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Brasil, quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

8 de junho de 2005

CORRUPÇÃO EM DEBATE
Oposição obstrui sessão na CCJ
e adia votação da CPI dos Correios


O acordo firmado entre os líderes, incluindo o PT, de aprovar a instalação da CPI dos Correios, focando o alvo da investigação na ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), não vingou. A oposição, liderada pelo deputado ACM Neto (PFL/BA), obstruiu a sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, levantando questões de ordem até que às 16h30min, quando começou a sessão plenária. Foi então suspensa a sessão da CCJ.

A sessão analisaria o recurso do deputado João Leão (PL/BA) que questiona a constitucionalidade da criação da CPMI dos Correios. O presidente da CCJ, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT/RJ), marcou para às 10 horas dessa quarta-feira (8), nova reunião para apreciação do recurso.

O debate na CCJ mudou de foco nesta terça-feira, com a decisão do PT e da base governista de passar a apoiar a CPI dos Correios. O relatório do deputado Inaldo Leitão (PL/PB) será favorável à criação da CPI, mas com foco determinado para os Correios. O deputado ACM Neto disse que a oposição obstruiria a votação porque defende investigações amplas.

Mudança de tática

Antes, o PT era favorável ao recurso que alegava inconstitucionalidade do requerimento da oposição e arquivava a CPI. A mudança de posição do partido foi anunciada pelo líder do PT, deputado Paulo Rocha (PA). Ele ponderou também que a denúncia de compra de votos dos deputados merece um tratamento especial, mas não admitiu a criação de uma CPI para o caso.

O líder do PT avisou que a base aliada deve tomar uma posição sobre a compra de votos dos deputados por meio de representação à Corregedoria e ao Conselho de Ética da Câmara. "Como a questão envolve deputados e a relação entre partidos, a base aliada tem de tomar a iniciativa de fazer a investigação."

Os deputados Zarattini (PT/SP) e Raul Jungmann (PPS/PE) apresentaram requerimentos solicitando que o Conselho de Ética da Casa apure as denúncias do mensalão. E para garantir a instalação imediata da CPI, Jungmann deu entrada no Supremo Tribunal Federal (STF) de pedido de mandado de segurança contra a decisão do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, de enviar o recurso contra a CPI para análise na CCJ. Caso o STF conceda uma liminar, a comissão para investigar as denúncias de corrupção nos Correios poderá ser instalada imediatamente.

Aldo promete que governo colabora

O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, esteve na tarde dessa terça-feira com o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP) para comunicar ao líder que o governo vai colaborar com todas as investigações decididas no âmbito do Poder Legislativo.

Ao sair da reunião, o ministro disse que o governo decidiu demitir os dirigentes dos Correios e IRB Resseguros por causa da evolução das investigações. Segundo ele, o governo tomou todas as providências, com investigações pela Polícia Federal, Ministério Público e sindicância interna dos órgãos. "O governo sempre procura agir com rigor, mas com prudência e justiça", afirmou o ministro.

Aldo Rebelo ponderou que a demissão não representa atestado de culpa. "A demissão não necessariamente está ligada à comprovação de denúncia", observou, lembrando que as investigações ainda estão em curso. Ele disse que o prosseguimento das investigações não impede medidas administrativas. "Não há, neste ato, nenhum tipo de condenação. É uma medida de caráter administrativo", argumentou.

Renan a Lula: "Preserve sua biografia"

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), disse, na saída da reunião que teve com o presidente Lula, na manhã dessa terça-feira, que as providências do governo não terão efeito sobre as investigações do Congresso Nacional.

"Eu disse ao presidente que ele deveria fazer tudo para preservar sua biografia e defender as instituições. Para isso, nada substituirá a investigação e o esclarecimento, qualquer medida que o governo tomar, e ele vai tomar medidas sérias, será bom, mas a função do presidente do Congresso Nacional é manter a coerência e a isenção para que as investigações sejam feitas", disse Renan em entrevista coletiva após o encontro.

"O Executivo pode fazer o que quiser, mas nada pode substituir as investigações no Congresso, porque a sociedade está cobrando a apuração das renúncias", agregou o presidente do Senado.

Ele informou que reúne nessa quarta-feira (8) os líderes partidários na Câmara e no Senado para que providenciem a indicação dos representantes na CPI dos Correios. "Se os líderes não indicarem, eu indicarei", afirmou.

Calheiros disse, sobre a possibilidade de criação da CPI do Mensalão, para apurar as denúncias de que parlamentares recebiam mesada em troca de apoio ao governo, ele disse que a decisão não é dele, mas que "não pode haver zona cinzenta. Tudo tem que ser esclarecido", afirmou. "A esta altura, pela gravidade da crise, não se pode
limitar a investigação".

Sem impedimentos

Biscaia, a instalação da CPI não depende da apreciação do recurso pela CCJ, porque o recurso não tem caráter suspensivo. Portanto, a instalação da CPI depende do prazo estipulado pelo presidente do Congresso (senador Renan Calheiros) e da indicação dos integrantes pelos líderes partidários.

Se o recurso, por qualquer razão, não puder ser votado, não impedirá a instalação da CPI, desde que os partidos indiquem seus representantes, explica Biscaia.

Apoio do PT

Em reunião da sua Executiva Nacional, nessa terça-feira, o PT decidiu acompanhar a resolução da bancada do Partido na Câmara de apoio à instalação da CPI dos Correios, desde que seja exclusivamente para investigar as denúncias de esquema de corrupção em licitações e contratos com prestadores de serviços na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

O PFL e o PSDB querem que a CPI dos Correios investigue também a denúncia feita pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson. Em reunião conjunta, também nessa terça-feira, os partidos de oposição avaliaram que não seria o momento de criar uma nova CPI para apurar as acusações.

O líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP), defendeu que todas as denúncias apresentadas até o momento são correlatas e, portanto, devem ser tratadas pela mesma CPI. "Os recursos do mensalão têm origem justamente da corrupção nas empresas estatais", acusou. A oposição teme que uma segunda CPI dirija seu foco tanto sobre as acusações de Roberto Jefferson como sobre outras denúncias de compra de deputados, como as que surgiram durante a votação da emenda constitucional que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.

De Brasília
Márcia Xavier

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