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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

8 de junho de 2005

COMBATE À CORRUPÇÃO
Lula promete cortar "na própria
carne" e "não acobertar ninguém"
-
Lula no Fórum Global: "Uma biografia a preservar"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou na noite de ontem que o governo "cortará na própria carne se necessário", para esclarecer e punir as denúncias de corrupção que invadiram a mídia nos últimos dias. Ao mesmo tempo, disse que o governo "estimulará" que o Congresso "desenvolva suas investigações". As afirmações foram feitas em Brasília, no discurso de abertura do 4º Fórum Global de Combate à Corrupção.

"Funcionário público número um"

"Independentemente do uso político-eleitoral que alguns estão fazendo, no meu governo levarei as investigações até as últimas conseqüências. Por isso jurei a Constituição. Sou o principal guardião das instituições deste país, funcionário público número um", afirmou o presidente", disse Lula, aludindo à suspeita de que as denúncias visam fornecer à oposição conservadora um palanque para 2006.

"Tenho, sobre meus ombros, responsabilidades que vão mais além da preservação das instituições. Sou o responsável maior pelos rumos de nossa economia e não esqueci, em momento algum, dos compromissos que assumi. Tenho, ademais, uma biografia a preservar, um patrimônio moral, uma história de décadas em defesa da ética na política. Por isso, não iremos acobertar ninguém, seja quem seja que esteja envolvido", enfatizou Lula.

"Cortaremos na própria carne"

"Digo que cortaremos na própria carne, se necessário. Sem prejulgar ninguém, e respeitando o direito a defender-se, que todo cidadão ou cidadã possui, não vamos vacilar um segundo na defesa do interesse da coisa pública", disse ainda.

"Não faltarei às minhas responsabilidades, estejam certos", reiterou o presidente. E prosseguiu: "O Governo está investigando. Não se opõe, ao contrário, estimulará, que o Poder Legislativo desenvolva suas investigações com o equilíbrio que sabemos possuir o Congresso Nacional. Esse Congresso, que não pode estar sujeito à compra. E, quero repetir, esse Congresso – e estou vendo muitos parlamentares aqui – esse Congresso que não pode, de forma nenhuma, estar sujeito à compra. O momento exige, de todos nós, a máxima transparência.

Defesa da reforma política

Lula citou a demissão das diretorias da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e do Brasil Resseguros (IRB) como exemplos da seriedade com que o governo vê o combate à corrupção. "Determinei aos ministros uma solução definitiva para os problemas envolvendo os Correios e o Instituto de Resseguros do Brasil, resultando no afastamento dos diretores de ambas instituições, sem prejuízo da continuidade das investigações", completou Lula, referindo-se a processos de sindicância internos e às investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Controladoria Geral da União.

Lula negou que vá anunciar medidas que, por si só, eliminem de uma só vez a corrupção. "Não serão panacéias que nos ajudarão a enfrentar problemas que se arrastam por décadas, quando não por séculos", ressaltou. Para Lula, só uma reforma política, baseada na consulta aos três poderes, aos partidos, à sociedade civil, poderá resultar no fortalecimento das instituições públicas.

Clique aqui para ver a íntegra do discurso de Lula

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