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| Sirceu:
"Eu sei lutar na planície"
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José
Dirceu deixou a Casa Civil. A notícia
começou a circular logo após
o fim da reunião de ministros com
o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, que durou das 14h às 17h20.
Dirceu disse que volta para a Câmara
para se defender, defender o PT e o governo
das acusações que foram
feitas pelo presidente do PTB, Roberto
Jefferson.
O
anúncio do pedido de demissão
foi feito no inicio da noite, em declaração
à imprensa. Dirceu falou cercado
por 18 ministros, dezenas de parlamentares
e personalidades políticas. O gesto
é visto como o primeiro passo de
uma reforma ministerial mais ampla, a
ser anunciada nos próximos dias.
"Sei
lutar na planície e no Planalto"
Ele
disse que deixa o cargo mas continua "no
governo", como deputado e como dirigente
do PT. Declarou que volta para a Câmara
dos Deputados, "a partir da semana
que vem", onde poderá rebater
as denúncias feitas contra ele:
"Nosso governo, o nosso partido e
eu temos um patrimônio ético,
temos um patrimônio que a sociedade
conhece, e eu vou defender esse patrimônio",
sublinhou . Dirceu disse ainda que quer
esclarecer, na Câmara, as profundas
transformações políticas,
sociais e econômicas que o País
está passando.
Os funcionários da Casa Civil,
convidados para assistirem ao pronunciamento,
ouviram Dirceu dizer que volta a atuar
como militante do PT, junto com o presidente
do partido, José Genoino. "Vou
mobilizar o PT para dar combate àqueles
que querem interromper o processo político
democrático e querem desestabilizar
o governo do presidente Lula", afirmou,
agregando que també pretende "mobilizar,
dialogar com a sociedade civil".
"Eu
sei lutar na planície e no Planalto,
e tenho humildade para voltar para meu
partido como militante, para voltar para
a Câmara como deputado", afirmou
o ministro demissionário.
Ele disse que vai trabalhar pela agenda
de propostas de mudanças políticas
e sociais que precisa ser votada pelo
Congresso Nacional. Defendeu
as investigações conduzidas
pelo Ministério Público,
Polícia Federal e Congresso Nacional
sobre as acusações de corrupção
feitas pelo deputado Roberto Jefferson,
que qualificou de "denúncias
infundadas".
"Não
me envergono de nada que fiz"
"Não
me envergonho de nada que fiz no governo
Lula. Tenho as mãos limpas e o
coração sem amargura. Tenho
a mente sempre colocada naquilo que sempre
lutei. Saio de cabeça erguida,
disse ainda, e reafirmou que “continuo
no governo porque sou PT”.
Lula
deve anunciar quem fica na Casa Civil
dentro de uma reforma ministerial, provavelmente
na segunda-feira. Até lá
o cargo será exercido interinamente
pelo secretário-executivo do ministério,
Swedenberger Barbosa.
O
deputado federal Jorge Bittar (PT/RJ)
disse que não está definido
quem será o novo ministro. "Isso
não está amadurecido. Quem
vai decidir sobre isso é o presidente
Lula", disse Bittar. Ele achou correta
a decisão de Dirceu de deixar o
cargo e voltar à Câmara dos
Deputados.
Para
a base aliada, "gesto de grandeza"
Para
o líder da bancada do PCdoB na
Câmara, Renildo Calheiros (PE),
ao aceitar o afastamento do ministro José
Dirceu do governo, o presidente Lula poderá
aproveitar o momento e realizar uma reforma
ministerial que transforme o governo do
PT "num governo realmente de coalizão
e com isso amplie a sua base de apoio
e sustentação política".
Renildo avalia que "é possível"
ainda fazer "uma flexão na
economia", baixando a taxa de juros
para acelerar o crescimento econômico.
O
líder do governo no Senado, Aloizio
Mercadante (PT/SP), avaliou a posição
de Dirceu como “um gesto de humildade
e de grandeza política, que ajuda
a
preservar o governo e o PT”. E confirmou
as palavras do ministro de que volta para
Câmara para defender "a sua
honra, defender o PT e o governo do presidente
Lula.
Mercadante frisa que o pedido de demissão
demonstra o compromisso do PT com a ética.
"Dirceu poderá esclarecer
todas as denúncias feitas contra
ele pelo presidente do PTB, deputado Roberto
Jefferson", afirmou o senador.
Para
Mercadante, além de fazer sua defesa
contra as denúncias, Dirceu será
peça fundamental na reorganização
da base aliada no Congresso, em função
da experiência e liderança
que tem dentro do PT - até a posse
do governo Lula ele era o presidente da
legenda.
