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| Lula
no Fórum Global: "Uma
biografia a preservar" |
O
presidente Luiz Inácio Lula da
Silva assegurou na noite de ontem que
o governo "cortará na própria
carne se necessário", para
esclarecer e punir as denúncias
de corrupção que invadiram
a mídia nos últimos dias.
Ao mesmo tempo, disse que o governo "estimulará"
que o Congresso "desenvolva suas
investigações". As
afirmações foram feitas
em Brasília, no discurso de abertura
do 4º Fórum Global de Combate
à Corrupção.
"Funcionário
público número um"
"Independentemente
do uso político-eleitoral que alguns
estão fazendo, no meu governo levarei
as investigações até
as últimas conseqüências.
Por isso jurei a Constituição.
Sou o principal guardião das instituições
deste país, funcionário
público número um",
afirmou o presidente", disse Lula,
aludindo à suspeita de que as denúncias
visam fornecer à oposição
conservadora um palanque para 2006.
"Tenho,
sobre meus ombros, responsabilidades que
vão mais além da preservação
das instituições. Sou o
responsável maior pelos rumos de
nossa economia e não esqueci, em
momento algum, dos compromissos que assumi.
Tenho, ademais, uma biografia a preservar,
um patrimônio moral, uma história
de décadas em defesa da ética
na política. Por isso, não
iremos acobertar ninguém, seja
quem seja que esteja envolvido",
enfatizou Lula.
"Cortaremos
na própria carne"
"Digo
que cortaremos na própria carne,
se necessário. Sem prejulgar ninguém,
e respeitando o direito a defender-se,
que todo cidadão ou cidadã
possui, não vamos vacilar um segundo
na defesa do interesse da coisa pública",
disse ainda.
"Não
faltarei às minhas responsabilidades,
estejam certos", reiterou o presidente.
E prosseguiu: "O Governo está
investigando. Não se opõe,
ao contrário, estimulará,
que o Poder Legislativo desenvolva suas
investigações com o equilíbrio
que sabemos possuir o Congresso Nacional.
Esse Congresso, que não pode estar
sujeito à compra. E, quero repetir,
esse Congresso – e estou vendo muitos
parlamentares aqui – esse Congresso que
não pode, de forma nenhuma, estar
sujeito à compra. O momento exige,
de todos nós, a máxima transparência.
Defesa
da reforma política
Lula
citou a demissão das diretorias
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT) e do Brasil Resseguros (IRB) como
exemplos da seriedade com que o governo
vê o combate à corrupção.
"Determinei aos ministros uma solução
definitiva para os problemas envolvendo
os Correios e o Instituto de Resseguros
do Brasil, resultando no afastamento dos
diretores de ambas instituições,
sem prejuízo da continuidade das
investigações", completou
Lula, referindo-se a processos de sindicância
internos e às investigações
da Polícia Federal, do Ministério
Público e da Controladoria Geral
da União.
Lula negou que vá anunciar medidas
que, por si só, eliminem de uma
só vez a corrupção.
"Não serão panacéias
que nos ajudarão a enfrentar problemas
que se arrastam por décadas, quando
não por séculos", ressaltou.
Para Lula, só uma reforma política,
baseada na consulta aos três poderes,
aos partidos, à sociedade civil,
poderá resultar no fortalecimento
das instituições públicas.
Clique
aqui para ver a íntegra do discurso
de Lula
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