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Realizado no
dia 5 de junho, em Florianópolis, o 1º
Congresso da União
Brasileira de
Mulheres de Santa Catarina – UBM, foi
repleto de êxitos.
Elegeu a nova
coordenação da Entidade e debateu
importantes temas
sobre a
emancipação da mulher. O Congresso foi
aberto com a realização
da mesa redonda
"Os impactos da Ideologia Neoliberal na
subjetividade
feminina" da
qual participaram a Professora Clair
Castilhos,
ex-coordenadora
da UBM-SC e Presidente da Casa da Mulher
Catarina,
Professora
Tereza Kleba Lisboa, Assistente Social e
Coordenadora do
Núcleo de
Estudos e Pesquisas em Serviço Social e
Relações de Gênero e
Liége Rocha do
Conselho Nacional da Mulher e da Executiva
Nacional da
UBM. O
Congresso elegeu a nova coordenação composta
por 17 mulheres, tendo por coordenadora
geral a Assistente Social e Assessora
Parlamentar
Simone Lolatto.
Abaixo,
entrevista com Simone Lolatto, coordenadora
geral eleita da UBM/SC
Qual a
avaliação do Congresso da UBM/SC?:
O Congresso da
UBM/SC aconteceu depois de sete anos sem
Congresso, a Entidade passou um ano e meio
se reorganizando com uma coordenação
provisória, fazendo atividades, construindo
núcleos no interior do Estado. E chegou o
momento de fazer o Congresso Estadual com a
participação de mulheres de vários
municípios, tanto daqueles onde já possuem
núcleos organizados como de municípios onde
ainda teremos o desafio de estruturar
núcleos da UBM.
Quantos núcleos da UBM em Santa Catarina?
Temos cinco
núcleos da UBM em Santa Catarina: Chapecó,
Criciúma,
Blumenau, na
Grande Florianópolis que seria São José e
Biguaçú, e a
executiva que
fica sediada na Capital Florianópolis.
Qual é a perspectiva de organização da UBM
em Santa Catarina?
A idéia é o
fortalecimento destes núcleos, continuar
subsidiando e
realizando
eventos nas regiões para colocar o nome da
UBM como uma
Entidade dos
movimentos das mulheres que está para
contribuir na luta,
e organizar
debates dos temas mais candentes, como por
exemplo na área da saúde da mulher, das
condições das mulheres no mundo do trabalho,
e particularmente em Santa Catarina
focalizar nesta questão da mulher
trabalhadora uma vez que é o Estado
brasileiro "campeão" em
desigualdade
salarial entre homens e mulheres para o
mesmo trabalho. A
questão
principal que a UBM vai estar encampando no
próximo período
será este
debate: as desigualdades da mulher e as
dificuldades diante
da realidade
que mulher trabalhadora enfrenta.
Além destas, quais as principais lutas da
UBM?
Na área da
saúde a atualmente está em debate a
ampliação dos casos de
aborto legal, a
revisão do código penal, a questão da saúde
reprodutiva da
mulher. Trabalharemos os espaços políticos
que a mulher
pode alcançar.
Em Santa Catarina temos também uma
desigualdade muito grande sobre a ascensão
da mulher no espaço da política, e isso se
visualiza
também na garantia das políticas públicas
específicas para a
área da mulher.
Então temos menos políticas de saúde da
mulher, da
mulher
trabalhadora, menos políticas públicas de
creches, de educação
para os filhos,
que afetam mais a vida das mulheres, pois
ainda a
mulher arca com
a maior responsabilidade na criação dos
filhos. A
conseqüência
dos filhos não terem acesso à creche afeta
muito mais a
vida das
mulheres; deste modo o acesso às creches e
escolas de boa
qualidade são
fundamentais para a autonomia e permanecia
das mulheres
trabalhando.
Qual a relação do PCdoB com a UBM?
A UBM tem uma
orientação política que se traduz muito
visão de
sociedade justa
e igualitária e na orientação política que o
PCdoB tem
para as lutas
gerais, a linha do operariado, dos
trabalhadores. Uma
linha mais
progressista, avançada de mudança nas
relações humanas. A
UBM entende que
uma sociedade justa e igualitária vai
construir também
a possibilidade
de emancipação da mulher. É impossível a
emancipação
das mulheres na
sua plenitude nesta sociedade que vivemos
hoje,
capitalista de
exploração, onde estão intrínsecas em sua
base as
desigualdades.
Precisamos superar essa sociedade,
suplanta-lá para
chegarmos à
igualdade de gêneros, igualdade entre os
homens e as
mulheres. Então
a UBM se pauta muito pela linha política do
PCdoB,
essa é a
relação que existe entre UBM e PCdoB. Fazem
parte da UBM
mulheres
diferentes origens partidárias e mulheres
que não possuem
partido, mas
tenham como princípios a busca pela
emancipação feminina
e superação de
todas as formas opressões.
Você assumiu a Coordenação da UBM e ao mesmo
tempo descobriu que está esperando um bebê,
isso te deixa com uma dupla
responsabilidade. Como você encara essa nova
realidade?
Eu sempre
pensei que quando viesse a engravidar não
iria sair da luta
cotidiana, não
me afastaria e nem me ausentaria da
participação
política, então
eu fiquei muito feliz em poder estar na
coordenação da
UBM ao mesmo
tempo em descobri o início da gravidez.
Espero poder
estar
contribuindo bastante com a UBM e tenho
certeza que nem a
gravidez e nem
um(a) bebe não vai impedir a minha
participação
política ou
fazer com que eu deixe de viver a
militância, não abrirei
mão disso; não
conseguirei viver de outro modo; é assim que
sou feliz.
Espero estar
colocando mais uma pessoa feminista no
mundo, seja homem ou mulher, que seja
feminista também.
Um recado:
A luta das
mulheres é uma luta por homens e mulheres,
pela construção
de uma
sociedade justa e igualitária onde as
pessoas possam viver bem,
em plenitude e
felizes.
Vinícius Puhl
De Florianópolis
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