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| Delcídio
Amaral, eleito, abraça o senador
Jefferson Péres |
O governo conseguiu eleger na tarde de
ontem (15) o presidente e o relator da
Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) dos Correios, criada para apurar
denúncias sobre o suposto esquema
de corrupção na estatal.
A oposição comemorou o fato
de ter perdido por dois votos - 17 contra
15.
A
votação secreta, realizada
em uma disputada reunião, elegeu
como presidente da CPI o líder
do PT no Senado, Delcídio Amaral
(MS). Depois de empossado como presidente,
Delcídio designou como relator
o deputado Osmar Serraglio (PMDB/PR).
Como vice-presidente foi eleito o senador
Maguito Vilela (PMDB/GO).
Delcídio
Amaral informou na reunião que,
durante um encontro na parte da manhã
garantira ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva que, se eleito, manteria
o compromisso de lisura nos trabalhos,
isenção, “serenidade, equilíbrio
na busca da apuração dos
fatos. Doa a quem doer, sem ódio
ou discriminação".
Votação
apertada - 17 a 15
A
oposição fez um grande esforço,
mas não conseguiu aprovar os nomes
de César Borges (PFL/BA) para a
presidência e Eduardo Paes (PSDB/RJ)
para a vice. Restou-lhe festejar o fato
de que a bancada da base aliada na comissão,
com 19 parlamentares, forneceu apenas
17 votos a Delcídio, dois a menos
do que o esperado.
O
deputado Jamil Murad (PCdoB), membro suplente
da comissão, considera que a sessão
"foi uma vitória importante
das forças populares e democráticas"
contra "o que há de mais atrasado,
conservador e retrógrado na política
brasileira".
84
requerimentos
A CPI recebeu e deverá votar 84
requerimentos, em sua maioria de parlamentares
da oposição, pedindo o comparecimento
de testemunhas e a quebra de sigilos bancários.
O relator informou que vai avaliar todos
os pedidos e apresentar na próxima
terça-feira (21) um cronograma
inicial de trabalhos. Mas Serraglio afirmou
que até agora o único nome
confirmado para depor é o do ex-chefe
do Departamento de Contratação
e Administração de Material
dos Correios, Maurício Marinho,
flagrado em vídeo recebendo propina
de R$ 3 mil, supostamente em nome do PTB.
Ele deverá ser ouvido a partir
das 18 horas do dia 21.
Ao
assumir o cargo considerado mais importante
da CPI, o relator Osmar Serraglio, que
é professor universitário
e jurista, adiantou que apesar do volume
intenso de trabalho a comissão
deverá funcionar duas vezes por
semana - nos próximos 120 dias,
que contam a partir da sua instalação,
em 9 de maio, devendo encerrar as atividades
em outubro.
Serraglio
disse que o primeiro depoimento será
decisivo para indicar o rumo dos próximos
convocados. Ele revelou, por exemplo,
que pretende solicitar a primeira fita
de vídeo, gravada antes da que
foi apresentada pela imprensa. Outra providência
da comissão deverá ser a
requisição dos contratos
da estatal com empresas privadas, tanto
os contratos em andamento quanto os suspensos.
CPI do Mensalão
O
presidente da Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara
dos Deputados, deputado Antônio
Carlos Biscaia (PT/RJ), pretende indicar
ainda nesta semana o relator para avaliar
o projeto que pede a instalação
da CPI da compra de votos.
A
proposta, apresentada pela base aliada
na semana passada, quer investigar o pagamento
de mesadas a parlamentares, o chamado
"mensalão", e estender
as investigações até
o período do governo Fernando Henrique
Cardoso (FHC), suspeito de compra de votos
para a aprovação da emenda
da reeleição, em 1997.
"O
requerimento já está comigo
e devo designar o relator até quinta-feira.
Trata-se de uma CPI com dois fatos determinados",
afirma Biscaia. De acordo com o parlamentar,
é possível que mais de uma
CPI seja instalada para tratar de temas
que se relacionam, como o caso dos Correios
e do "mensalão". "Mas
certamente a primeira CPI é que
será a mais importante dentre as
investigações".
De
Brasília
Rita Polli e
Márcia Xavier
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