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O presidente nacional PT, José
Genoino, anunciou nesta terça-feira
(7) um "processo de mobilização",
em resposta à crise criada por
denúncias de corrupção,
e confirmou que a nova tática inclui
o apoio da bancada petista à CPI
dos Correios. Genoino também defendeu
o tesoureiro do PT, Delúbio Soares,
acusado por Jefferson, afirmando que “ele
tem nosso apoio e nossa confiança”.
Sobre
a criação de uma CPI do
Mensalão, para investigar as denúncias
feitas pelo deputado Roberto Jefferson
(PTB/RJ), o dirigente petista disse que
"este é um assunto do Congresso".
"Não vou opinar em uma questão
parlamentar", agregou. Líderes
do PT no Senado e na Câmara chegaram
a defender a CPI do Mensalão, mas
a Executiva do partido não definiu
ainda sua posição.
"Uma
nova conjuntura política"
O
dirigente petista argumentou a mudança
de posição do PT, que passa
a apoiar a CPI dos Correios, dizendo que
isso deu deu por conta de uma nova conjuntura
política. “Estamos nunca conjuntura
dinâmica. Então tivemos de
fazer reavaliações”, alegou.
E informou que a decisão começou
a ser gestada na noite de segunda-feira,
em contatos telefônicos com as lideranças
na Câmara e no Senado, com os partidos
da base, com os 27 diretórios regionais
do PT e com os diretórios municipais
das capitais.
“Foi
uma decisão de comum acordo. Se
a gente confia no partido, no coletivo,
a gente acerta muito mais. Vamos enfrentar
a CPI, mesmo com a avaliação
de que ela está sendo montada para
servir de palanque à oposição,
que quer antecipar o debate eleitoral”,
declarou. E reiterou: "Não
temos ilusão em relação
ao que oposição está
pretendendo: antecipar a disputa política
e transformar essa CPI em palanque".
Ele
voltou a acusar os partidos oposicionistas
de sectários e de usarem a “tática
do gambá”, que consistiria em espalhar
o “mau cheiro para todo mundo”. Segundo
ele, trata-se de uma tentiva de levar
o PT para “um lugar onde o partido nunca
esteve nem nunca estará”.
Ofensiva
em três frentes
Genoino
disse que a partir de agora, o partido
vai partir para a ofensiva. "Nós
vamos para a ofensiva e essa ofensiva
é em vários terrenos",
disse o dirigente petista, especificando
três: apoio aos processos investigatórios,
enfrentamento político com a oposição
e mobilização da base partidária.
“O
PT não tem nada a temer e vai tomar
todas as providências para defender
sua imagem e seu patrimônio. Estamos
à vontade, de cabeça erguida”,
afirmou Genoino, durante entrevista coletiva
no Diretório Nacional do partido
em São Paulo. “Já
estamos iniciando esse processo de mobilização
em todos os Estados, em todos os diretórios
regionais. Vamos para o enfrentamento.
É preciso deixar claro que nenhuma
denúncia deixou de gerar ações
do governo e do PT, com investigação,
prisões e demissões”, destacou.
Genoino
classificou de “mentira inaceitável”
e de “declarações infundadas,
inverídicas e estapafúrdias”
a denúncia de Jefferson, de que
o PT teria pago “mesadas” a parlamentares
para obter maioria na Câmara. “O
PT não tem nada a ver com mensalão.
A denúncia é falsa e mentirosa”,
reforçou, ressaltando que a bancada
do partido na Câmara, em conjunto
com a base aliada, já pediu que
a Corregedoria da Casa investigue o caso.
“Vamos tomar todas as medidas, na Câmara
ou na Justiça”.
Sobre
as relações do PT com Lula
Genoíno
também questionou a versão
de que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva estaria descontente com
o partido. “Tenho conversado com o Lula
e em nenhum momento ele manifestou descontentamento
em relação ao PT. Temos
uma relação tranquila e
não adianta querer botar areia
nesta relação”, enfatizou.
O
secretário-geral do PT, Silvio
Pereira, que esteve reunido desde cedo
com Genoino, disse que concorda com a
opinião do ministro da Articulação
Política, Aldo Rebelo, para quem
o problema gerado pelas denúncias
de Jefferson é do PT e não
do governo. "A
intervenção do ministro
Rebelo foi correta. Essencialmente, no
que diz respeito ao governo, o presidente
já esclareceu o caso suficientemente.
Se trata de uma denúncia de um
partido contra outros partidos, o que
muda o cenário político",
avaliou.
Genoino
disse na coletiva que o PT e o governo
estão trabalhando na recomposição
da maioria absoluta e numna redefinição
do tamanho da base parlamentar. “Estamos
vivendo uma experiência que eu considero
positiva, redefinindo o tamanho da base,
tendo como termômetro as principais
votações para cumprir a
agenda do governo. A bancada está
dialogando permanentemente”, disse. Segundo
ele, as prioridades no Congresso, agora,
são a reforma tributária,
a regulamentação das agências,
a reforma política e a consolidação
do crescimento, com a votação
de projetos sociais e programas estratégicos.
Sobre
Delúbio: "tem nosso apoio
e confiança"
Sobre
as acusações de Jefferson
contra o secretário de Finanças
e Planejamento do PT, Delúbio Soares,
que, segundo o deputado, comandaria o
esquema do "mensalão",
Genoino afirmou: “Ele tem nosso apoio
e nossa confiança”.
Questionado
pelos jornalistas sobre o fato de Delúbio
ainda não ter respondido pessoalmente
às denúncias, Genoino informou
que o secretário de Finanças
fará isso quarta-feira (8), após
reunião da Executiva Nacional do
Partido. “Por enquanto, quem está
com a responsabilidade de representar
o partido é a presidência,
que normalmente faz isso entre uma e outra
reunião da Executiva. Depois da
reunião, ele falará”, garantiu,
voltando a classificar as denúncias
de falsidades e invenções.
Genoino
desqualificou as declarações
dos governadores tucanos Aécio
Neves (MG) e Geraldo Alckmin (SP), para
os quais Lula deve explicações
sobre as denúncias. “Essa crise
não é do presidente Lula.
Os dois governadores estão apressados,
querendo precipitar o debate sucessório”,
avaliou.
Segundo
o presidente do PT, antes de cobrar Lula,
Alckmin deveria primeiro explicar por
que barrou mais de 40 CPIs na Assembléia
Legislativa de São Paulo; e Aécio
deveria dizer por que faz o mesmo com
um pedido de investigação
na área da Saúde em Minas.
Com
PT e agências
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