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Brasil, quinta-feira, 28 de agosto de 2008

21 de junho de 2005

HOJE EM BRASÍLIA

Face à crise, movimentos sociais
lançam hoje Carta ao Povo Brasileiro


A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), que reúne o MST, CUT, UNE, Ubes e outras entidades nacionais, divulga nesta terça-feira (21), uma “Carta ao Povo Brasileiro”, de defesa do governo Lula face à ação golpista da oposição conservadora. A coletiva de imprensa será às 14 horas no Centro Cultural de Brasília.

O documento será aprovado pela CMS em reunião pela manhã. Os movimentos defendem “a mobilização popular contra o golpismo de direita, a apuração das denúncias de corrupção, mudanças na política econômica e a reforma política como elementos fundamentais para o país avançar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária”.

Mobilização por "agenda positiva"

O objetivo do movimento é, diante da crise, lançar uma ampla mobilização nacional em defesa de uma "agenda positiva" para o governo federal, que inclui a redução dos juros e do superávit primário, além do aumento de recursos para áreas sociais como forma de acelerar a geração de emprego e renda em todo o país. No calendário da CMS está o reforço da manifestação de rua marcada para 1º de julho, em Goiânia, por motivo do 49º Congresso da UNE. A previsão é que a passeata reúna 20 mil pessoas.

Os movimentos também vão defender uma ampla reforma política democratizante – tema que voltou às discussões do Congresso Nacional nas últimas semanas depois das denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ) sobre a existência de suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares do PP e PL.

Defesa da unidade

As entidades afirmam que as denúncias do deputado Roberto Jefferson têm o objetivo de enfraquecer o governo federal, isolando o projeto de mudanças previsto para ser colocado em prática pelo Executivo. O MST defende uma "necessária e forte" unidade entre todos os setores da sociedade para o enfrentamento das denúncias. "Neste momento, a união e a mobilização são fundamentais, pois estamos numa verdadeira guerra", diz João Pedro Stédile, dirigente do MST.

O secretário nacional de comunicação da CUT, Antonio Carlos Spis, acredita que as denúncias de Jefferson vêm sendo manipuladas pela mídia para interferir no inconsciente coletivo, "transformando uma mentira em verdade", e paralisando o país. "Os movimentos defendem a apuração das denúncias, a investigação e punição dos culpados, mas não vão fazer o jogo da direita, que quer enfraquecer e tomar de assalto o governo, abrindo espaço para a privatização e a terceirização. Ou seja, para mais corrupção", encerrou.

Posicionamento do MST

Nesta segunda-feira, o boletim eletrônico "Letra Viva", do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), traz como matéria principal o texto "Uma opção pelo povo brasileiro", analisando a crise política em curso. Assinado pela Secretaria Nacional do Movimento, o texto afirma que "a direita utilizou a situação para antecipar o calendário eleitoral".

Em 2002 elegemos Luís Inácio Lula da Silva presidente do Brasil. Foi a primeira vez que um representante do povo, liderança da classe trabalhadora, assumiu o comando da nação. Mas já durante a campanha eleitoral, no lançamento da Carta aos Brasileiros, demonstrava-se a intenção de garantir aos credores internacionais e ao mercado brasileiro medidas semelhantes às que marcaram o governo Fernando Henrique Cardoso.

Mesmo com essa sinalização, o povo brasileiro se encheu de esperança e expectativas e votou em Lula pela mudança nessa política econômica. Com o passar dos meses, as perspectivas de mudanças em prol da justiça social foram diminuindo conforme os juros aumentavam. Ficou nítida a opção por uma política claramente neoliberal, baseada na alta de juros - a taxa básica, Selic, se mantém em 19,75% e é considerada a maior do mundo - , no estímulo às exportações e na garantia do superávit primário, que deve atingir R$83 bilhões em 2005. Os recursos para a Reforma Agrária, a educação, a saúde, o saneamento e a infra-estrutura do país foram para segundo plano.

Por outro lado, a política externa de diálogo com a Venezuela de Hugo Chávez e as mobilizações populares no Equador e na Bolívia, deixavam o capital transnacional e o governo estadunidense de George W. Bush inquietos.

Para acalmá-lo e garantir o funcionamento do governo, alianças com setores conservadores da política e da sociedade, inclusive a imprensa, foram firmadas. A base do governo não era mais apenas os movimentos populares e a sociedade civil, apesar da experiência histórica demonstrar que o Congresso Nacional jamais deixou de aprovar um projeto que conseguiu obter apoio na opinião pública.

Com as denúncias de corrupção divulgadas nas últimas duas semanas, o circo foi armado. A elite utilizou as declarações de Roberto Jefferson (PTB), da base governista, para criar uma cortina de fumaça e enfraquecê-lo, levantando até a possibilidade de impedimento.

O Movimento Sem Terra defende a apuração de todas as denúncias, até as últimas conseqüências. Mas está claro que a direita utilizou a situação para antecipar o calendário eleitoral. Ou eles investem de vez no enfraquecimento do governo e partem para a consolidação de uma candidatura, ou fazem um novo pacto, com o estabelecimento de políticas mais à direita e sem alteração na economia. Um exemplo claro é a proposta de privatizar os Correios como forma de evitar a corrupção, seguindo assim os ditames das mudanças neoliberais.

Somos contra a corrupção, mas também somos contra esse golpismo. Por isso, defendemos a apuração de todas as denúncias do governo Lula e dos governos anteriores, principalmente FHC.

Este é um momento de decisão. Trata-se de uma disputa de projetos. O governo pode ampliar a política que vem aplicando até agora ou pode vir para o lado do povo, retomar seus compromissos de campanha com os 53 milhões de brasileiros e brasileiras que o elegeram. Precisamos ir para as ruas, mostrar o apoio às decisões de mudanças na política econômica e a prioridade do cumprimento dos direitos sociais. Vamos exigir do governo demonstrações de que está ao lado do povo com a democratização e a defesa das empresas estatais e dos direitos sociais, a favor das reformas políticas democráticas e da Reforma Agrária!

De Brasília
Márcia Xavier

Confira a íntegra da "Carta ao povo brasileiro"

 

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