Fale Conosco | Marxismo + Brasil | Editorial | Busca: 

Visite a página do Partido Comunista do Brasil

Nova pagina 1

Especiais

 

 

11º Congresso do PCdoB

Crise e corrupção - O Governo sob ataque

Guerra no Iraque

Brasil Sim 
Alca Não

Cuba

Governo Lula

Sindicais

Guerrilha do Araguaia

Juventude

Visite a página da União da Juventude Socialista

Cadastre-se

Receba notícias do Vermelho por e-mail
 


2003 - Top 3
2004 - 1º Lugar
2005 - Top 10

  Brasil

Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

17 de junho de 2005

REFORMA MINISTERIAL

Primeiro movimento rumo ao governo de coalizão?


Por Bernardo Joffily

O pedido de demissão do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, na noite desta quinta-feira (16) não é uma mudança pontual, nem uma decisão pessoal. É, sim, o primeiro movimento de uma reforma no primeiro escalão do governo Lula.

Nisto todos os analistas já estavam de acordo quando o ministro Tarso Genro (Educação) explicitou, em coletiva de imprensa, depois de falar com o presidente, que "haverá um processo de mudança", "nos próximos dias". É possível que Lula anuncie a reforma amanhã, num pronunciamento em cadeia de rádio e TV.

Mas os analistas não têm acordo sobre os motivos da reforma, nem quanto ao seu conteúdo. A maioria vê nela apenas uma resposta à crise política gerada pelas denúncias da revista Veja, em 14 de maio, e agravada com as acusações do presidente do PTB, Roberto Jefferson. Mas uma fonte do Palácio do Planalto, sem negar o papel datalizador das denúncias de corrupção, recorda que o tema reforma ministerial é bem mais antigo que o noticiário sobre propinas na ECT ou "mensalão".

Os formatos em exame

A fonte acredita que ele terá a marca pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Consultas, só no nível mais restrito. Lula acha-se escaldado pela tentativa frustrada de reforma ministerial anterior; quem pensar que alternativas plantadas na imprensa possam fazer a cabeça presidencial ou criar fatos consumados, possivelmente obterá efeito oposto.

Isto não impede que a mídia, estressada por estas horas de suspense, veicule as mais diferentes versões. E que existam vários formatos de reforma ministerial em exame em diferentes gabinetes do Executivo.

Houve quem cogitasse a alternativa de uma reforma ministerial "técnica", no sentido de distanciada da política; a hipótese não prosperou pois poderia isolar o governo. Persistem duas outras possibilidades: uma reforma pontual, tópica, mais ditada pela pressão das denúncias recentes; ou outra de maior vulto, que enfrente a dualidade, persistente no governo Lula, entre governo "do PT" e governo "de coalizão".

Para onde aponta a saída de Diceu

O pedido de demissão de José Dirceu aponta na última direção. Talvez por isso Lula tenha respondido a ele falando não só em "amizade e gratidão" mas também em "despreendimento pessoal" e "grandeza".

Seguindo este exemplo, outros três ministros além de José Dirceu, detentores de mandatos parlamentares, podem voltar à Câmara na reforma: o petista Ricardo Berzoini (Trabalho), mas também Aldo Rebelo (Coordenação Política), do PCdoB, e Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), do PSB. Iriam reforçar a defesa do governo na Casa, dar apoio político à defesa de Dirceu - enquanto abririam espaço para Lula montar a coalizão que lhe pareça ajustada. Nela, como em toda frente plural, há numerosas variantes a considerar, mas, entre elas, avulta a atração do PMDB, segundo maior partido da Câmara, e primeiro do Senado, em grande medida o fiel da governabilidade.

Trinta meses de uma dualidade

Caso Lula escolha esta alternativa, será uma resposta para uma dualidade que acompanha o governo desde a sua posse, há 30 meses.

De um lado, ele é um governo "do PT" - assim qualificado todos os dias pela imprensa, pela oposição e mesmo pelo último programa petista em rede nacional de rádio e tevê, ainda no mês passado. E não só porque o presidente da República é o fundador e a principal referência da legenda da estrela, mas também porque esta detém 19 dos 35 cargos do primeiro escalão governamental.

Mas, de outro lado, é um governo que, desde a sua gênese na campanha eleitoral de 2002, foi lançado por uma coligação de forças diferenciadas, incluindo o PT mas também o PL e o PCdoB. Que expressou esta pluralidade ao escolher para vice da chapa a José Alencar - um grande empresário têxtil, então senador pelo PL depois de uma trajetória política no PMDB, reforçando e ampliando esta característica no segundo turno.

