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Renato Rabelo
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Para Renato Rabelo,
presidente nacional do PCdoB, é preciso
trazer o PMDB para o governo, adotar uma
agenda política positiva, conter a taxa de
juros e destravar o desenvolvimento. Os
comunistas também defendem a necessidade de
mobilizar a sociedade e reunir forças conseqüentes
e pessoas representativas, do governo e fora
dele.
Na manhã desta segunda-feira (13/6), a
Comissão Política Nacional do Partido
Comunista do Brasil reuniu-se e atualizou
suas reflexões e linhas de ação em face da
crise política em andamento no país. Renato
Rabelo, presidente nacional do PCdoB, abriu
a reunião com uma avaliação do quadro que,
em sua opinião, é de grande turbulência
política. Ele sublinhou que a oposição
conservadora dá seguimento ao seu ataque
contra o governo com o objetivo de
extenuá-lo e imobilizá-lo. "Pretendem
"sangrar" o governo progressivamente para
ter um adversário exangue em 2006". "O que
está em curso é uma operação para o retorno
do PSDB-PFL ao Palácio do Planalto",
argumentou Renato.
O presidente do PCdoB ressaltou que a
oposição, nesta investida, conta com o apoio
maciço dos veículos de comunicação. Para
corroborar esta avaliação, Renato comentou
uma recente análise do professor Wanderley
Guilherme dos Santos à revista Carta Capital
na qual se desnuda o papel da imprensa nesta
crise como semeadora da desestabilização e
desmoralização do governo, algo, aliás,
recorrente na história brasileira.
Renato foi
enfático ao dizer que as entrevistas de
Roberto Jefferson são peças de provocação,
cujo alvo são o PT (e a sua cúpula), os
partidos da base aliada como o PL e o PP, e
o governo. "Esse é o alvo dessas denúncias
das quais o próprio Roberto Jefferson diz
não ter provas. Mas que a imprensa divulga
com status de verdade".
De réu,
envolvido no escândalo da Empresa Brasileira
de Correios e Telégrafos (onde foi
denunciado como beneficiário do desvio de
pelo menos 400 mil reais), Roberto Jefferson
passa a acusador, diz Renato, e arroga-se
mesmo a prerrogativa de julgar, colocando
uns em desgraça e dando atestado de bom
comportamento a outros. "Tudo isso
preparado", diz Renato. "É uma indignidade a
vida política do país ser pautada dessa
maneira."
Ante o acirramento da luta política que
deriva um quadro de instabilidade e até de
certa imprevisibilidade, Renato analisa que
o imobilismo ou acovardamento seriam
extremamente negativos. Nessa situação, ele
aponta que o governo e a base política que o
sustenta precisa "recompor as linhas de
defesa e preparar o contra-ataque."
Para que seja preciso empreender esta
contra-ofensiva, Renato enumerou algumas
medidas que urgentemente precisam ser
adotadas. Primeiro, é preciso que o governo
Lula continue o firme combate à corrupção.
Ao mesmo tempo, propõe o dirigente
comunista, Lula precisa recompor o governo a
fundo, trazendo o PMDB para um papel
importante. Numa situação como esta, vale
mais o gesto do que o discurso, ressaltou.
Além disso, o governo precisa adotar uma
agenda política para resolver problemas
importantes do ponto de vista econômico e
social, sinalizando a disposição de
destravar o desenvolvimento, conter a taxa
de juros, usar o superávit para
investimentos, além de medidas nas áreas
sociais, como saúde e educação. Finalmente,
é preciso mobilizar a sociedade, e aquela
agenda é fundamental para criar condições
para essa mobilização social; será preciso
também reunir forças mais conseqüentes e
pessoas representativas, do governo e fora
dele. O "alvo é a oposição conservadora",
ressaltou Renato. "Este é o alvo principal:
desmascarar essa oposição".
Preparação para o 11º Congresso
No período da tarde, a reunião da Comissão
Política Nacional (CPN) deu prosseguimento à
preparação do 11º Congresso do PCdoB que se
realizará no próximo mês de outubro. Foi
apresentado e debatido o projeto de
Resolução Política que é o texto norteador
dos debates do Congresso. Este documento,
junto com a proposta do novo Estatuto, ainda
será objeto de deliberação do Comitê Central
que se reúne para esse fim, nos dias,
25,26,27 de junho.
A CPN rendeu
suas homenagens à memória do histórico
dirigente comunista português, Álvaro
Cunhal, que faleceu ontem, dia 13. No início
dos trabalhos, foi feita uma intervenção por
José Reinaldo Carvalho, secretário de
Relações Internacionais e por aclamação foi
aprovada uma
nota do Partido Comunista do
Brasil em homenagem ao legado de Álvaro
Cunhal, à luta do povo português e ao
movimento comunista internacional. Esta nota
será levada pessoalmente à direção do
Partido Comunista Português por José
Reinaldo Carvalho que representará os
comunistas brasileiros nas homenagens
fúnebres e no sepultamento do corpo de
Álvaro Cunhal que ocorrerá na próxima
quarta-feira (dia 15 de junho).
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