS está o reforço da
manifestação de rua marcada
para 1º de julho, em Goiânia,
por motivo do 49º Congresso da UNE.
A previsão é que a passeata
reúna 20 mil pessoas.
Os
movimentos também vão defender
uma ampla reforma política democratizante
– tema que voltou às discussões
do Congresso Nacional nas últimas
semanas depois das denúncias do
deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ) sobre
a existência de suposto esquema
de pagamento de mesadas a parlamentares
do PP e PL.
Defesa
da unidade
As
entidades afirmam que as denúncias
do deputado Roberto Jefferson têm
o objetivo de enfraquecer o governo federal,
isolando o projeto de mudanças
previsto para ser colocado em prática
pelo Executivo. O MST defende uma "necessária
e forte" unidade entre todos os setores
da sociedade para o enfrentamento das
denúncias. "Neste momento,
a união e a mobilização
são fundamentais, pois estamos
numa verdadeira guerra", diz João
Pedro Stédile, dirigente do MST.
O
secretário nacional de comunicação
da CUT, Antonio Carlos Spis, acredita
que as denúncias de Jefferson vêm
sendo manipuladas pela mídia para
interferir no inconsciente coletivo, "transformando
uma mentira em verdade", e paralisando
o país. "Os movimentos defendem
a apuração das denúncias,
a investigação e punição
dos culpados, mas não vão
fazer o jogo da direita, que quer enfraquecer
e tomar de assalto o governo, abrindo
espaço para a privatização
e a terceirização. Ou seja,
para mais corrupção",
encerrou.
Posicionamento
do MST
Nesta
segunda-feira, o boletim eletrônico
"Letra Viva", do MST (Movimento
dos Trabalhadores Sem-Terra), traz como
matéria principal o texto "Uma
opção pelo povo brasileiro",
analisando a crise política em
curso. Assinado pela Secretaria Nacional
do Movimento, o texto afirma que "a
direita utilizou a situação
para antecipar o calendário eleitoral".
Em
2002 elegemos Luís Inácio
Lula da Silva presidente do Brasil.
Foi a primeira vez que um representante
do povo, liderança da classe
trabalhadora, assumiu o comando da nação.
Mas já durante a campanha eleitoral,
no lançamento da Carta aos Brasileiros,
demonstrava-se a intenção
de garantir aos credores internacionais
e ao mercado brasileiro medidas semelhantes
às que marcaram o governo Fernando
Henrique Cardoso.
Mesmo
com essa sinalização,
o povo brasileiro se encheu de esperança
e expectativas e votou em Lula pela
mudança nessa política
econômica. Com o passar dos meses,
as perspectivas de mudanças em
prol da justiça social foram
diminuindo conforme os juros aumentavam.
Ficou nítida a opção
por uma política claramente neoliberal,
baseada na alta de juros - a taxa básica,
Selic, se mantém em 19,75% e
é considerada a maior do mundo
- , no estímulo às exportações
e na garantia do superávit primário,
que deve atingir R$83 bilhões
em 2005. Os recursos para a Reforma
Agrária, a educação,
a saúde, o saneamento e a infra-estrutura
do país foram para segundo plano.
Por
outro lado, a política externa
de diálogo com a Venezuela de
Hugo Chávez e as mobilizações
populares no Equador e na Bolívia,
deixavam o capital transnacional e o
governo estadunidense de George W. Bush
inquietos.
Para
acalmá-lo e garantir o funcionamento
do governo, alianças com setores
conservadores da política e da
sociedade, inclusive a imprensa, foram
firmadas. A base do governo não
era mais apenas os movimentos populares
e a sociedade civil, apesar da experiência
histórica demonstrar que o Congresso
Nacional jamais deixou de aprovar um
projeto que conseguiu obter apoio na
opinião pública.
Com
as denúncias de corrupção
divulgadas nas últimas duas semanas,
o circo foi armado. A elite utilizou
as declarações de Roberto
Jefferson (PTB), da base governista,
para criar uma cortina de fumaça
e enfraquecê-lo, levantando até
a possibilidade de impedimento.
O
Movimento Sem Terra defende a apuração
de todas as denúncias, até
as últimas conseqüências.
Mas está claro que a direita
utilizou a situação para
antecipar o calendário eleitoral.
Ou eles investem de vez no enfraquecimento
do governo e partem para a consolidação
de uma candidatura, ou fazem um novo
pacto, com o estabelecimento de políticas
mais à direita e sem alteração
na economia. Um exemplo claro é
a proposta de privatizar os Correios
como forma de evitar a corrupção,
seguindo assim os ditames das mudanças
neoliberais.
Somos
contra a corrupção, mas
também somos contra esse golpismo.
Por isso, defendemos a apuração
de todas as denúncias do governo
Lula e dos governos anteriores, principalmente
FHC.
Este
é um momento de decisão.
Trata-se de uma disputa de projetos.
O governo pode ampliar a política
que vem aplicando até agora ou
pode vir para o lado do povo, retomar
seus compromissos de campanha com os
53 milhões de brasileiros e brasileiras
que o elegeram. Precisamos ir para as
ruas, mostrar o apoio às decisões
de mudanças na política
econômica e a prioridade do cumprimento
dos direitos sociais. Vamos exigir do
governo demonstrações
de que está ao lado do povo com
a democratização e a defesa
das empresas estatais e dos direitos
sociais, a favor das reformas políticas
democráticas e da Reforma Agrária!
De
Brasília
Márcia Xavier
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