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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

8 de junho de 2005

CASO MENSALÃO
Genoino anuncia ofensiva
do PT e defende Delúbio


O presidente nacional PT, José Genoino, anunciou nesta terça-feira (7) um "processo de mobilização", em resposta à crise criada por denúncias de corrupção, e confirmou que a nova tática inclui o apoio da bancada petista à CPI dos Correios. Genoino também defendeu o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, acusado por Jefferson, afirmando que “ele tem nosso apoio e nossa confiança”.

Sobre a criação de uma CPI do Mensalão, para investigar as denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ), o dirigente petista disse que "este é um assunto do Congresso". "Não vou opinar em uma questão parlamentar", agregou. Líderes do PT no Senado e na Câmara chegaram a defender a CPI do Mensalão, mas a Executiva do partido não definiu ainda sua posição.

"Uma nova conjuntura política"

O dirigente petista argumentou a mudança de posição do PT, que passa a apoiar a CPI dos Correios, dizendo que isso deu deu por conta de uma nova conjuntura política. “Estamos nunca conjuntura dinâmica. Então tivemos de fazer reavaliações”, alegou. E informou que a decisão começou a ser gestada na noite de segunda-feira, em contatos telefônicos com as lideranças na Câmara e no Senado, com os partidos da base, com os 27 diretórios regionais do PT e com os diretórios municipais das capitais.

“Foi uma decisão de comum acordo. Se a gente confia no partido, no coletivo, a gente acerta muito mais. Vamos enfrentar a CPI, mesmo com a avaliação de que ela está sendo montada para servir de palanque à oposição, que quer antecipar o debate eleitoral”, declarou. E reiterou: "Não temos ilusão em relação ao que oposição está pretendendo: antecipar a disputa política e transformar essa CPI em palanque".

Ele voltou a acusar os partidos oposicionistas de sectários e de usarem a “tática do gambá”, que consistiria em espalhar o “mau cheiro para todo mundo”. Segundo ele, trata-se de uma tentiva de levar o PT para “um lugar onde o partido nunca esteve nem nunca estará”.

Ofensiva em três frentes

Genoino disse que a partir de agora, o partido vai partir para a ofensiva. "Nós vamos para a ofensiva e essa ofensiva é em vários terrenos", disse o dirigente petista, especificando três: apoio aos processos investigatórios, enfrentamento político com a oposição e mobilização da base partidária.

“O PT não tem nada a temer e vai tomar todas as providências para defender sua imagem e seu patrimônio. Estamos à vontade, de cabeça erguida”, afirmou Genoino, durante entrevista coletiva no Diretório Nacional do partido em São Paulo. “Já estamos iniciando esse processo de mobilização em todos os Estados, em todos os diretórios regionais. Vamos para o enfrentamento. É preciso deixar claro que nenhuma denúncia deixou de gerar ações do governo e do PT, com investigação, prisões e demissões”, destacou.

Genoino classificou de “mentira inaceitável” e de “declarações infundadas, inverídicas e estapafúrdias” a denúncia de Jefferson, de que o PT teria pago “mesadas” a parlamentares para obter maioria na Câmara. “O PT não tem nada a ver com mensalão. A denúncia é falsa e mentirosa”, reforçou, ressaltando que a bancada do partido na Câmara, em conjunto com a base aliada, já pediu que a Corregedoria da Casa investigue o caso. “Vamos tomar todas as medidas, na Câmara ou na Justiça”.

Sobre as relações do PT com Lula

Genoíno também questionou a versão de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria descontente com o partido. “Tenho conversado com o Lula e em nenhum momento ele manifestou descontentamento em relação ao PT. Temos uma relação tranquila e não adianta querer botar areia nesta relação”, enfatizou.

O secretário-geral do PT, Silvio Pereira, que esteve reunido desde cedo com Genoino, disse que concorda com a opinião do ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, para quem o problema gerado pelas denúncias de Jefferson é do PT e não do governo. "A intervenção do ministro Rebelo foi correta. Essencialmente, no que diz respeito ao governo, o presidente já esclareceu o caso suficientemente. Se trata de uma denúncia de um partido contra outros partidos, o que muda o cenário político", avaliou.

Genoino disse na coletiva que o PT e o governo estão trabalhando na recomposição da maioria absoluta e numna redefinição do tamanho da base parlamentar. “Estamos vivendo uma experiência que eu considero positiva, redefinindo o tamanho da base, tendo como termômetro as principais votações para cumprir a agenda do governo. A bancada está dialogando permanentemente”, disse. Segundo ele, as prioridades no Congresso, agora, são a reforma tributária, a regulamentação das agências, a reforma política e a consolidação do crescimento, com a votação de projetos sociais e programas estratégicos.

Sobre Delúbio: "tem nosso apoio e confiança"

Sobre as acusações de Jefferson contra o secretário de Finanças e Planejamento do PT, Delúbio Soares, que, segundo o deputado, comandaria o esquema do "mensalão", Genoino afirmou: “Ele tem nosso apoio e nossa confiança”.

Questionado pelos jornalistas sobre o fato de Delúbio ainda não ter respondido pessoalmente às denúncias, Genoino informou que o secretário de Finanças fará isso quarta-feira (8), após reunião da Executiva Nacional do Partido. “Por enquanto, quem está com a responsabilidade de representar o partido é a presidência, que normalmente faz isso entre uma e outra reunião da Executiva. Depois da reunião, ele falará”, garantiu, voltando a classificar as denúncias de falsidades e invenções.

Genoino desqualificou as declarações dos governadores tucanos Aécio Neves (MG) e Geraldo Alckmin (SP), para os quais Lula deve explicações sobre as denúncias. “Essa crise não é do presidente Lula. Os dois governadores estão apressados, querendo precipitar o debate sucessório”, avaliou.

Segundo o presidente do PT, antes de cobrar Lula, Alckmin deveria primeiro explicar por que barrou mais de 40 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo; e Aécio deveria dizer por que faz o mesmo com um pedido de investigação na área da Saúde em Minas.

Com PT e agências

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