O
ex-presidente da Câmara, deputado
João Paulo Cunha (PT/SP), negou
que a saída de José Dirceu
seja um reconhecimento de culpa. E disse
que ele exercerá o cargo para o
qual foi eleito pelo povo de São
Paulo.
Para
a oposição, "carreira
em eclipse"
O
líder do PSDB no Senado, senador
Arthur Virgílio (AM), afirmou,
em conversa com jornalistas, que a demissão
de José Dirceu do cargo de ministro-chefe
da Casa Civil, é "uma decorrência
natural de tantos equívocos cometidos,
inclusive por Dirceu."
No entender de Virgílio, Dirceu
causou vários problemas ao governo
"por sua arrogância e truculência".
O líder do PSDB disse que não
vê com alegria a saída do
ministro: "Sou tucano, mas não
sou abutre”, esclareceu, acrescentando
que vê com tristeza que uma carreira
brilhante como a de Dirceu tenha "descambado":
"Vejo uma carreira brilhante que
entrou em eclipse", vaticinou.
O
senador Agripino Maia, líder do
PFL no Senado, comemorou dizendo que "Jefferson
demitiu o primeiro ministro". O pefelista
prevê que se Dirceu voltar ao Congresso
"vai haver uma guerra, e o grande
derrotado será o presidente Lula".
Para
Agripino , o embate entre o ex-ministro
e o presidente do PTB, Roberto Jefferson,
vai acabar "estraçalhando"
a base aliada ao governo. Ao mesmo tempo,
acredita que o acirramento do confronto
pode contribuir para esclarecer mais rapidamente
as denúncias sobre um suposto pagamento
de "mensalão" a deputados
do PP e PL.
A
carta de demissão e a resposta
de Lula
Dirceu
distribuiu para a imprensa cópias
da carta que entregou ontem ao presidente,
e da resposta de Lula. Veja os textos
na íntegra:
A
carta de Dirceu:
"Brasília,
16 de junho de 2005.
Excelentíssimo
Senhor Presidente da República
Luiz
Inácio Lula da Silva
Querido
companheiro e amigo,
Diante
dos graves ataques desferidos nos últimos
dias ao nosso governo, ao nosso partido
e a mim mesmo, decidi pedir-lhe meu
afastamento das funções
de Ministro de Estado Chefe da Casa
Civil, para reassumir meu mandato na
Câmara dos Deputados.
Como
parlamentar, junto a meus companheiros,
estou seguro de que poderei esclarecer
todos os temas que ora ocupam a atenção
da opinião pública de
meu país, rebatendo ponto por
ponto aqueles que tentam agredir o Executivo,
o Partido dos Trabalhadores e minha
pessoa.
Servi
o Governo durante estes trinta meses
com lealdade e dedicação.
Foi um privilégio reservado a
poucos. Por essa razão, sou-lhe
eternamente grato.
Em
minhas novas funções,
contribuirei para a continuidade e o
aprofundamento do grande projeto de
mudança social que nosso Governo
está empreendendo sob sua liderança.
Agradeço
seu apoio, assim como o de todos meus
colaboradores, companheiros e amigos.
A
luta continua.
Receba,
querido Presidente, meu reconhecimento
e amizade.
José
Dirceu de Oliveira e Silva"
E a resposta de Lula:
"Brasília,
16 de junho de 2005.
José
Dirceu de Oliveira e Silva
Ministro de Estado Chefe da Casa Civil
Querido
Zé,
Recebi
seu pedido de afastamento das funções
de Chefe da Casa Civil. Decidi aceitá-lo,
louvando seu desprendimento pessoal.
Só pessoas de sua grandeza são
capazes desses gestos.
Compartilho
seu sentimento de que esta decisão
permitirá a você melhor
defender nosso Governo, nosso partido
e sua própria pessoa.
Como
parlamentar brilhante que é -
um dos líderes políticos
mais importantes e respeitados da República
- você poderá, na Casa
do Povo Brasileiro, desfazer as infundadas
acusações lançadas
por aqueles que querem desconstruir
nossa história e nosso projeto
de mudança social.
Esta
é a ocasião para expressar
meu apreço por sua lealdade,
dedicação, competência
e honestidade no trato da coisa pública,
como Ministro Chefe da Casa Civil.
É
também a ocasião para
reiterar minha amizade e gratidão
por tudo o que fez pelo povo brasileiro
em nosso governo.
Como
você mesmo diz em sua carta, a
luta continua.
Luiz
Inácio Lula da Silva"
Veja
também:
Íntegra
da declaração de José
Dirceu à imprensa
Primeiro movimento rumo ao governo de
coalizão?
Rita
Polli
Márcia Xavier
Com agências
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