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Brasil, domingo, 12 de outubro de 2008

8 de junho de 2005

OPINIÃO DO PCdoB
Renato Rabelo atribui crise a
"atitude golpista" da oposição


O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, avalia que há no Brasil uma "crise política", que pode evoluir para uma "crise institucional". E aconselha o governo a "estancar a crise", com uma agenda positiva, a reconformação da sua maioria e a mobilização da sociedade civil. Ele falou ao Vermelho,
em Brasília, de onde acompanha os acontecimentos, e qualificou o comportamento da oposição conservadora nos outros dias como golpista, "não um golpe, mas uma atitude golpista".

"Nós estamos vivendo uma crise política que vai adquirindo contornos de radicalização, de acirramento. Geralmente uma crise assim, quando entra numa situação mais bicuda, como se diz, qualquer fator, até simples, pode ser um detonador. E aí, se não tiver cuidado, você pode caminhar para uma crise institucional", adverte o dirigente comunista.

A entrevista, "uma peça de provocação"

No entender de Renato Rabelo, a entrevista do deputado Roberto Jefferson (PTB) na Folha de S. Paulo desta segunda-feira é um detonador desse tipo, e, mais ainda, "uma ação de provocador, uma peça de provocação".

Renato é duro no julgamento da entrevista, que considera "preparada" pelo deputado petebista, alvo de uma denúncia de cobrança de propinas na Empresa de Correios. "Quem não se perde nos detalhe vê que o objetivo ali é atingir o PT, outros partidos da base do governo e o próprio presidente da República. Isso além de se defender, e de desviar a atenção dele", afirma sobre Jefferson. E comenta que "a gente chega até a se perguntar se uma pessoa como essa já não foi cooptada".

Apesar de haver "muito de montagem e ficção" nas declarações de Jefferson, avalia Renato, "elas colocam em cheque uma instituição que é o Congresso Nacional", ao acusar várias dezenas de deputados de receberem um suborno mensal, o chamado mensalão. "É preciso uma apuração para não deixar o Congresso sob suspeita", defende.

"Nós decidimos marchar junto com o governo"

Renato Rabelo reitera as conclusões da última reunião da Comissão Política do PCdoB, quinta-feira passada, em Brasília: "Não sejamos ingênuos, as CPIs, sobretudo as que têm um sentido preponderante de inquérito, acabam tendo um conteúdo mais político. E o que a gente questionava na CPI proposta era que tinha um sentido político, de tentar atingir o governo. O objetivo não era o Jefferson, era o PT e o Governo", reafirma.

Mas o dirigente comunista sublinha também que "na Comissão Política nós decidimos marchar junto com o governo, nos alinhar com o governo e com as forças que o apóiam", conforme conclusões tiradas em conjunto". E que "devíamos construir uma posição conjunta, juntamente com a base do governo".

"Uma espécie de flexão"

Renato relata que uma reunião de líderes da base, na residência do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), depois de um exame que entrou pela madrugada desta terça-feira, concluiu que se deveria apoiar a CPI dos Correios, desde que se definisse o seu objeto específico, circunscrita ao âmbito dos Correios. O objetivo é "demonstrar que há interesse em apurar".

Isso representa um recuo da base do governo, que vinha se opondo à CPI? Renato Rabelo rejeita o termo. Refere-se a "uma espécie de flexão", levando em conta "o clima criado" e a necessidade de "mostrar que as forças que apóiam o governo não receiam a apuração".

O presidente do PCdoB exprime também insatisfação quanto à forma com que a decisão veio a público. "A posição foi tomada em conjunto. Mas no momento em que a base aliada estava fechando a posição, a bancada do PT (na Câmara), por conta própria, lançou paralelamente o seu posicionamento. São atitudes como essa que têm levado a uma posição antipetista", lamenta.

Quanto à proposta de uma outra CPI para investigar o "mensalão", Renato Rabelo deixa a questão em aberto. Lembra que a denúncia feita por Jefferson já deve ser investigada na Comissão de Ética e na Corregedoria da Câmara. E anuncia que "devemos voltar a discutir na base se é o caso de uma CPI do Mensalão".

Três sugestões ao governo

O presidente do PCdoB destaca que, "para estancar a crise política e não deixar a instabilidade prevalecer", o governo Lula e sua base de apoio deveriam se movimentar em três esferas: "Uma agenda positiva, que afrouxe o garrote das restrições ao desenvolvimento, como os juros altos. Com base nisso, reconformar uma maioria parlamentar. E mobilizar os movimentos sociais em defesa do governo, porque a crise tem como meta desestabilizar o governo".

Ele comenta que conversou sobre isto com Luiz Marinho, presidente da CUT, que encontrou no aeroporto, e que o sindicalista concordou que "a gente precisa reagir diante disto".

Leia também nesta edição:

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