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Brasil, sexta-feira, 25 de julho de 2008

17 de junho de 2005

UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES
Nova dirigente da UBM/SC fala dos desafios da entidade no Estado

 


Realizado no dia 5 de junho, em Florianópolis, o 1º Congresso da União

Brasileira de Mulheres de Santa Catarina – UBM, foi repleto de êxitos.

Elegeu a nova coordenação da Entidade e debateu importantes temas

sobre a emancipação da mulher. O Congresso foi aberto com a realização

da mesa redonda "Os impactos da Ideologia Neoliberal na subjetividade

feminina" da qual participaram a Professora Clair Castilhos,

ex-coordenadora da UBM-SC e Presidente da Casa da Mulher Catarina,

Professora Tereza Kleba Lisboa, Assistente Social e Coordenadora do

Núcleo de Estudos e Pesquisas em Serviço Social e Relações de Gênero e

Liége Rocha do Conselho Nacional da Mulher e da Executiva Nacional da

UBM. O Congresso elegeu a nova coordenação composta por 17 mulheres, tendo por coordenadora geral a Assistente Social e Assessora

Parlamentar Simone Lolatto.

Abaixo, entrevista com Simone Lolatto, coordenadora geral eleita da UBM/SC

Qual a avaliação do Congresso da UBM/SC?:

O Congresso da UBM/SC aconteceu depois de sete anos sem Congresso, a Entidade passou um ano e meio se reorganizando com uma coordenação provisória, fazendo atividades, construindo núcleos no interior do Estado. E chegou o momento de fazer o Congresso Estadual com a participação de mulheres de vários municípios, tanto daqueles onde já possuem núcleos organizados como de municípios onde ainda teremos o desafio de estruturar núcleos da UBM.

Quantos núcleos da UBM em Santa Catarina?

Temos cinco núcleos da UBM em Santa Catarina: Chapecó, Criciúma,

Blumenau, na Grande Florianópolis que seria São José e Biguaçú, e a

executiva que fica sediada na Capital Florianópolis.

Qual é a perspectiva de organização da UBM em Santa Catarina?

A idéia é o fortalecimento destes núcleos, continuar subsidiando e

realizando eventos nas regiões para colocar o nome da UBM como uma

Entidade dos movimentos das mulheres que está para contribuir na luta,

e organizar debates dos temas mais candentes, como por exemplo na área da saúde da mulher, das condições das mulheres no mundo do trabalho, e particularmente em Santa Catarina focalizar nesta questão da mulher trabalhadora uma vez que é o Estado brasileiro "campeão" em

desigualdade salarial entre homens e mulheres para o mesmo trabalho. A

questão principal que a UBM vai estar encampando no próximo período

será este debate: as desigualdades da mulher e as dificuldades diante

da realidade que mulher trabalhadora enfrenta.

Além destas, quais as principais lutas da UBM?

Na área da saúde a atualmente está em debate a ampliação dos casos de

aborto legal, a revisão do código penal, a questão da saúde

reprodutiva da mulher. Trabalharemos os espaços políticos que a mulher

pode alcançar. Em Santa Catarina temos também uma desigualdade muito grande sobre a ascensão da mulher no espaço da política, e isso se

visualiza também na garantia das políticas públicas específicas para a

área da mulher. Então temos menos políticas de saúde da mulher, da

mulher trabalhadora, menos políticas públicas de creches, de educação

para os filhos, que afetam mais a vida das mulheres, pois ainda a

mulher arca com a maior responsabilidade na criação dos filhos. A

conseqüência dos filhos não terem acesso à creche afeta muito mais a

vida das mulheres; deste modo o acesso às creches e escolas de boa

qualidade são fundamentais para a autonomia e permanecia das mulheres

trabalhando.

Qual a relação do PCdoB com a UBM?

A UBM tem uma orientação política que se traduz muito visão de

sociedade justa e igualitária e na orientação política que o PCdoB tem

para as lutas gerais, a linha do operariado, dos trabalhadores. Uma

linha mais progressista, avançada de mudança nas relações humanas. A

UBM entende que uma sociedade justa e igualitária vai construir também

a possibilidade de emancipação da mulher. É impossível a emancipação

das mulheres na sua plenitude nesta sociedade que vivemos hoje,

capitalista de exploração, onde estão intrínsecas em sua base as

desigualdades. Precisamos superar essa sociedade, suplanta-lá para

chegarmos à igualdade de gêneros, igualdade entre os homens e as

mulheres. Então a UBM se pauta muito pela linha política do PCdoB,

essa é a relação que existe entre UBM e PCdoB. Fazem parte da UBM

mulheres diferentes origens partidárias e mulheres que não possuem

partido, mas tenham como princípios a busca pela emancipação feminina

e superação de todas as formas opressões.

Você assumiu a Coordenação da UBM e ao mesmo tempo descobriu que está esperando um bebê, isso te deixa com uma dupla responsabilidade. Como você encara essa nova realidade?

Eu sempre pensei que quando viesse a engravidar não iria sair da luta

cotidiana, não me afastaria e nem me ausentaria da participação

política, então eu fiquei muito feliz em poder estar na coordenação da

UBM ao mesmo tempo em descobri o início da gravidez. Espero poder

estar contribuindo bastante com a UBM e tenho certeza que nem a

gravidez e nem um(a) bebe não vai impedir a minha participação

política ou fazer com que eu deixe de viver a militância, não abrirei

mão disso; não conseguirei viver de outro modo; é assim que sou feliz.

Espero estar colocando mais uma pessoa feminista no mundo, seja homem ou mulher, que seja feminista também.

Um recado:

A luta das mulheres é uma luta por homens e mulheres, pela construção

de uma sociedade justa e igualitária onde as pessoas possam viver bem,

em plenitude e felizes.


Vinícius Puhl

De Florianópolis

 

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