Os motivos da frente

Essa faceta frentista aparece em certa medida desde o início do governo Lula. Ela raízes na história, invoca em sua defesa razões estratégicas e programáticas. Mas deriva também de um imperativo por assim dizer pragmático: o PT elegera 90 deputados federais em 513 e 13 senadores em 81; precisava de aliados se quizesse ter maioria no Congresso, a chamada governabilidade.

Alguns próceres oposicionistas alegam que não, que no sistema presidencialista o governo pode prescindir da maioria parlamentar. Seria tudo que o PFL/PSDB sonhava: um Executivo permanentemente acossado pelo Legislativo, como foram, no passado, o segundo governo de Getúlio Vargas e o de João Goulart (e olhe que, formalmente, dispunham de maioria).

Assim, ao tomar posse, o presidente abriu espaço no ministério para outros partidos da base aliada, e também para personalidades de expressão não-partidária. E em 30 meses de governo nunca se ouviu de Luiz Inácio Lula da Silva (nem, justiça se faça, de José Dirceu de Oliveira e Silva) que o governo fosse "do PT".

Mas a dualidade persistiu, e não só na nomenclatura. Dualidade suficiente para Jefferson maliciar, em sua entrevista-bomba do dia 6, que o PT "tem 20% da base e 80% dos cargos".

A quase-reforma pós-outubro

Depois das eleições municipais de outubro passado a questão veio à tona com força renovada. O resultado das urnas mostrava um certo equilíbrio de forças, entre governo e oposição, a e um acentuado pluralismo: o PT, a legenda mais votada, obtivera 17,0% dos votos para prefeito em plano nacional. Foi quando o Planalto decidiu fazer a reforma ministerial, e passou a falar em governo de coalizão.

A reforma terminou truncada, depois de seis meses de especulações e vazamentos sem fim para a imprensa, muitas vezes com sentido contrário ao da coalizão. Por fim, Lula viu-se na contingência de reagir a uma pressão do então recém-eleito presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, e fez a micro-reforma de abril: apenas dois nomes mudados.

Mas os motivos que aconselhavam um ministério de coalizão, amplo e plural, longe de desaparecer, se avivaram. Resultaram na eleição do "outsider" Severino para a presidência da Câmara e devido a ela avultaram ainda mais.

Quem acreditar em Roberto Jefferson que atribua as rebeldias ocorridas desde então na base aliada a uma "síndrome de abstinência, pelo fim do "mensalão". Mas em todo o espectro de centro-esquerda da base aliada, não faltam vozes que explicitam motivos menos rocambolescos: sendo partidos da base do governo, querem participar do governo.

Querem um governo de coalizão.

Plataforma repactuada

E nem se pode dizer que o façam em nome do apetite por cargos. Cada uma à sua maneira, estas mesmas vozes manifestam que querem um governo de coalizão para que se repactue a plataforma orientadora do Executivo - em especial daqueles "fundamentos" deixados pelo governo passado e pelo FMI: meta inflacionária draconiana, superávit primário mastodôntico, juros "escorchantes" (bom dia, vice-presidente Alencar!), a impedir, como estão impedindo hoje, que o país solte as amarras no sentido do crescimento.

Portanto, não têm razão de ser as queixas que se escuta na esquerda do PT, de que o problema do governo Lula é fazer alianças amplas demais, e a solução é restringir a frente. Está aí o deputado Jefferson para mostrar que nem todo membro da base governista merece receber um cheque em branco. Mas, no atacado, nas circunstâncias concretas desta crise, uma reforma mais plural do ministério, uma plataforma pactuada mais amplamente e uma responsabilidade mais partilhada de governo empurrarão o governo para frente, acentuarão o seu aspecto mudancista, e ampliarão as suas chances de êxito.

Veja também:

Dirceu deixa Casa Civil pela Câmara, "de mãos limpas e cabeça erguida"

Íntegra da declaração de José Dirceu à imprensa

 

Untitled Document

Voltar

Comente este artigo
Imprimir
Enviar

..:: Diário Vermelho ::..

NACIONAIS

• Até o momento não há Notícias Nacionais

INTERNACIONAIS

• Até o momento não há Notícias Internacionais

 
VERMELHO.ORG.BR